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terça-feira, novembro 30, 2010

YA PUEDES VISITAR "BEMPOSTA ON THE ROAD"


DESDE ESTE martes 23, y hasta el 31 de diciembre, el pub Modus Vivendi acoge la exposición ‘Bemposta on the road’, organizada por Bruno Caldeira, presidente de la asociación Domvs Egitanae y director de la revista de actualidad internacional Raia Diplomática, con Santiagosiete como ‘media partner’.

La muestra, con fotografías del portugués Bruno Melâo, recoge instantáneas de la vida diar ia en la aldea lusa de Bemposta, en el concello de Penamacor, un poblado eminentemente rural y con menos de cien habitantes. Por eso, la exposición tiene como objetivo alertar sobre la despoblación de estas zonas en Europa, en el 500 aniversario de su Carta Foral.
 
in Jornal Santiagosiete de 26 de Novembro 2010

sexta-feira, novembro 26, 2010

REPORTAGEM DO SANTIAGOSIETE SOBRE A INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO BEMPOSTA ON THE ROAD NO PUB MODUS VIVENDI


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Leia a reportagem do Santiagosiete, o semanário gratuíto de Santiago de Santiago de Compostela sobre a inauguração da exposição fotográfica "Bemposta on the Road", que se realizou no passado dia 23, no histórico Pub Modus Vivendi, na capital da Galiza.

domingo, novembro 21, 2010

BEMPOSTA ON THE ROAD - UM CONCEITO DIPLOMÁTICO


Os Descobrimentos Portugueses foram porventura a época áurea do povo português. Depois das guerras com Castela, e com a definição das suas fronteiras, a audácia e coragem dos portugueses virou-se para a conquista do mar, até então pouco conhecido, e que nas mentes da Idade Média estava impregnado de lendas fantasiosas, mistérios e medos assombrosos de uma sociedade muito fechada.
Na sua génese, o empreendedorismo e a sagacidade do Infante D. Henrique veio atestar que a pequena nação chamada Portugal veio dar novos mundos ao mundo com a descoberta de novos territórios e novos povos, até então completamente desconhecidos e de existência duvidosa aos olhos dos Reinos da Europa. Essa época gloriosa para os portugueses veio moldar o sentido da pátria, criando uma mitologia e heróis próprios, que hoje ainda estão imortalizados no povo português e no mundo.

Virando a página para o Século XXI, e situando no nosso Portugal, é bem sabida a existência de regiões que se desenvolvem económica e socialmente a vários ritmos. No extremo oposto desse nível de desenvolvimento temos o interior, mais precisamente as pequenas aldeias da província que tendem a desaparecer no tempo. Uma dessas aldeias chama-se Bemposta, que pertence ao concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco. A antiga Bemposta do Campo, que foi sede de concelho, concedido pelo foral do Rei D. Manuel I, em 1510.

A pequena Bemposta do Campo foi durante mais de três séculos município, gozando no seu tempo de autonomia política e jurídica, simbolizado pelo seu belo pelourinho. Contudo, o declínio populacional e de investimento parece irreversível. Mas será mesmo assim? No passado dia 15 de Março, no Museu de Harrow em Londres, deu-se início ao projecto “Bemposta On The Road”.

Mas no que consiste efectivamente o projecto “Bemposta On The Road”?

Em termos exógenos, consiste em mostrar através de uma exposição fotográfica, denominada “Bemposta – A Deep Looking”, as cenas quotidianas da Bemposta, as pessoas, o património cultural, os campos, as paisagens, isto é, os momentos peculiares desta aldeia; e em ser transportada, através de uma exposição fotográfica, para Londres, onde estará a decorrer até ao dia 11 de Maio, e que em Setembro visitará a capital do design europeu, Helsínquia, na sua universidade. No final do ano, dará um salto até à báltica Lituânia, para ficar patente na sala de exposições da Embaixada de Portugal em Vílnius.

Esta viagem promocional continuará no próximo ano e no mês de Abril atravessará o Oceano Atlântico, até à “Big Apple”, Nova Iorque. E no dia 10 Junho, dia de Portugal e das comunidades portuguesas, vai estar presente em Newark, na galeria “A Ferro”, terra de grande emigração portuguesa, para finalmente regressar à Bemposta, à sua pátria portuguesa no mês de Setembro de 2009. Toda esta itinerância, remete-nos para a parte endógena, o sopro fundamental da sua essência.

Como é sabido, uma pequena terra como a Bemposta não tem ao seu dispor recursos económicos que a possam sustentar socialmente, mas a realidade comprova precisamente o contrário. E, sendo assim, tendo como pano de fundo uma exposição fotográfica que retrata uma pequena aldeia, como maximizar esta situação?

Em primeiro lugar, temos que referir que as imagens exóticas e os planos caricatos do objecto da exibição, a fotografia, chamam muita atenção aos visitantes por um completo contraste com o seu quotidiano; por outro lado, as cenas reflectidas na “Bemposta – A Deep Looking”, e como alguém dizia na inauguração no Museu de Harrow, … «existem várias Bempostas no mundo».

Assim, a originalidade, a inspiração do autor, vêm captar nos visitantes da exposição e eventuais turistas da aldeia da Bemposta, da região e do país, um sentimento de simpatia, ternura e de curiosidade. Portanto, estamos na presença de dois factores fundamentais para o sucesso – a originalidade e a afeição. Todavia, e até porque a dimensão territorial desta aldeia em concreto é muito reduzida, apenas 10 Km2, teremos que associar ao factor de desenvolvimento local, o regional e o nacional, pelo menos em termos turísticos, nem que seja apenas pela viagem e as inerentes despesas de deslocação.

Turisticamente, parece óbvio que a pequena Bemposta pode beneficiar com este projecto o país. A dimensão cultural que aqui já foi referenciada, aliás ela é a cara do projecto, mostra uma parte etnográfica de Portugal e se a intenção é seduzir além fronteiras e fazer desta campanha uma acção de charme do país, é primordial a divulgação nos países que irão acolher a “Bemposta On The Road” de uma forma séria, objectiva e pragmática, o que deverá estar a cargo do Instituto Camões, como representante cultural de Portugal no estrangeiro, nomeadamente através dos seus leitores ou centros culturais, e em certa medida do Turismo de Portugal, aproveitando o efeito de “bola de neve”, isto é, os conhecedores e os amantes de Portugal convidarem também os seus amigos.

Se até aqui reportamos apenas à diplomacia cultural, vamos agora entrar na diplomacia económica. Bom, na verdade essa destrinça não existe; o antagonismo da diplomacia económica e cultural só é aqui chamado para fundamentar a importância de uma mera exposição no estrangeiro, que pode implicar nos vários organismos responsáveis para a divulgação do nome de Portugal papéis muito específicos e concretos.

Continuando, o dia da inauguração das várias etapas da “Bemposta On The Road” é indispensável para que a diplomacia económica funcione. Neste caso, as embaixadas portuguesas têm uma função imprescindível no sucesso desse dia.

Primeiro, a presença do representante do Estado português, o Embaixador, revela-se de grande importância, pois poderá incentivar a comparência de personalidades e de entidades que normalmente colaboram e são convidadas para estes eventos pelas representações diplomáticas portuguesas.

Em segundo lugar, e aí direccionamos para um outro factor - da cooperação com uma entidade local - a relevância da presença do embaixador de Portugal e o apoio logístico e institucional das nossas embaixadas credibilizam ainda mais a iniciativa, testemunhando, inclusive, que o Estado Português apoia efusivamente a internacionalização do país nos vários níveis de acção.

No caso concreto desta situação, foi solicitada à Associação Domvs Egitanae, aquando da inauguração da exposição no Museu de Harrow, a hora de chegada do Embaixador de Portugal, pois o Council de Harrow, iria estar presente ao mais alto nível e gostariam de cumprimentar o chefe da diplomacia portuguesa no Reino Unido. E com esse interesse por Portugal, o Council de Harrow que alberga cerca de 215 000 habitantes, praticamente a mesma população que todo o distrito de Castelo Branco, arrasta também consigo outras personalidades locais, nomeadamente da área económica, cultural e social.

Como é apanágio num encontro cuja percepção diplomática esteja presente, o momento de descontracção e de maior informalidade, de troca de opiniões descomplexadas que é sugerido pelo cocktail, e mais uma vez, para além da finalidade principal anteriormente descrita, pode muito bem ser propício para a divulgação dos vinhos portugueses, em regra oferecidos pelo AICEP Portugal Global, e para conhecimento da gastronomia portuguesa.

Esta interligação das várias entidades que promovem o nome e o prestígio de Portugal além fronteiras - Embaixadas de Portugal, Instituto Camões, Turismo de Portugal e AICEP Portugal Global, em conjugação com a entidade promotora, neste caso a Associação Domvs Egitanae, com as entidades locais acolhedoras do evento - é a chave para o cumprimento dos objectivos propostos. Tudo isto em consonância e com verdadeira vontade de semear para, num curto/médio prazo, colher os frutos apetecidos de uma eficaz e objectiva política diplomática.

Este é o conceito diplomático empregado pelo projecto “Bemposta On The Road”, em que a simplicidade aparente na organização além fronteiras de uma exposição fotográfica tem por detrás dela toda uma complexidade de objectivos, que vão desde da promoção cultural, turística, à captação de investimento económico estrangeiro, ou seja, da divulgação objectiva e moderna do Portugal Europeu. É este conceito diplomático que teremos implementar nas várias paragens da “Bemposta On The Road” e que só poderá ter pleno sucesso se houver uma real colaboração dos organismos oficiais já referenciados pois, aliás, são esses que deverão ter a maior responsabilidade na divulgação deste tipo de acções.

Este é o contributo da nossa organização, Domvs Egitanae, no melhorar da acção diplomática portuguesa, e através do exemplo da promoção de uma pequena aldeia do interior de Portugal, a Bemposta, todo o país pode beneficiar com esta “âncora”. Tal como aconteceu com os Descobrimentos Portugueses, que abriu os horizontes ao povo português, também queremos que a “Bemposta On The Road” seja o início de um marco importante para a ambição, emancipação e desenvolvimento de todo o interior de Portugal.

(Nota: Este artigo foi escrito no inicio do projecto. Houve locais mencionados neste artigo que não vieram a concretizar como foi Vilnius e Newark, e outros que não estão descritos mas foram desenvolvidas actividades como foi Tallin, Tartu e Santiago de Compostela)

in Jornal de Defesa e Relações Internacionais de 18.04.2008

sábado, novembro 20, 2010

LA EXPOSICIÓN "BEMPOSTA ON THE ROAD" LLEGA AL MODUS VIVENDI



UN ARTÍCULO de opinión del director de la revista portuguesa Raia Diplomática, Bruno Caldeira, titulado ‘Bemposta on the road - Un concepto diplomático’, dio origen a una exposición fotográfica que llega a Compostela después de haber pasado por las ciudades de Londres, Helsinki, Tallin y Tartu (Estónia). Con el objetivo de llamar la atención sobre la despoblación de las regiones más pobres de Portugal, podrá visitarse hasta el 31 de diciembre en el Pub Modus Vivendi. La inauguración tendrá lugar el próximo martes, día 23 de noviembre, a las 20:00 horas.

in jornal Santiagosiete de 19 Novembro de 2010 



sexta-feira, novembro 19, 2010

TIMO RIIHO - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É doutorado em Filosofia e Letras pela Universidade de Helsínquia.

Foi fundador e director do Instituto Ibero Americano da Finlândia.

É membro da Academia de Ciência da Finlândia, da sociedade fino-ugrica da Finlândia e correspondente estrangeiro da real academia espanhola da língua.

Recebeu várias distinções honorificas em diversos países. É comendador pela Ordem do Infante D. Henrique (Portugal), da Ordem do Rio Branco (Brasil) e da Ordem de Mérito Civil (Espanha).

É autor de diversas publicações sobre linguística ibero românica, estando neste momento em preparação de um livro sobre “As origens do sistema prepositivo da língua portuguesa”.


"BEMPOSTA ON THE ROAD" NO SANTIAGOSIETE


Leia a notícia sobre a exposição fotográfica "Bemposta on the Road" no jornal SantiagoSiete.

EXPOSICIÓN FOTOGRÁFICA "BEMPOSTA ON THE ROAD" LLEGA A SANTIAGO DE COMPOSTELA


Santiago de Compostela es la quinta y penúltima parada de la exposición fotográfica "Bemposta on the Road" de Bruno Melao, que refleja la visión de la Asociación Domvs Egitanae y de revista Raia diplomática del pueblo de Bemposta do campo en Portugal.

Después del Museu de Harrow en Londres y las Universidades de Helsinki, Tallin y Tartu (Estonia), la capital de Galicia en plena Año Santo tiene la oportunidad de ver las escenas del día a día del único pueblo histórico del ayuntamiento de Penamacor que curiosamente este año celebra el 500 aniversario de la Carta Foral (documento real), dada por el Rey D. Manuel I, porque durante más de tres siglos (desde 1.510 hasta 1836) fue la sede de su propio ayuntamiento, y que tenía una cierta autonomía política y judicial de los poderes, lo que permitió prosperar y ocupar un lugar importante en la región.

En la Edad Media era propiedad de la Orden de los Templarios y fue una de las Torres de vigilancia en las guerras contra Castilla.

El principal objetivo de este proyecto es advertir sobre la despoblación en las regiones más pobres de Portugal, así como en Europa, y la promoción del "Soft power" y las nuevas tecnologías de información para superar los problemas de desarrollo económico y social.

Los inicios de esta exposición se basaron en un artículo de opinión de Bruno Caldeira, titulado "Bemposta on the Road - Un concepto diplomático"

Al final del proyecto se escribirá un libro sobre las incidencias y evaluaciones de los diferentes comportamientos y actitudes de las Embajadas de Portugal en Londres, Helsinki, Tallin y el Vice - Consulado de Vigo.

"Bemposta on the Road" estará en el pub Modus Vivendi, en Santiago de Compostela, que curiosamente fue el primer pub en Galicia, desde el 23 de noviembre hasta finales de año. La apertura correrá a cargo de Gerardo Gandara Moure – Cônsul Honorário de Portugal en Coruña-, Concha Rousia – poetisa Gallega - y Bruno Caldeira – Director de la revista Raia Diplomática y Presidente de la Asociación Domvs Egitanae.

Después de la muestra en el Modus Vivendi, "Bemposta on the Road" estará en enero de 2011 en el Colexio de Psicólogos también en Santiago de Compostela, donde las fotografías, que tienen muchas historias para contar, incluyendo la controversia con el Embajador de Portugal en Londres en 2008, estarán disponibles para la venta.

quinta-feira, novembro 18, 2010

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA "BEMPOSTA ON THE ROAD" EM SANTIAGO DE COMPOSTELA


Santiago de Compostela é a quinta paragem da exposição fotográfica “Bemposta on the Road” da autoria de Bruno Melão, que interpretou a visão da Associação Domvs Egitanae e da revista Raia Diplomática para a aldeia da Bemposta do Campo.

Depois de Londres, Helsínquia, Tallin e Tartu, a capital da Galiza no ano santo do Xacobeo tem a oportunidade de ver as cenas do dia-a-dia da única aldeia histórica do concelho de Penamacor que curiosamente no presente ano está a celebrar os 500 anos do seu foral manuelino, pois  por mais de três séculos (1510 - 1836) foi sede de Concelho, e possuiu alguma autonomia política e judicial, o que lhe permitiu prosperar e ter um estatuto importante na região.

Na Idade Média foi uma Comenda da Ordem dos Templários e era uma das Torres de Vigia nas guerras contra Castela.
O Pub Modus Vivendi acolherá no dia 23 de Novembro até ao final do ano as imagens da bela aldeia portuguesa.

A abertura do evento estará a cargo de Bruno Caldeira, director da revista Raia Diplomática e Presidente da Associação Domvs Egitanae, de Concha Rousia, poetisa galega e de Gerardo Gandara Moure, Cônsul Honorário de Portugal na Galiza.

RAMI SAARI - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


Estudou e ensinou Filologia Semítica e Línguas Urálicas na Universidade de Helsínquia, Budapeste e Jerusalém, e doutorou-se em Linguística na Universidade Hebraica de Jerusalém. 

Tem traduzido, desde 1996, algumas dezenas de livros das literaturas albanesa, catalã, espanhola, estoniana, finlandesa, grega, húngara e portuguesa.

Do português traduziu as Poesias de Alberto Caeiro e os Poemas de Álvaro de Campos, ambos de Fernando Pessoa, em colaboração com Francisco da Costa Reis; A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá Carneiro, entre outros.

Pela sua obra poética ganhou em Israel o Prémio do Primeiro Ministro, em 1996 e 2003, e pelas suas traduções, em 2006, o Prémio Saul Tchernikhovsky.

quarta-feira, novembro 17, 2010

GUILHERME D'OLIVEIRA MARTINS - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É Presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura. Professor Catedrático convidado da Universidade Lusíada, foi Ministro da Presidência (2000-2002), Ministro das Finanças (2001-2002) e Ministro da Educação (1999-2000).

Recebeu as Condecorações de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (Portugal) , Comendador da Ordem de Isabel a Católica (Espanha), Oficial da Ordem da Legião de Honra (França) e a Grã-cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul (Brasil) .

É autor de diversas obras, entre elas “Lições sobre a Constituição Económica Portuguesa” (2 volumes), “Oliveira Martins, uma Biografia”, “Escola de Cidadãos” (2 edições) e “O Enigma Europeu”.

terça-feira, novembro 16, 2010

SANTIAGOSIETE É O MEDIA PARTNER DA EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA BEMPOSTA ON THE ROAD


O jornal Santiagosiete, o semanário gratuito de Santiago de Compostela que é lido por mais de 60.000 pessoas na capital da Galiza e na sua comarca é o media partner da exposição fotográfica "Bemposta on the Road", alusiva à  Bemposta do Campo, a única aldeia histórica do concelho de Penamacor.

Esta exposição estará patente do dia 23 de Novembro até ao final do ano, no Pub Modus Vivendi em Santiago de Compostela. 

segunda-feira, novembro 15, 2010

A ENTREVISTA COM VARELA DE MATOS - CANDIDATO AO CONSELHO DISTRITAL DE LISBOA DA ORDEM DOS ADVOGADOS


É já no dia 26 de Novembro que se realizam as eleições para o Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados. O candidato Varela de Matos concedeu uma entrevista exclusiva à Raia Diplomática, onde contou as suas ideias para o triénio 2010 - 2013 da maior distrital de advogados do país.

Que opinião tem sobre os outros candidatos ao Conselho Distrital de Lisboa?
A melhor!

Dr. Vasco Marques Correia?

É um Advogado que sempre participou nos órgãos da Ordem. É conhecidíssimo. É um dos mais conhecidos Advogados da maior empresa, desculpe, queria dizer da maior sociedade de Advogados de Lisboa, da Av. da Liberdade. Há quem diga que a sociedade não ficará pior representada através dele, do que ficou quando o principal sócio foi Bastonário … mas eu não acho …
O Dr. V.M.C., candidata-se manifestamente (é o que resulta dos seus textos) para “corrigir a Ordem”, “voltar a prestigiá-la”, “para a Ordem readquirir credibilidade”, porque entende que o Bastonário Marinho Pinto, “desprestigiou-a”,”descredibilizou-a”, “desviou-a”. Ora, isto é, um disparate sem qualquer nexo. As pessoas fazem o melhor que sabem e podem, com o seu próprio estilo. Uns fazem mais e melhor porque têm mais imaginação, mais iniciativa, mais experiência, mais vida. O resto é retórica pura ….

Dr. Pedro Raposo?

É um jovem Advogado, tem 2 Bastonários a apoiá-lo, um do século passado e outro que estará arrependido de o ter sido tão cedo…

Presidiu ao Conselho de Deontologia de Lisboa, e ao que dizem os relatórios (da Ordem) gastou dois milhões de euros a “disciplinar” os Advogados de Lisboa, no seu mandato… Se ganhar, dispõe seguramente de muito mais (atenta a regra de repartição de receitas na Ordem, estabelecida no EOA). O que importa afirmar (e isso está a discutir-se, nesta campanha), é se os 2 milhões de euros gastos a “disciplinar” não seriam mais bem empregues a “ajudar” os Advogados, porque como diz o Zeca Afonso, “o que faz falta é ajudar a malta”.

Dr. Jerónimo Martins?

É um Advogado com mais de 30 anos de profissão. Conheço a sua intervenção cívica em vários fóruns, desde o tribunal Cívico Humberto Delgado (que foi uma iniciativa da sociedade civil, para “julgar” os crimes da PIDE e lembrar às novas gerações que esse regime hediondo existiu). Foi o número dois da actual Direcção da Ordem dos Advogados. É responsável pelas coisas boas (e foram muitas que foram feitas) e também pelo que de mau foi feito (e também houve).

É um candidato “enviado” pelo actual Bastonário, para tentar “conquistar” Lisboa, porque o Dr. Marinho Pinto percebeu que quem “dominar” Lisboa, é que “manda”.

Quais foram os principais motivos para o lançamento desta candidatura a Presidente do Conselho Distrital da Ordem dos Advogados (OA)?

Um grupo de Advogadas e Advogados decidiram voltar intervir na Ordem para dizerem o que pensam. Criticar o que está mal. Elogiar o que merece elogio.

Quais são as principais ideias desta candidatura?

Aproximar a Ordem aos Advogados. Fazer da Ordem dos Advogados uma estrutura que exista exclusivamente para servir os Advogados, para proteger os Advogados, para facilitar a vida aos Advogados, para obter vantagens e benefícios para os Advogados.

Como classifica o desempenho do actual Bastonário Marinho Pinto?

Tem tido uma actuação globalmente positiva.

Criticou no jornal Advocatus os salários avultados dos colaboradores da OA, que ascendem aos 11.000 € por mês. Frequentemente ouvimos a instituição e o seu Bastonário a queixarem-se de não ter verbas para o seu regular funcionamento.

Como é possível pôr a OA na ordem?

Nós não queremos pôr a Ordem na ordem. Queremos pôr o Conselho Distrital de Lisboa exclusivamente ao serviço dos Advogados.

Como vê o ensino do direito em Portugal?

O ensino do Direito não nos merece reparo na generalidade. Existem boas Escolas, bons Professores, bons Curso, boas Pós-graduações. Eu fui Patrono nos últimos 15 anos de 45 Advogados estagiários, de todas as escolas sem excepção. Tive estagiários excelentes, bons e outros com mais dificuldades, de todas as escolas. Sete são, actualmente, Magistrados que se licenciaram em diversas escolas.

E como vê a intenção do Bastonário Marinho Pinto em dificultar o acesso à profissão aos jovens licenciados?

Não concordo consigo. Não se trata de dificultar o acesso à profissão. Concordo que exista um exame de acesso ao estágio na Ordem dos Advogados, para os licenciados pelo sistema de Bolonha (3 anos), não devemos criar expectativas às pessoas e decorridos 3 ou 4 anos, dizer-lhes que não preenchem os requisitos mínimos.

O Dr. Varela de Matos é reconhecidamente um defensor de causas sociais. Numa conferência realizada em Vialonga, em 2004, defendeu que o actual apoio judiciário não protegia os requerentes pois a sua defesa estava a cargo de jovens advogados que nem sequer sabem de que lado estar na sala de audiências.

O que se pode fazer para melhorar este apoio?

O problema não era serem jovens Advogados. O problema era serem estagiários. Muito foi feito. Hoje o sistema melhorou substancialmente. O sistema de Apoio Judiciário é gerido pela Ordem dos Advogados, através de um sistema que funciona bem e que só nomeia Advogados, para efectuar as defesas oficiosas. Melhora a qualidade das defesas.

O Decreto-Lei nº 229/2004 de 10 de Dezembro que disciplina as Sociedades de Advogados não distingue as grandes das pequenas sociedades.

Está de acordo com essa regulamentação?

Não, não estou. O Código do Trabalho estabelece a distinção entre grandes e pequenas sociedades. O Código das Sociedades Comerciais distingue as sociedades em vários tipos, consoante o número de sócios, o capital social, etc., ou seja, existem regulamentações diferenciadas consoante a envergadura dos projectos societários, o volume de negócios, o número de pessoas envolvidas, etc.

Não faz sentido estabelecer um regime jurídico para as sociedades “quase unipessoais” e para as sociedades de Advogados com centenas de profissionais “assalariados”. É um Absurdo e um contra-senso. Quem delineou esta ideia, pensou na advocacia como projecto empresarial. Mas a advocacia é muito mais do que isso.

Os recentes escândalos mediáticos como seja o Freeport ou o caso da Face Oculta só para citar os mais recentes estão a denegrir ainda mais as instituições. Sendo a corrupção um dos maiores flagelos da nossa sociedade, o que se pode fazer para credibilizar a justiça perante os cidadãos?

A “crise da justiça” é mais mediática do que real.

O que pensa dos candidatos a Bastonário?

São três homens sérios e ao que dizem, bons Advogados. Têm ambição, o que é legítimo e não tem mal nenhum.

O Dr. Marinho Pinto?

Fez-se eleger (e bem), há três anos, através dos órgãos da comunicação social. Era da casa (jornalista) e ajudaram-nos bem, levaram-no ao colo. Concordo com quase tudo o que disse ou escreveu ao longo do seu mandato. Quer quebrar uma tradição de um único mandato, (o Dr. Castro Caldas também já a quebrara ao recandidatar-se e saiu logo de seguida para Ministro da Defesa do Eng. Guterres. Dizia-se que sabia pouco de TROPA, que até confundia os postos, porque nunca fora … à TROPA… Mas eu pessoalmente estou-lhe grato. Reactivou a especialidade Comando “Guerra”, pela qual eu me bati durante anos através da Associação de Comandos).

Do Dr. Fragoso Marques?

Tenho também a melhor das impressões. Disputei com ele as eleições de 1998, para o Conselho Distrital de Lisboa. Ganhou ele. Perdi eu e o Dr. Rogério Alves. Acompanhei o seu trabalho como Presidente do Conselho Distrital de Lisboa. Fez um bom trabalho. É um Advogado respeitado e leal com os Colegas. Foi patrono de duas alunas minhas, que lhe tecem rasgados louvores como Patrono. Começou cedo (ao que dizem engajado na política).

Ao que dizem na campanha, foi escolhido (ou empurrado) por todos os que nunca se conformaram com a estrondosa derrota que tiveram em 2008.

O Dr. Magalhães e Silva, o Dr. Luis Menezes Leitão, o Dr. Carlos Pinto de Abreu e por outros que acham que é o candidato ideal e ao que se diz, pelas grandes sociedades que não se conformam que o Bastonário da ordem dos Advogados possa ser um outsider que veio, viu e ganhou.

E o Dr. Luis Filipe Carvalho?

Conheço-o mal. Dizem-me que é comentador residente na televisão em canal fechado, mas eu só vejo canais em sinal aberto… O Dr. Fernando Fragoso Marques diz que é o Advogado “do Capital”

É bem falante, dizem-me que é sócio de uma Grande Sociedade de Advogados com um ex-Bastonário. Diz (apregoa) que está a preparar a tempo inteiro a campanha para Bastonário há quase dois anos. Eu tenho inveja … dizem que contratou expressamente uma Agência de Comunicação para o assessorar na campanha (o Dr. Marinho Pinto, di-lo publicamente). Eu não sei se é verdade …. mas não lhe elogio a estratégia.

Fiquei com boa impressão dele. Cruzei-me com ele no sorteio das Listas para as eleições. Todos pretendiam reservar as letras “A”, “B” e “C”, para os candidatos a Bastonário. Opus-me! Sozinho. O Dr. L. F. C. pediu a “suspensão da instância” e um “Estatuto da O.A”, por um minuto. “Retomada” a instância disse: “O Dr. Varela de Matos tem razão e é o único que está a defender o que está no estatuto.” Devo-lhe esse gesto de Lealdade. E o sorteio fez-se em condições de igualdade e as “letras” foram repartidas sem “privilégio”.
Mas no debate entre os três candidatos o Dr. Varela de Matos “atacou” os três candidatos?

Eu não consegui conter a minha indignação.

Os três realizaram um debate, no Auditório do C.D.L.. Convidaram o Dr. Sousa Macedo para moderador, que parece que tinha o relógio avariado e dava 25 minutos ao Dr. Luis Filipe Carvalho e 15 minutos ao Dr. Marinho Pinto, o que motivou aceso protesto deste, mais a mais, depois de no início do debate, ter dito que atribuíra ao Dr. Sousa Macedo a medalha de mérito da Ordem dos Advogados. Teve portanto boa recompensa …

Nesse debate, todos disseram o mesmo, todos proclamaram a sua fidelidade inabalável aos Direitos do Homem, à Liberdade, ao livre exercício da crítica, ao respeito do contraditório …

Porém, a meio do debate, para estupefacção geral, o Dr. Sousa Macedo comunicou à assembleia, (que esgotava o Auditório), que os 3 candidatos a Bastonário da O.A., tinham combinado entre si (sem avisarem ninguém) que não admitiam perguntas dos Advogados, o que motivou protestos da assembleia. Ouviram-se vozes de protesto e outras coisas ainda mais “feias”.

Nesse debate, pedi autorização ao Moderador (que me concedeu) e perguntei como é que o Senhor Dr. aceitou presidir e moderar um debato no qual os Advogados não podem questionar os candidatos? – Respondeu-me com voz tremida: “Foram eles que combinaram assim …”

Ora, eu entendo que não se pode ser democrata nas Proclamações, nos Manifestos, nos Discursos, e depois, no quotidiano, nos pequenos gestos, na prática, cercear-se a liberdade de crítica, e aceitar-se fazer debates sem perguntas. É uma questão de Princípio!

Porque é que acha que seria capaz de fazer melhor do que os outros 3 candidatos?

Porque tenho uma experiência que nenhum deles tem.

Tenho 50 anos de idade. Trabalho há 38 anos. Desempenhei as mais variadas funções profissionais.

Nenhum deles foi Patrono de tantos estagiários como eu fui: 45 Estagiários.

Nenhum deles dirigiu tanto estagiário com sucesso. Nunca nenhum estagiário reprovou no exame final da Ordem.

Realizei mais de uma centena de exames orais na Ordem, como membro dos júris.

Participação activa em três actos eleitorais. Dois deles como cabeça de lista. Tenho ideias, espírito de iniciativa.

Tenho uma intervenção cívica em várias áreas (Associações de apoio à infância desvalida, Associações de apoio à terceira idade, Associações de apoio aos antigos Combatentes). Nenhum dos outros candidatos tem uma experiência que se aproxime. E depois, ainda tenho uma vantagem acrescida: Nunca integrei nenhum órgão da O.A..
O Conselho Distrital de Lisboa possui uma estrutura profissional com mais de sessenta funcionários, magnificas instalações, com actividade intensa em curso, mérito da equipa do Dr. Carlos Pinto de Abreu, do Dr. Raposo Subtil, do Dr. Rogério Alves e do Dr. Fragoso Marques.

Há que dizer isto sem rodeios, sem medo, sem pudores.

Dizem que a sua candidatura é a candidatura das “questões concretas”?

Isso é um elogio? – Sim muitos Colegas me têm feito chegar mensagens e dito isso.

Nós dissemos. A Biblioteca não pode fechar à hora de almoço, nem ao sábado. E tem de ter um serviço de entregas ao domicílio.

Uma certidão custa 0€ na Caixa de Previdência, 5€ no Conselho Distrital e 12€ no Conselho Geral. Isto tem de acabar.

Uma consulta médica na Caixa não pode demorar 2 meses. Ponto Final.

Um Processo Disciplinar, de lana caprina, não pode arrastar-se 5 anos.

Há que acabar com isto. JÁ!

Os Funcionários da Ordem não podem trabalhar 35 horas por semana. É incompatível para os cofres da O.A.

A Ordem não é dos Funcionários é dos Advogados.

A Ordem tem de ter representantes nos principais Tribunais para trabalharem em cooperação com os Juízes Presidentes dos Tribunais.

Isto é que é resolver os problemas. Isto é que é representar os Advogados. Isto é que é a vocação e o exercício das competências de um órgão como o Conselho Distrital.
Os meus Colegas elaboraram e apresentaram manifestos de banalidades, generalidades, coisas vagas, com as quais todos estamos e não poderíamos deixar de estar.

Prestigiar a Advocacia!

Combater a morosidade da Justiça!

Combater a Procuradoria ilícita!

Dar Formação, fazer campanhas Pedagógicas etc. etc. etc.
O Dr. Vasco Marques Correia até quer acabar com “os sobressaltos dos Advogados” SIC! Página 1 do seu manifesto (linha 12), valha-nos Deus!
Eu gosto de andar sempre em sobressalto.

Disse-me um colega que o Dr. V.M.C. diz isso a propósito dos velhos Advogados… mas eu assusto-me na mesma… é que eu já dobrei a barreira dos 50 anos…

Portanto e concluindo, sim, nós temos propostas concretas. Deixamos aos nossos Adversários a elaboração de um manifesto eleitoral das generalidades e das abstracções.

Podem fazer um único. Nós prometemos que assinamos “de cruz”.

Dinheiros? Uma campanha eleitoral destas é muito cara…

Já foi mais… Agora a O.A. (e bem) distribui as comunicações das candidaturas através do servidor da Ordem. Cada candidatura pode enviar duas comunicações por mês.

Se quiser envia mais alguma mas terá de pagar mais ou menos € 500,00.
No passado era diferente…

Havia candidaturas que enviavam vários “cadernos” em papel couché para milhares de Advogados. Só em correios era uma fortuna. Eu conto-lhe. Em 1998 quando me candidatei a Presidente do C. D. L. fizemos um único folheto A4, para os Advogados do C.D.L.. Gastamos 1.000 contos. Andei durante 2 anos a pagar a dívida aos correios e à gráfica.

Nesse ano houve candidaturas que efectuaram quatro e cinco comunicações, cada uma com mais de 10 folhas em papel couché e a cores.

Dizia-se que os fins justificavam os meios…

Era. Agora ou pela crise, porque as novas tecnologias permitem comunicações mais baratas, ou porque há candidatos confiados que a sua presença permanente na T.V. é suficiente “a coisa pia mais fino”... Até à data 10.11.2010, só o Dr. Fernando Fragoso Marques enviou (em magnífico papel couché uma carta a todos os Advogados (30 mil)…

A nossa candidatura tem um orçamento: € 5.000,00. Não saímos daqui nem iremos mais além. Pedimos empréstimos a várias pessoas e emitimos as declarações de reembolso a 3 anos sem juros.

O valor restante foi obtido com donativos solicitados a todos os subscritores da candidatura (€ 10,00 a cada um).

Está disponível para apresentar as contas da campanha na semana seguinte às eleições?

SIM e fá-lo-emos e aproveitamos para fazer um repto aos outros candidatos para que o façam.

A transparência e a clareza desse gesto prestigiariam mais os Advogados Portugueses, do que mil campanhas pedagógicas para “restaurar a dignidade perdida”, “restituir o prestígio”, “recuperar a confiança”. etc. etc. etc. Como já referi é com pequenos gestos que se fazem grandes obras e com pequenos passos que se fazem grandes caminhadas.

Está lançado o desafio?

SIM, Sim…

Nós não temos “agências de comunicação”, nem estruturas profissionais a trabalhar na campanha, nem papel couché, mas temos ideias, determinação, entusiasmo e divertimo-nos … muito…
 Se as candidaturas para os diversos órgãos da Ordem dos Advogados são autónomas, porque é que há candidatos a Bastonários que concorrem com a mesma letra que candidaturas ao Conselho Distrital e de Deontologia?

Puro oportunismo. Nós votamos contra no sorteio das listas.

E fizemos declaração de voto para a acta.

Um candidato a Bastonário deve apresentar-se sozinho.

Não precisa de muletas, nem deve ser muleta de ninguém. Ponto final. Ora, o Dr. V.M.C. e o Dr. J. M. que concorrem em absoluta comunhão de interesses e em harmonia com os candidatos Dr. Fragoso Marques e Dr. Marinho Pinto, aproveitam-se da publicidade e do prestigio dos candidatos a Bastonário, albergando-se sob a mesma divisa (letra). Isto é abusivo e ilegítimo, de duvidosa legalidade e é censurável.

Cada candidatura deve pedalar a sua própria bicicleta e não andar à boleia dos outros. Só precisa de se agarrar aos outros que nem tem “pés” para correr por si próprio.

Isto devia ser revisto. Nós vamos apresentar uma proposta de revisão do regulamento eleitoral, que impeça este, desvirtuamento da verdade eleitoral e da livre escolha dos Advogados. Somos vanguardistas nalguns aspectos. Por exemplo o voto obrigatório. Somos retrógrados e corporativistas no que convém aos interesses instalados.

Há um ano, realizaram-se dois actos eleitorais, no prazo de quinze dias. Para a Assembleia da República e para as Autarquias Locais. Porque não se fizeram nos mesmos dias com “ganhos de eficiência” e “poupança de recursos?” Porque não era justo nem legitimo censurar ou premiar do mesmo modo, por raciocínio indutivo, os que pedalavam na mesma bicicleta…embora tivessem exercido cargos diferentes ou se candidatassem a diferentes funções… cada um deve concorrer per si.

Eu sei que os demais candidatos não gostam de ouvir isto, mas eu não o calarei. E digo mais, a nossa candidatura é claramente prejudicada por este sistema…

Porque é que só agora doze anos depois em que voltaram a intervir?

Isso é uma longa história…

Mas eu conto-a brevemente. Em 2002 candidatámo-nos. Estávamos a preparar as eleições, listas elaboradas, assinaturas recolhidas, quase em campanha eleitoral. Em pleno mês de Agosto (férias) foi publicada uma alteração ao Estatuto da Ordem dos Advogados, que quadruplicou o número de assinaturas necessárias para apresentar uma candidatura.

Era Bastonário o Dr. Pires de Lima. Eram candidatos, o Dr. Júdice e o saudoso Dr. Carlos Candal.

Protestei. Mas, todos se calaram perante esta iniquidade: alterar as regras a meio do jogo.

Escrevi aos outros candidatos.

E o que responderam eles?

O Dr. Júdice, Dr. Rogério Alves… encolheram os ombros. Só o Dr. Carlos Candal me disse: - Varela de Matos isso que não se faz a ninguém, impugne as eleições que eu subscrevo…

O Dr. Varela de Matos escreve em várias revistas, mas não tem escrito no Boletim nem na Revista da Ordem?

Claro. Na Revista da ordem só escrevem “os de sempre” e os assistentes do Prof. Meneses Cordeiro, que possui uma espécie o monopólio régio…

Conto-lhe: Quando era Bastonário o Dr. Castro Caldas, enviei para publicação um textozito. Um modestíssimo escritozito sem pretensões (era apenas um relatório de mestrado que merecera a aprovação com quinze valores, do Professor Gomes Canotilho).

Solicitei humildemente a publicação. Foi devolvido dias depois na volta do correio com um cartão assinado pela funcionária da Revista, Isabel Cambezes. Solicitei informações. Mandaram-me um papel, que era uma pretensa “acta” da comissão de redacção, na qual não estavam presentes mais de metade dos membros… e em que um dos membros, (Dr. Robin de Andrade) escrevera sobre o meu despretensioso texto: “Este não”.

No mesmo número da Revista foram publicados dez artigos. Oito eram do Dr. Meneses Cordeiro e dos seus assistentes…

Protestei (sou um protestador profissional). Respondeu-me já o novo Bastonário Dr. Pires de Lima, com uma simpática carta que conservo… “que quer que eu faça? Isso passou-se com o anterior Bastonário! Enfim…”

VOLTEMOS À ACTUALIDADE,

O que acha da Acção Disciplinar exercida na Ordem?

Eu quero fazer uma Declaração de interesses: Eu sou Arguido num processo disciplinar no Conselho de Deontologia. Eu narro em poucas palavras: Há cerca de cinco anos um Advogado escreveu uma carta a um amigo meu (deficiente das Forças Armadas). O Advogado representava uma dessas “meritórias instituições” que prodigalizam créditos pessoais e que cobram juros que arrancam a pele… aos incautos.

A carta era medonha. A gramática saía maltratada. E eu respondi isso mesmo. Que a gramática fora maltratada. E fora. Que as “ameaças” me provocaram uma “hilaridade incontinente”. E provocaram. Enfim… umas graçolas. Mas o Advogado (com o qual eu já guerreara asperamente anos antes), logo remeteu a minha carta ao Conselho de Deontologia de Lisboa.

E o Conselho o que fez?

O que fez! Aquela carta foi a mãe de um gordo processo que lá anda pelo Conselho e que já deu azo a múltiplas diligências de inquirição e tem cartas precatórias várias e um destes dias sobre o mesmo, há-de ser lavrado sisudo acórdão e quiçá conterá severa punição (quem sabe mesmo se a esta hora não terá já sido proferido) e se eu não terei já sido “irradiado” da Ordem… e porventura já nem poderei ir a votos a 26 de Novembro. E é assim, com coisas destas que se gastam algumas centenas de milhares de euros, dos dois milhões de euros que o Dr. Raposo gastou … no seu mandato.

Tudo isto é risível, eu sei…

É verdade que o senhor, recentemente, foi penhorar o escritório de um dos seus adversários?

Recuso-me a responder a essa pergunta.

Mas até há um parecer do Conselho Geral sobre isso…
Recuso-me a responder.
 
Mas o parecer está no site da Ordem …
Não digo nem uma palavra.

O senhor não é apoiado por nenhum Bastonário?

E eu que saiba que algum o pretenda fazer. Retiro logo a candidatura …

Eu já escrevi um artigo sobre isso no Advocatus sobre o título, “Como deve agir um Bastonário” e que mudaram … para “Varela de Matos faz apelo ao Bastonário”.

E o que é ser advogado em Portugal?

É viver com a convicção de que somos úteis à sociedade, lutando e sobrevivendo.

Pergunta clássica, o que levou a ser advogado?

O sonho de ser um Homem Livre. Senhor do meu tempo e do meu destino.







SALES MARQUES - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É licenciado em Economia e mestre em Estudos Europeus pela Universidade do Porto.

É Presidente do Conselho de Directores do Instituto de Estudos Europeus de Macau, do Centro Euro-Info e do Centro para a inovação industrial de Macau. Desempenhou várias funções no governo de Macau, sendo entre 1993 a 2001, Presidente do Leal Senado de Macau.

É também investigador em relações internacionais, sendo especialista nas relações China – União Europeia.

Recebeu a medalha do governo de Macau (sob administração portuguesa) e é Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.

domingo, novembro 14, 2010

ROMAN KUZNIAR - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É director da secção de Estudos Estratégicos e de Segurança do Instituto das Relações Internacionais da Universidade de Vársóvia, do Instituto Polaco de Assuntos Internacionais, do “Strategic Yearbook” e do “Polish Diplomatic Review”.

É membro da delegação polaca na comissão dos direitos humanos nas Nações Unidas . Foi Ministro Plenipotenciário na Missão Permanente nas Nações Unidas em Genebra (1994-1998), director do departamento de estrategia e planeamento da politica externa (2000-2002) e director da academia diplomática (2003-2005).

É autor de vários livros e artigos cientificos e participou em inúmeras conferências na Polónia e no estrangeiro.

sábado, novembro 13, 2010

NO DIA 16 DE NOVEMBRO LEIA A ENTREVISTA EXCLUSIVA DE VARELA DE MATOS À RAIA DIPLOMÁTICA


Na próxima terça-feira, dia 16 de Novembro, não perca a grande entrevista com o Dr. Varela de Matos, candidato ao Conselho Distrital de Lisboa da Ordem dos Advogados.

sexta-feira, novembro 12, 2010

MONIZ BANDEIRA - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É graduado em Ciências Jurídicas, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e professor titular (catedrático) de história da política exterior do Brasil, no Departamento de História da Universidade de Brasília (aposentado).

Recebeu das Faculdades Integradas do Brasil – UniBrasil, de Curitiba, Paraná, o título de Doutor Honoris Causa e, em 2006, foi eleito pela União Brasileira de Escritores (UBE), por aclamação, Intelectual do Ano de 2005, recebendo  o Troféu Juca Pato.

 É Grande Oficial da Ordem de Rio Branco (Brasil), comendador da Ordem do Mérito Cultural (Brasil), comendador da Ordem de Mayo (Argentina) e condecorado com a Cruz da República Federal da Alemanha.

quinta-feira, novembro 11, 2010

JIMÉNEZ REDONDO - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É professor de História dos Movimentos Sociais e Políticos da Universidade CEU – San Pablo de Madrid.

É comentador de assuntos políticos da Rádio Cadena SER de Espanha e é membro da Junta Directiva do Instituto de Estudos Panibéricos (ISDIBER).

Tem participado em conferências, cursos e seminários em várias universidades de Espanha, Portugal, México e Colômbia.

 Entre as suas obras destacam-se – “De Suarez a Rodriguez Zapatero: a política exterior da Espanha democrática” (Madrid, Dilex, 2006), “As relações luso-espanholas durante a Guerran Fria” (Lisboa, Assírio e Alvim, 1996), “O caso Humberto Delgado – sumário do processo penal espanhol” (Mérida, Editora Regional da Extremadura, 2001 e 2004).

terça-feira, novembro 09, 2010

DRAGAN DJUKANOVIC - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


Doutorou-se em Ciências Políticas na Universidade de Belgrado. Actualmente, é investigador no Instituto de Política e Economia Internacional de Belgrado, sendo a sua área de especialização, as relações bilaterais e multilaterais da região dos Balcãs ocidental e do sudeste europeu.

É director do Medunarodna Politika, um dos mais antigos jornais dos Balcãs, fundado em 1950. Pertence ao Fórum das Relações Internacionais do Movimento pela Europa da Sérvia, e é membro do seu conselho executivo. Escreve regularmente para vários jornais científicos da Sérvia e dos países do sudeste da Europa.

segunda-feira, novembro 08, 2010

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "MANDELA - A CONSTRUÇÃO DE UM HOMEM"




No próximo dia 11 de Novembro, pelas 19 horas terá lugar no Colégio Militar, a apresentação do livro "MANDELA - A Construção de um homem" da autoria de António Mateus, jornalista da Agência de Notícias LUSA que foi durante anos delegado na África do Sul.
A jornalista Cândida Pinto e o antigo Comissário Europeu António Vitorino farão a introdução à obra.


sábado, novembro 06, 2010

BONKE DUMISA - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA


É Presidente do Conselho de Administração da Dumisa Investiments, Professor de Gestão na Universidade de Kwazulu-Natal e Vice-Presidente do Tribunal Nacional do Consumidor da África do Sul.

Foi Conselheiro económico do Governo do Estado de Kwazulu-Natal (2004-2005).

Participa regularmente em programas de análise económica na televisão, nas rádios e na imprensa escrita sul-africana.

É frequentemente convidado enquanto orador para conferências na África do Sul e no estrangeiro.

sexta-feira, novembro 05, 2010

AARON WISE - MEMBRO DO CONSELHO EDITORIAL DA RAIA DIPLOMÁTICA




É um dos sócios da Sociedade de Advogados Gallet Dreyer & Berkey, LLP, em Nova Iorque.


É especialista em várias áreas, nomeadamente em direito das sociedades, direito comercial e dos contratos, fiscalidade, e em propriedade intelectual, licenciado por várias universidades: “Boston College Law School”, “New York University Law School” e Universidade de Paris. É autor da obra International Sports Law and Business (Kluwer Law International, The Hague and Cambridge, Mass., 1997), recentemente publicada em vários volumes.


 Aaron Wise possui larga experiência na representação de europeus relativamente a actividades desenvolvidas tanto nos EUA como noutros países.

quinta-feira, novembro 04, 2010

O ROCK DOS TEMPOS MODERNOS

Há pouco mais de um ano, começou por aparecer no meio das novas redes sociais. Popularizou-se num blogue e numa emissão online. Onze anos depois do encerramento, a rádio SuperFM está de volta. Rui Santos, o director, confessa que realizou um sonho. Em conversa nos estúdios, explica-nos como conseguiu que as pessoas voltassem a ouvir rádio. Saiba como fazer renascer um projecto das cinzas pode ser mais simples do que parece.

Porquê relançar a SuperFM às 21h09?
Há 11 anos atrás, a SuperFM deixou de emitir dia 30 de Junho, às 21h05. Não conseguimos ter licença para reabrir a rádio nesse dia, então jogamos um pouco com as datas. A lógica passou por adiantar cinco minutos e fazer o relançamento às 21h09, no dia 21 de Setembro de 2009. Este foi também o Dia Internacional da Paz e usamos isso como teasing durante um mês e meio.

 
Trata-se de um regresso ao passado?
Um pouco. Durante a primeira fase da SuperFM em 1991 [até 1994] - aquela que marcou mais e que ficou mais conhecida – havia uma equipa e dinheiro. Tinha tudo e, por isso, as pessoas não perceberam porque acabou. Isso aconteceu porque toda a equipa não estava de acordo com um dos sócios, já que nos queria levar para um lado que não fazia parte da maneira de ser da rádio. E pretendia afastar uma pessoa do projecto. Mas a nossa equipa não deixa ninguém para trás. O lema é: ‘Se fazes parte dos nossos, estamos contigo até a morte’. E foi o que aconteceu. Preferiu-se matar a SuperFM do que desvirtuar o projecto ou perder um dos elementos. Foi uma decisão tomada em dois minutos.

Como se proporcionou o regresso?
Ao longo deste tempo, a equipa de rádio, direcção e locutores nunca se afastaram. Mantivemos sempre o contacto. Encontramo-nos em funerais, casamentos, baptizados. Somos amigos todos uns dos outros. E tivemos sempre a ideia de fazer renascer a rádio. Alguns deles desacreditaram e seguiram a sua vida. Eu não. Fui o mais infame. Durante 11 anos perpetuei a memória, a música, o site e dediquei-me à minha profissão que é fazer rádio para empresas. Há cerca de um ano lançamos a rádio online, e este foi o primeiro passo, depois de termos feito uma festa na praia com bandas conhecidas para comemorar os 10 anos de encerramento. Desta essa altura que a ideia do relançamento ficou mais clara. Foi um caminho muito natural.

Neste ano de preparação, sentiu algumas dificuldades ao longo do percurso?
Tudo é obstáculo, quando não se faz parte de um grupo económico e se tenta contornar isso. Estar onze anos à espera para fazer um projecto torna tudo ainda mais complicado. Depois há tanta rádio por aí – desculpe o termo – que não presta e que ninguém faz nada por aquilo. Há tanta gente que quer adoptar rádios e fazer projectos válidos, mas não têm hipóteses. Ter uma frequência de rádio é pior do que encontrar um pote de ouro no final de um arco-íris. No nosso caso, tivemos a sorte de ter uma empresa por trás que produz conteúdos da rádio a quem pedimos ajuda. Mas há sempre obstáculos de todas as formas e feitios. Dinheiro, pessoas, projectos ou licenças. Isso nunca vai deixar de existir.

O projecto está a correr como o previsto?
No primeiro dia de emissão nunca pensamos que íamos fazer a SuperFM que queríamos. Estamos no ar há um mês e meio, de maneira que ainda é preciso amadurecer. Começamos a dizer ao público que o nosso prime-time é das 20h às 22h, com a ‘Super-Eleição’ [apresentado pelo Rui Santos], onde os ouvintes escolhem a música que querem ouvir. Este programa é a montra da rádio. Lançamos um número de telefone e, no início, recebíamos apenas uma votação por dia. Estava a escapar-nos qualquer coisa. Na terceira semana, deixamos de usar o telefone e pedimos para que enviassem um e-mail. Aumentamos para quatro votações por dia. E aí percebemos que os ouvintes estavam escondidos. Ao fim de três semanas e meia, ligo o Facebook durante a emissão e escrevo ‘Bem-vindos à Super Eleição. Deixem os vossos comentários’. E de repente, numa hora, surgiram 149 comentários. Os ouvintes estavam ali ao lado, mas já não fazem telefonemas porque não têm telemóvel, não têm saldo, não o carregam ou não falam por telefone fixos. Cresceram e ficaram com vergonha. Não mandam e-mails, mas usam o Facebook. Agora, todas as noites, temos cento e tantos ouvintes a entrar em contacto connosco. Actualmente, temos cerca de 1200 fãs. O que corresponde a quatro vezes mais do que as outras rádios de nome que já cá estão há mais tempo. Sabemos ainda os fãs não têm menos de 18 anos (de 18 a 24 é apenas um por cento), sendo que 80 por cento dos ouvintes tem entre os 24 aos 44 anos. O público de agora é o mesmo que nos seguia há 11 anos. É um target muito específico: pessoas com cerca de 30 anos, licenciadas e com efeito saudosista. Sabemos exactamente para quem estamos a falar.

Estão a reconquistar o público que vos ouvia há 11 anos. Receiam não serem seguidos pelos mais jovens? No fundo, são a rádio de uma geração?
Naquela altura, a SuperFM tinha cerca de três por cento de share. Hoje, esses 180 mil ouvintes, punha-nos, pelo menos, a par com a TSF, em Lisboa. A primeira coisa que queremos é ir buscar quem nos ouvia. Mas sem desprimor para os novos, porque esses vão sendo aos poucos infectados pelo vírus. Mas não somos uma rádio jovem, somos a rádio dos jovens de há dez anos. Não queremos ir buscar a ‘geração Morangos com Açúcar’. Tenho filhas que gostam da rádio por associação do pai, só que depois vêem a Disney, a Hannah Montana e os Jonas Brothers. Aqui, não passamos essas músicas, porque a nossa geração não está à espera disso. Está é à espera de músicas que hoje já não se ouvem nas rádios. E depois há outras rádios que passam Jonas e estão direccionadas para outra geração.

O objectivo é repescar quem passou a ouvir rádios substitutas?
Ninguém passou a ouvir essas rádios. Alguns ouviam-nas apenas por associação e não porque se reviam nelas. Identificámos a existência dessa lacuna no mercado, pois entretanto não foi criada nenhuma rádio parecida com a SuperFM. Há 10 anos, existiam músicas que até a minha mãe rezava se ouvisse aquilo. Hoje, essas músicas tornaram-se mainstream. Não parecem tão fortes como naquele tempo. A SuperFM não é uma rádio de música pesada, mas passa rock nas suas diferentes variantes. Através das mensagens que nos deixam nas redes sociais, as pessoas confessam que já não ligavam a rádio em casa há anos, mas que agora voltaram a fazê-lo. É um bom sinal saber que estamos a provocar este fenómeno.

Como explica essa falta de ligação entre as rádios e os ouvintes?
Devido ao facto de as rádios estarem formatadas. Seguem-se pelos estudos que dizem que os ouvintes são todos iguais. Comem e bebem as mesmas coisas. Penteiam-se da mesma maneira só porque são jovens, com cerca de 35 anos, licenciados, de classe B, nascidos em Lisboa. Isso é mentira. Estas pessoas tanto podem gostar de metal ou de pop, tanto podem ser louros como morenos, gays como heteros. Não podem ser todos postos na mesma redoma. Queremos demonstrar com instinto e feeling que isso não é bem assim. Por exemplo, os U2 têm cerca de 50 músicas. Porque as rádios só passam três? As pessoas que fizeram esta romaria aos bilhetes dos U2 [actuam em Portugal em Outubro de 2010] querem ouvir as 50 e estão fartas da ‘Beautiful Day’.

As novas tecnologias também ditaram esse afastamento?
De certa maneira. A rádio perdeu 400 mil ouvintes em dois anos. Mais de 30 por cento, por causa do CD. A rádio está fora de moda. As pessoas fizeram as suas próprias playlists e compilaram-nas. Começaram a perder referências porque as rádios parecem todas estupidamente alegres. Só a ouvem no carro e é porque está ali à mão. Ouvem as notícias e depois desligam. O que elas querem é serem tratadas como seres humanos e como pessoas que fazem escolhas. Portanto, se alguém se enganar na rádio até é bom, porque os ouvintes vão identificar-se com isso. Por isso resolvemos também fazer a nossa playlist, não temos temas pré-definidos. É mais vasta e desalinhada, enquanto outras podem ser muito reduzidas. Algumas das músicas que a compõe têm origem das músicas pedidas durante a ‘Super Eleição’. Uma espécie de discos pedidos. Não teria lógica se nos fechássemos e manietássemos

Este projecto começou por ser a Rádio 98 (no Montijo, 106.2, de 91 a 94), depois SuperFM (no Barreiro, 96.2, de 95 a 98) e no último ano muda de frequência para 95.3. Com tanta instabilidade, acredita que o novo projecto conseguirá viver mais tempo?
Não sei. Não sei se amanhã me acontece alguma coisa. A equipa vai tentar que dure mais do que os três anos. Está empenhada nisso. Agora não posso dizer que isto vai ser muito bom, que vamos ser nacionais e que vamos conseguir ter milhões de euros. A rádio é a frequência local de Alcochete, uma terra com 16 mil habitantes. Por agora, não podemos ir para onde queremos porque a nossa frequência tem apenas um quilo de potência. A RFM, em Lisboa, tem 50 quilos. Durante estes 11 anos, se não mantivesse na minha cabeça a ideia de que era possível chegar aqui, nunca saberia que este ano, às 21h09, estava a cumprir o sonho. Se tivermos audiência e se os patrocinadores começarem a injectar dinheiro na rádio, os 80 mil euros de investimento e mais o resto que custa todos os meses vão ser diluídos em breve e haveremos de ter sucesso. Mas isto é futurologia.

Se o projecto tiver de terminar, haverá de novo uma manifestação de ouvintes à porta dos estúdios contra o fecho da rádio, como aconteceu há 11 anos?
Hoje ainda não. Se fosse por causa de ser um mau projecto, ninguém cá vinha. No entanto, se houvesse alguma coisa que nos impedisse de continuar ou se alguém nos quisesse fazer mal, garanto que estariam aqui bandas e pessoas. Disso não tenho dúvidas.

A música nacional vai continuar a ser uma das grandes apostas?
Essa é a nossa grande bandeira porque continuamos a defender o que é nosso e a ajudar as bandas portuguesas a singraram. Esse é o papel das rádios. Se as outras não o fazem, têm de o fazer. E isto funciona também no sentido inverso. A banda inglesa Silence Film esteve cá, mas não tinha guitarras. Telefonei aos Alcoolémia, emprestaram-nas, e isso permitiu com que o grupo actuasse aqui.

Diz que “há vida na rádio para além da antena”. Porque vinculam a imagem de uma rádio de rua e não de uma rádio de estúdio?
A questão é mesma essa. Já não há rádios na rua, as pessoas já não as conhecem. Queremos criar ideias e sair daqui, através de happenings, live-acts, promoção de concertos. Pretendemos ganhar estatuto porque fizemos algo diferente. Temos ideias parvas, loucas e outras brilhantes. Mas é preciso fazer tudo com os pés assentes na terra. Sempre.
 
Pode contar-nos?
Silêncio. O segredo é a alma do negócio.

Joana Tavares
(Esta entrevista foi realizada em meados do mês Novembro do ano passado, pouco tempo depois do inicio das emissões da Super FM)