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sexta-feira, abril 01, 2011

Discurso de abertura do “1º Open Day da Raia Diplomática”



Quero agradecer a todos a vossa  presença neste dia, que é o “1º Open Day da Raia Diplomática”, aos estimados convidados, aos nossos oradores, ao Embaixador Dusko Lopandic, às entidades que voluntariamente se associaram a este evento, a Associação Portugal-Sérvia e o Jornal “O Diabo”, e bem como à Universidade Lusíada de Lisboa e ao Professor Carlos Motta, pela pronta disponibilidade de nos acolherem na vossa ilustre instituição.

O 1º Open Day da Raia Diplomática é composto pela conferência “O Desenvolvimento das relações luso-sérvias”, que curiosamente celebram o seu primeiro centenário do estabelecimento oficial de relações diplomáticas entre Portugal e a Sérvia, no presente ano, mais concretamente no próximo dia 5 de Outubro.

A segunda parte deste nosso “Open Day”, e não menos importante será a entrega da primeira distinção da história da Raia Diplomática, o Prémio Raia 2010, que será hoje entregue à Florisa Dias, artista autodidacta e dirigente da Associação Cultural Coração em Malaca.

Curiosamente, a Sérvia por mera casualidade esteve na formação do projecto Raia Diplomática.

Aliás, pouco tempo depois do Embaixador Dusko Lopandic ter iniciado a sua missão em Portugal, organizamos em colaboração com a Embaixada da Sérvia, a conferência “Os Encontros da Europa – a Sérvia”, em 29.11.2007, na Universidade Autónoma de Lisboa, que curiosamente foi o dia em que o governo albanês do Kosovo, anunciou a sua intenção de proclamar a independência dessa região da Sérvia, disse na qualidade de presidente de uma associação cultural, a Domvs Egitanae, que está sediada na Bemposta do Campo, a única aldeia histórica do concelho de Penamacor, do qual também é natural o Chanceler das Universidades Lusíada e Presidente da Fundação Minerva, o Professor António Martins da Cruz, que iria iniciar em 2008,  a exposição fotográfica “Bemposta on the Road”, que visou e visa promover essa aldeia e a sua região além fronteiras, e já esteve patente no Museu de Harrow em Londres, aliás foi a primeira exposição de um país estrangeiro naquele museu, nas Universidades de Helsínquia, Tallin e Tartu, no Pub Modus Vivendi em Santiago de Composta (foi o primeiro pub da Galiza) e agora, em principio vai finalizar a sua epopeia com uma viagem para o restaurante português “Alfama” em Nova Iorque.

Para esse efeito, foi escrito um texto, uma espécie de  manifesto, com o título “Bemposta on the Road – um conceito diplomático, que foi primeiramente publicado no sítio electrónico “Jornal de Defesa e de Relações Internacionais” do Vice-Almirante Alexandre Reis Rodrigues, e que agora também está disponível no portal da Raia Diplomática, que pretendia transformar um pequeno evento, no caso uma simples exposição num evento mediático com a ajuda da componente diplomática, económica e cultural, com o objectivo de proporcionar proveitos futuros para o país a vários níveis.

Este conjunto de ideias práticas não foi devidamente apreciado por uns, e por outros não mereceu qualquer atenção.

Sem praticamente com nenhum apoio oficial em Portugal e com pouco auxilio no exterior a “Bemposta on the Road” prosseguiu a sua marcha, e sem ser a sua intenção detectou deficiências de comunicação em algumas embaixadas portuguesas e em relação ao Instituto Camões nem se fala.

Todas as dificuldades e as pequenas vitórias alcançadas com a realização desta iniciativa, foram o mote para a criação filosófica da revista Raia Diplomática, pois partindo do local queria conquistar o universal, o global.

Como projecto independente está momento reduzido às suas plataformas digitais -  portal, blogue e nas redes sociais.

Continuamos e queremos ser “a primeira revista portuguesa de actualidade internacional”, tendo a preocupação de dar uma “volta ao mundo” nos grandes acontecimentos que marcam a actualidade e outros que estão escondidos na memória.

Temos assim, para o presente ano três causas a defender:

- Não ao acordo ortográfico
- A Sensibilização para o autismo
- A Herança Portuguesa no Oriente

Não ao acordo ortográfico porque o desenvolvimento da língua deve ser pela natural evolução social, e não por uma esquizofrénica imposição política, emanada por interesses mercantis, reduzindo assim a língua portuguesa a um produto qualquer, e que aliás é reprovado pela maioria dos cidadãos nacionais.

Quanto à sensibilização para autismo lembro que há um portador do espectro do autismo por cada 165 pessoas a nível mundial, e que em Portugal ainda há pouca consciencialização para esse facto e meios de apoio do Estado para as crianças ( e não só) e para a suas famílias.

Recordo, que no próximo dia 2 Abril celebra-se o dia mundial da sensibilização para o autismo, e numa iniciativa   promovida por associações que se preocupam com esta realidade, nesse dia o Cristo-Rei e a Torre dos Clérigos no Porto vão estar iluminadas de azul, a cor da sensibilização para o  autismo.

Por fim, a herança portuguesa no oriente que há séculos tem sendo vinda a ser esquecida por Lisboa, uma espécie de auto-mutilação feita pela pátria portuguesa.
Apesar deste marasmo, a “desistência” por Macau, o abandono da Índia Portuguesa, é curiosamente, e apesar do distanciamento geográfico e auto-imposto por Portugal, a região onde merecemos algum respeito social, ao contrário da Velha Europa, e que a crise dívida soberana veio apesar acentuar esse fosso de desrespeito, apesar dos anos de dita integração europeia, existem alguns projectos muito meritórios, como é o caso do projecto “Povos Cruzados” da Associação Cultural Coração em Malaca (ACCM) que trabalha arduamente para recuperar o legado português em Malaca, e que este ano celebra ou devia celebrar os 500 anos da conquista da “Veneza do Oriente” pelo Afonso d’Albuquerque.

Mas existem outras zonas do Oriente que anseiam pela chegada deste tipo de projectos, que é caso do Sri Lanka, o antigo Ceilão, mais concretamente a zona de Batticaloa onde mais 1000 famílias de “portuguese burghers” continuam a tentar preservar esse legado.

Há semanas, através de uma rede social, um luso-descendente do Sri Lanka, o Hiliaron Roger de Lima solicitou através de mim, que os portugueses enviassem redes para mosquitos, comida e roupa, para minorarem os efeitos das cheias junto da comunidade luso-descendente.

A mensagem está dada!

Todavia, custa-me a entender a posição do Estado português, sobretudo em países com uma forte presença cultural lusitana não tenha sequer uma embaixada para defender os seus interesses, sobretudo numa região em franco desenvolvimento e uma das regiões mais populosas do mundo.

Por tudo o que foi referido, eis a razão da existência da Raia Diplomática!!!

Mas hoje também é o dia de homenagear o Embaixador Dusko Lopandic, que está quase a terminar a sua missão em Portugal.

Foi notório o seu esforço em aproximar Portugal e a Sérvia, e o resultado são os constantes contactos políticos e diplomáticos entre ambos os governos, o apoio inequívoco de Portugal à adesão da Sérvia à União Europeia, o grande objectivo da diplomacia de Belgrado, embora diga-se de passagem que a União Europeia já foi mais apetecível.

Questão mais complicada foi e continua a ser a independência do Kosovo, pois apesar de Portugal ter reconhecido tal violação do direito internacional, com ou sem pressões externas, a Sérvia manteve o seu representante diplomático em Lisboa, o que foi um dos poucos casos que tal se sucedeu, fortaleceu o entendimento institucional de ambos.

Com a abolição da obrigatoriedade de vistos  das viagens para o espaço de Schengen, em Junho de 2010, as relações luso-sérvias poderiam ter um maior desenvolvimento a nível económico, mas não devem ficar-se apenas pelas reuniões dos gabinetes ministeriais.

A título pessoal, no final de 2009, sugeri à Embaixada da Sérvia e da Croácia  que fosse criada a Câmara de Comércio e Indústria Luso-Sérvia-Croata para dinamizar essas relações. À minha missiva, simpaticamente o Embaixador Zeljko Vukosav informou-me que o intercâmbio comercial ainda é muito diminuto.

Sendo verdade, mas se há uma verdadeira vontade de cooperar em vários domínios, seja de índole económica ou cultural, seria interessante a criação de uma entidade que prestasse informações e dinâmicas aos cidadãos e às empresas de oportunidades de intercâmbios e de negócios, para que a celebração dos 100 anos do primeiro tratado comercial entre Lisboa e Belgrado tenha algum efeito prático.

Bruno Caldeira
 
  

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