Número total de visualizações de página

sexta-feira, dezembro 31, 2010

FELIZ ANO NOVO!!!



A Raia Diplomática deseja um próspero Ano Novo a todos os seus amigos e verdadeiros fãs, e que 2011 seja um ano de concretização de sonhos e de projectos.

As actualizações do blogue e da página do facebook da Raia Diplomática regressam no dia 6 de Janeiro.

quinta-feira, dezembro 23, 2010

BOAS FESTAS


A Raia Diplomática deseja aos seus fãs e amigos um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo !!!

quarta-feira, dezembro 22, 2010

FLORISA DIAS É A VENCEDORA DO PRÉMIO RAIA DIPLOMÁTICA 2010




O presente ano foi muito complicado para o projecto Raia Diplomática, que fazendo uma comparação com o estado de saúde de um paciente esteve praticamente todo este tempo em "estado de coma".

Para permanecer em "vida" foi criada a nossa página no facebook em ligação com o nosso blogue.

Desde já quero agradecer a ajuda de todos os nossos fãs e amigos que permitiram persistir, e muito possívelmente para a próximo ano vamos sair do "coma", embora as dificuldades vão continuar a ser muitas.

Florisa Dias destacou-se  no espiríto de pertença à Raia Diplomática.

Foi uma militante incansável a promover e a divulgar a página da Raia Diplomática no Facebook, convidando amigos, acompanhando de perto a nossa actividade através dos seus comentários e partilhando a nossa informação, de forma voluntária e descomprometida.

O Prémio Raia Diplomática 2010 é um reconhecimento mais do que justo à Florisa Dias, que será entregue em data a anunciar posteriormente, em Lisboa, a quando do lançamento oficial do website da Raia Diplomática.

Maria Florisa Ferraz Dias Candeias, nasceu no dia 14 de Agosto de 1946 em Torres vedras.

Artista e voluntária que transmite a sua visão "naif " ao mundo.

Mariazinha, Flor, Isa ou Florisa é como lhe chamam. É uma pessoa que se expressa numa linguagem espontânea sendo considerada pelos amigos uma mulher extremamente simples e criativa. Faz questão de referir que queria ter tido irmãos para brincar e partilhar a sua infância, mas como não foi possível, é com grande orgulho que diz ser mãe de cinco filhos.

Podemos chamá-la de artista autoditata que desde nova começou a pintar as paredes de casa da sua saudosa mãe. A pouco e pouco com tantas pinturas, já não havia espaço nas paredes mudou-se para o jardim desenhando as flores em papel.

Mais tarde, apesar de não ter tido formação no campo das artes, começou a pintar em porcelana, em telas, em tecidos, dando cor não só a objectos mas também às pessoas que a rodeavam e que desejavam aprender a pintar. Tem uma colecção de peças únicas da sua autoria que gosta de espalhar pela casa da familia e dos amigos.

Dada a sua capacidade de comunicação, proveniente da veia artística é também voluntária, dedicando-se a ajudar o próximo, acreditando desde sempre, como ela própia diz que "só a amizade é capaz de unir os Seres Humanos".









terça-feira, dezembro 21, 2010

LANÇAMENTO DO WEBSITE DA RAIA DIPLOMÁTICA

Em 2011 vai ser lançado oficialmente o website da Raia Diplomática.

AQUALOGUS AJUDA A DUPLICAR O POTENCIAL ENERGÉTICO NACIONAL



O projecto para as barragens do Alto Tâmega, que integra a pacote do governo destinado a duplicar o potencial energético português, é actualmente o principal desafio da Aqualogus. A empresa, que se especializou em projectos de engenharia hídrica, investe agora no Norte de África.

Nascida em 1996, a Aqualogus dedica-se a projectos de engenharia ambiental, sobretudo ligados a recursos hídricos. Actualmente, a empresa é responsável pelos projectos de duas das quatro barragens que vão ser construídas no Alto Tâmega (Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões) pela Iberdrola, e que fazem parte do Plano Nacional de Barragens.

“Apenas as quatros barragens que vão ser construídas no Alto Tâmega vai aumentar em 10 por cento a actual produção de energia eléctrica”, explica Pedro Sá Frias, engenheiro civil e presidente da Aqualogos.

O projecto governamental que prevê a construção de oito albufeiras até 2018 tem suscitado debate, sobretudo depois de um relatório da Comissão Europeia ter duvidado da sua necessidade e referido o impacto ambiental que traria. O governo refuta as críticas ao projecto que, juntamente com outros já em andamento, prevê duplicar a produção de energia eléctrica até 2020, ano em que Portugal deverá ter 31 por cento de energia a partir de fontes renováveis, a quinta meta mais ambiciosa da União Europeia.

Para Sá Frias, este investimento é fundamental, até para os portugueses deixarem de diabolizar as albufeiras. “Há 40 anos atrás, construíram-se muitas barragens. Quando se começou a dar mais atenção ao ambiente, apercebemo-nos dos impactos negativos e, do meu ponto de vista, exageramos, vendo apenas os malefícios. Hoje, continua a crescer o consumo energético mas os combustíveis fósseis são limitados, além de que têm muitos custos para o ambiente, pelo que se está novamente a investir na hidroelectricidade, tal como noutras energias renováveis”, explica.

A Aqualogus foi uma das empresas que esteve envolvida na construção da barragem do Alqueva e ainda hoje continua a trabalhar nos projectos de canais e condutas para levar a água aos campos de cultivo alentejanos, pois, como afirma o empresário, “para irrigar 110 mil hectares é preciso fazer muita obra a jusante da própria barragem do Alqueva”.

O engenheiro nega as críticas que se ouvem ao projecto afirmando que já é notório o seu impacto, e será cada vez maior: “Há muitos agricultores beneficiados com a rega, os preços dos terrenos dispararam, e o impacto será cada vez maior. A conclusão do projecto do Alqueva estava previsto para 2025 e neste momento o objectivo é 2012”.

Golfinhos no Tejo

Conhecedor dos recursos hídricos nacionais, Pedro Sá Frias assegura que situação actual é muito melhor do que a existente há uns anos. “Daqui a 10 anos, os golfinhos podem voltar ao Tejo”, assegura, referindo-se ao trabalho que sem sido feito para despoluir o rio ibérico.

A evolução, diz, é resultado do trabalho que tem sido feito para que as pessoas compreendam que a água é um recurso de todos: “Hoje, mesmo quem tem um poço tem de pagar pelo uso da água porque se concluiu que a pessoa é dona do poço mas não do recurso hídrico. Até há pouco tempo não era assim”.

O presidente da Aqualogus recorda o estudo que uma empresa lhe pediu para saber se ficava mais barato mandar as água poluídas para os esgotos, para depois serem tratadas pelo ETAR (Estação Tratamento Águas Residuais) pública, ou construir uma na própria empresa, pagando menos em impostos. “A taxa de mandar as águas sem qualquer tratamento era tão alta que concluímos que ficava muito mais barato a empresa construir a sua própria ETAR”, recorda.

Aposta no Norte de África

Para além de Portugal, a Aqualogus desenvolve projectos noutras zonas do globo, com especial enfoque para os países africanos de língua portuguesa, sobretudo Angola, onde foi responsável pelos projectos do Centro Logístico e Distribuição de Huambo (semelhante ao MARL - Mercado Abastecedor da Região de Lisboa) e dos supermercados NossoSuper e concorre actualmente ao plano da bacia hidrográfica da província do Lubango.

Contudo, a maior aposta internacional da empresa é o Norte de África, uma região que o empresário conhece bem dos tempos em que viveu quatro anos em Marrocos ao serviço da Hidroeléctrica Portuguesa, empresa que deixou com dois colegas para criar a Aqualogus.

Sabendo da necessidade dos países do Norte de África em criarem infra-estruturas e com a sensibilidade que Pedro Sá Frias desenvolveu para fazer negócios nestes países, a empresa tem investido na região e a aposta parece ganha. Actualmente, está a desenvolver projectos na Argélia, Líbia e Marrocos.

Questionado sobre se sente que a Aqualogus seja prejudicada em projectos internacionais, devido a ser uma empresa portuguesa, Sá Frias nega imediatamente. “No Norte de África até sinto que beneficiamos do nome Portugal, vêem-nos como um país com laços históricos comuns – eles já estiveram cá, nós já estivemos lá. Na Líbia, por exemplo, simpatizam connosco porque não nos vêem nem como aliados de Israel nem dos Estados Unidos”, conta.

Aqualogus aposta na qualificação

Com cerca de 50 funcionários - entre engenheiros de várias áreas, biólogos e administrativos - o crescimento da Aqualogus tem sido sempre ascendente. Crescimento assente sobretudo na qualidade dos seus quadros, diz o presidente da empresa, Pedro Sá Frias: “O nosso objectivo é sermos competitivos e fazermos as coisas com qualidade. Para isso, temos de ter os mais qualificados. Estou convencido de que uma pessoa que saiba fazer as coisas bem feitas tem de ganhar mais mas também é mais produtivo”. Nos últimos cinco anos, a facturação da Aqualogus tem aumentado 40 por cento todos os anos. Em 2009 esperam facturar 4,5 milhões de euros.

Irina Melo, Jornalista

sábado, dezembro 18, 2010

APRESENTAÇÃO DO LIVRO "TODOS OS PORTOS A QUE CHEGUEI"


O livro "Todos os Portos a que Cheguei" da autoria do jornalista Pedro Vieira, sobre o ultimo governador de Macau, o General Rocha Vieira, terá lugar no dia 20 de Dezembro, às 18h30, na Sala Luís de Freitas Branco do Centro Cultural de Belém, na Praça do Império, em Lisboa.
A obra será apresentada pelo Professor Doutor João de Deus Pinheiro. 

Sinopse: “A memória dos portugueses guarda a imagem de Vasco Rocha Vieira com a bandeira nacional colada ao peito em 19 de Dezembro de 1999, a poucas horas da transição de Macau para a China”, lê-se. “No entanto, a história teria sido diferente se, em 1996, o recém-eleito Presidente da República, Jorge Sampaio, tivesse nomeado um novo governador para o território, como inicialmente parecia ser a sua intenção”.

As referências a Sampaio (que curiosamente tb está a escrever as suas memórias sobre Macau...) deixam adivinhar revelações ou serão apenas um 'isco' de marketing para um período de venda de livros com muita concorrência? Uma coisa é certa haverá muita curiosidade em saber o que Rocha Vieira tem para dizer sobre que temas polémicos como a Fundação Jorge Alvares, a relação com a imprensa (lá e cá), as transferências quadros da função pública... a última bandeira da administração portuguesa de Macau.

“Habitualmente discreto e reservado, decidiu, finalmente, quebrar o silêncio”, pode ainda ler-se na sinopse.

A editora é gerida pelo seu antigo assessor cultural em Macau, Guilherme Valente. A escrita esteve a cargo do jornalista Pedro Vieira.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

ASSUMIR RISCOS



Os objectivos de Bruno Caldeira vão além-fronteiras: o empreendedor não quer confinar a revista Raia Diplomática a Portugal.

Bruno Caldeira, 32 anos, está em Santiago de Compostela, na Mediasiete, no único semanário gratuito da capital da Galiza (em língua castelhana), que foi lançado em 2007. Na empresa, ocupa as funções de "project manager" para um segundo produto editorial.
 
A Raia Diplomática é o primeiro produto do projecto Victrix Media Consulting, que quer desenvolver uma nova forma de pensar e de agir na área da comunicação global, institucional e pessoal.

Aquela que é a "primeira revista portuguesa de actualidade internacional", segundo Bruno Caldeira, foi lançada no ano passado, tendo sido distribuídos 30 mil exemplares como suplemento do "Diário de Notícias" para a região da Grande Lisboa.

"Segundo dados do próprio DN, a edição desse dia ficou tecnicamente esgotada na Grande Lisboa", comenta.
 
Apesar da inovação em termos de publicidade, Bruno Caldeira confessa que as agências de meios foram pouco receptivas. "Precisava de mais tempo e de mais financiamento, o que não veio a acontecer."
 
Contactou a Inovcapital e o programa Finicia, mas sem sucesso. "Em suma, os programas de apoio ao empreendedorismo jovem em Portugal são uma nulidade", desabafa.
 
Entre Maio e Junho, chegou a aprovação da Comissão Europeia e Bruno Caldeira rumou a Espanha.
 
Pela sua frente, tinha um estágio de seis meses. "Já desenvolvi o plano de negócios e, a partir da próxima semana, iremos iniciar a concepção da 'edição zero' para avaliar a receptividade das agências de meios e das empresas galegas ao projecto."
 
A Raia Diplomática permanece em execução através de um blogue e das redes sociais Facebook e Twitter.
 
Em Fevereiro, vai lançar o "site" na capital da Galiza e, em Setembro, a versão inglesa.
 
Bruno Caldeira está a aprender como funciona uma jovem PME galega na área da comunicação e a conhecer cultural e politicamente a região da Galiza.
 
No próximo ano, a Raia Diplomática vai organizar o "I Congresso Diplomático da Lusofonia", em Santiago de Compostela, em parceria com a Academia Galega da Língua Portuguesa e o Instituto Cultural Brasil - Galiza. "Se não estivesse em contacto com uma nova realidade, estes projectos que mencionei continuariam na 'gaveta'", diz. Quando "descobriu o programa, achou-o interessante. Porquê? Porque ajudaria a evitar erros estratégicos e de gestão.
 
Mais: poderia comparar os comportamentos empresariais entre Portugal e Galiza, adquirir mais conhecimento na área da comunicação e encontrar no empresário de acolhimento um futuro parceiro de negócios. Apesar das vantagens, admite que é muito burocrático e que deveria existir maior intervenção para o estabelecimento de relações com os empresários de acolhimento. E deixa uma sugestão: porque não fazer o estágio em duas empresas de diferentes estados-membros? Quanto ao futuro, Bruno Caldeira confessa que não sabe se vai estabelecer-se oficialmente em Portugal.
 
"A vantagem das novas tecnologias é que permitem trabalhar em qualquer lado." Não quer confinar a Victrix Media Consulting e o produto editorial Raia Diplomática ao espaço geográfico português.
 
Vai abrir a sua mente para a globalização e internacionalização, regional ou intercontinental. "Ser empreendedor é ter responsabilidades, assumir riscos, senão seriamos todos empresários", conclui.
 
in Jornal de Negócios do dia 02 de Dezembro 2010

terça-feira, dezembro 14, 2010

DESAFIOS IBERO-AMERICANOS



Entre el 29 de noviembre y el 1 de diciembre se reúne en la hermosa ciudad de Estoril la XIX Cumbre Iberoamericana de Jefes Estado y de Gobierno.

Tengo la satisfacción y el privilegio de haber estado en todas las Cumbres Iberoamericanas. Si me hubieran dicho en la primera de estas reuniones de alto nivel --la que celebramos en Guadalajara (México) allá por el año 1991-- que se producirían diecinueve Cumbres sucesivas con la presencia de los Jefes de Estado y de Gobierno, lo habría puesto en duda. Y, sin embargo, así ha ocurrido. Eso significa que este esfuerzo se cimenta en raíces profundas que son, a la vez, un activo propio para la construcción de un futuro compartido. Raíces de este grupo de naciones que comparten tantas cosas: valores, tradiciones e historia, pero, también, migraciones, inversiones, turismo y respeto a nuestro origen mestizo de pueblos originarios, afrodescendientes e ibéricos

Quisiera referirme a trescuestiones. En primer lugar, a las repercusiones generales de la crisis en América Latina. En segundo lugar, al por qué la Cumbre ha elegido como tema central la innovación. Y por último, a cómo Iberoamérica puede aprovechar de cara al futuro la actual coyuntura y los desafíos que nos plantea la crisis.

Con respecto al primer punto, todos sabemos lo que significa esta crisis global profunda, cuya magnitud ha escapado a la capacidad de anticipación de los expertos.

Todos sabemos también sobre quién recaen las responsabilidades. Aquí lo que ha habido fundamentalmente es una creación de liquidez abundantey barata que ha conducido a la especulación y a la burbuja inmobiliaria . En algún momento surgieron los graves problemas que conocemos y que han puesto de manifiesto que el mercado no se autorregula en todos los casos. Al producirse la crisis quedó, además, patente la falta de una supervisión y regulación adecuadas, tanto del propio sector privado como de las instituciones internacionales. Quizá esa es la lección más importante que nos ha dejado la crisis.

La reacción mundial --de los Gobiernos, de los bancos centrales, de las tesorerías—ha sido rápida, y eficaz., sobre todo si establecemos comparaciones con los años treinta., Así como fue imprevisible la crisis, también nos está sorprendiendo la salida de ella. Si nos hubieran dicho en mayo del año pasado que hoy estaríamos con estos brotes verdes --que ya son más que brotes en algunos países y en algunas instituciones--, quizá lo hubiésemos puesto en duda.

En general, el mundo está saliendo de la crisis; algunos países antes que otros. Pero hay elementos que valdría la pena no perder de vista. Nos queda el problema del desempleo: la recuperación no viene acompañada de creación de empleo suficiente para dar trabajo a la gente. Nos deja además un problema muy serio de fiscalidad, sobre todo en los países desarrollados, tan comprometidos con el estado del bienestar y con el envejecimiento de la población venideros. Y deja a los países un problema muy grande de endeudamiento. Estos tres elementos no pueden ser soslayados, ya que nos avisan de que la vuelta a la normalidad será un proceso largo. La crisis nos deja, además, grandes desequilibrios en la economía mundial que serán difíciles de corregir. Desequilibrios que están generando enormes obstáculos para poner la economía en funcionamiento sin que se produzcan efectos no deseados sobre las mismas.

¿Cómo se proyecta todo esto sobre nuestra América Latina? El impacto lo hemos vivido. Al principio sufrimos la caída de las materias primas y tuvimos un problema muy serio con la contracción de las remesas. Setenta mil millones de dólares en remesas es mucho dinero, y este año la cifra va a caer un quince por ciento. Diez mil millones de dólares menos en el bolsillo de la gente pobre. También se nos cayó el turismo. Pero, a pesar de todo, la región, en su conjunto, capeó bien el temporal. Debemos distinguir al respecto dos grandes subregiones: la de Panamá para arriba, que tiene una relación muy estrecha con el ciclo norteamericano, y la Panamá para abajo, muy vinculada al ciclo asiático. Aquí las cosas han funcionado mejor, porque una economía como la china, con un crecimiento del ocho por ciento, sigue comprando, y los precios no se nos han desplomado como en los años treinta. Esto hace que, de Panamá hacia el sur, muchos países estén saliendo de la crisis sin haber pasado por la recesión. Estoy pensando en Perú, en Uruguay, en Chile…

¿Qué otros factores explican que hayamos soportado mejor la crisis? Yo opino, en primer lugar, que América Latina aprendió a manejar la economía. La gestión macroeconómica en Latinoamérica es hoy, con excepciones, mucho más profesional que nunca. Además, fuimos capaces de acumular reservas durante la época de la gran bonanza, en el primer quinquenio de esta década. Y hemos sido también conscientes de algo muy importante: la solidez del sistema bancario. La banca latinoamericana no ha sufrido los problemas que han atravesado los bancos de los países más poderosos. Y ello ha sido así porque tenemos una banca más eficaz y competitiva, que no cayó en la dependencia de los activos tóxicos ni se embarcó en las grandes aventuras con derivados que, en su exageración, condujeron a la crisis.

De manera que, todo eso junto, dio lugar a la existencia de una capacidad mucho mayor de respuesta. No olvido que muchas empresas latinoamericanas resultaron afectadas también por la caída del crédito internacional. Empresas que comenzaron a endeudarse en Estados Unidos, sobre todo, vivieron en el cuarto trimestre del año pasado un momento bastante difícil. Pero ya están saliendo del túnel. Creo que la región --sobre todo, como dije, de Panamá para abajo-- ha capeado el temporal mucho mejor de lo que hubiera hecho diez o quince años atrás. Los errores y los aciertos de la década de los 90 nos sirvieron para aprender a manejar un poco mejor las cosas, y esto merece ser destacado.

Nos quedan problemas, por supuesto. A corto plazo, uno cada vez más presente en la agenda de los Gobiernos: los grandes desequilibrios mundiales de liquidez. Existe un intenso flujo de capitales a corto plazo y de inversiones que están provocando un impacto muy alto en los tipos de cambio. Esta valorización del tipo de cambio se ha convertido en un dolor de cabeza para muchos de nuestros países, situación que no es fácil de administrar.

Éste es, en suma, el panorama: problemas globales a nivel internacional y problemas locales en una región que ha mejorado su capacidad de defensa, pero que tiene que hacer más y mejores deberes de los que ha venido haciendo.

Este año, Portugal tuvo la excelente idea de proponer que los Gobiernos discutan el tema de la innovación. La innovación y el conocimiento. Dos asuntos centrales que van a marcar el espíritu de esta Cumbre de Estoril.

Si algo sabemos con certeza es que el mundo que viene no será como el que dejamos. Todo será distinto: la sociedad, la economía, las relaciones internacionales. No digo que se vayan a producir los cambios dramáticos que sucedieron en los años treinta. Está en marcha un nuevo modelo económico, relacionado, en primer lugar, con la consolidación de las economías emergentes. Hoy día, ningún país del mundo, por fuerte que sea, puede por sí solo resolver los fuertes desequilibrios internacionales o regir las finanzas internacionales. Los países desarrollados tienen que compartir hoy la mesa con los nuevos estados emergentes: China, India, Brasil, México, Rusia… Eso significa que el poder económico mundial va a ser mucho más compartido de lo que lo fue nunca.

Este escenario exigirá una altísima capacidad de competencia. Va a ser un mundo muy competitivo y, que requerirá una mayor productividad. Lo único que no podremos exportar es ineficiencia, y en este aspecto tenemos una lección importante que aprender.

Pienso también que tendremos una mayor presencia de políticas públicas. Si es así, debemos dotarnos de un mejor Estado, porque el que tenemos, y estoy hablando de nuestra región, no resulta suficiente para atender las demandas de más peso en la conducción de la economía.

Y creo además que debemos crear un nuevo modelo de negocio. Aquí es donde aparece el tema de la innovación. Yo hablaría de innovación en dos grandes áreas: para la creación de una nueva estructura financiera internacional y para proporcionar a las economías competitividad con el fin de adaptarse al mundo que viene.

La transformación de la arquitectura financiera se produce cuando las cosas están realmente en caliente. Una vez se van arreglando, resulta muy difícil que exista la voluntad política para llevar adelante una reforma. Esta vez el buque partió en la reunión del G-20 en Washington, aunque albergo algunas dudas de que el clima de cambio que prevaleció en ese encuentro y luego en Londres se mantenga en adelante. Me da la impresión de que se ha enfriado un poco. Puede ser una sensación térmica, pero tengo la experiencia de que, cuando mejoran las nuevas condiciones económicas, la voluntad de cambiar se debilita. Espero que esto no ocurra. El mundo debe avanzar hacia un orden internacional que reconozca el peso relativo de los países emergentes en la construcción económica, con nuevos sistemas regulatorios y, ciertamente, nuevos sistemas de supervisión, y con el fortalecimiento, , del Fondo Monetario Internacional. No hay otra alternativa que otorgar al Fondo el papel de gran banquero central del mundo. Hay que reforzar, además, a los Bancos de Desarrollo y, en este sentido, si hemos hecho tanto por rescatar a la banca privada, debemos dotar a los Bancos de Desarrollo (estoy pensando en el BID y en el Banco Mundial) de recursos para ayudar a los países a salir de la crisis y, sobre todo, a competir en los mercados internacionales.

Tendremos que ver cómo armamos el nuevo multilateralismo. El G-20 se ha convertido en una realidad dinámica, pero hay que darles alguna forma de cabida a los demás países para que se sientan participantes en un mundo que pertenece a todos. Es un asunto complejo. Nadie puede ignorar la importancia de que un grupo de países que representa el ochenta y cinco por ciento de la comunidad mundial esté funcionando como tal, pero hay que buscar alguna manera de involucrar a la totalidad de los Estados, y ahí entran algunas iniciativas que están en marcha.

La primera innovación va por ese camino: el de la construcción de los procesos económicos internacionales. La segunda se refiere a los modelos de desarrollo. Si miramos para atrás, ¿sobre qué ha reposado el modelo en América Latina? Sobre materias primas baratas y mano de obra barata. Eso ha dado lugar a un crecimiento económico, pero no de alta calidad; el crecimiento de alta calidad se produce si somos capaces de sumar a las materias primas abundantes y a la mano de obra abundante una mayor cualificación del trabajo para poder ofrecer mayor competitividad, mejor inserción en las cadenas internacionales de valor , mejores salarios y niveles de vida. Es ahí donde nace la necesidad de innovar. Innovar en un sentido --y la Cumbre Iberoamericana lo entiende así-- que va más allá de la introducción de elementos técnicos; innovar en el sentido de efectuar cambios de procedimientos, de estructuras empresariales, de modelos de organización, de formas de abordar el comercio internacional… En fin, un concepto global de innovación,que incluye innovar en el sistema de la gestión pública. Hay que introducir nuevos criterios para la asignación de los recursos en materia de salud o de educación. La innovación entendida como un cambio, apoyado en el conocimiento, en la manera de hacer las cosas. Por eso la Cumbre trata de innovación y conocimiento.

Para llevar adelante este esquema hay que tejer una alianza entre los tres grandes actores: el Estado, la empresa privada y losambitos académicos . Dicha trilogía es la que va a dar la respuesta a los desafíos, y sobre ese principio estamos asentando, los trabajos de preparación de nuestra Cumbre, que tiene lugar unos días antes de la gran reunión mundial sobre Cambio Climático en Copenhague..

El último punto al que quiero referirme es a Iberoamérica, como región, como Comunidad, en este contexto. Hoy lo soy más Creo que América Latina tiene ante sí una gran oportunidad de llevar adelante un cambio profundo y conseguir un papel relevante en el panorama internacional.

El ingreso de Asia al comercio mundial nos ha transformado el escenario a todos, pero muy particularmente a América Latina. Somos países productores de alimentos, poseemos el quince por ciento de las tierras fértiles del mundo, somos productores muy importantes de todo tipo de energía, tenemos metales, albergamos el treinta y cinco por ciento del agua potable del mundo… La providencia nos ha dotado con una formidable base natural que hoy se está revalorizando por ese segundo piso, como suelo decir , que le pusieron China e India a la economía mundial. En ese segundo piso tenemos mucho que ofrecer. Tenemos una capacidad de gestión macroeconómica de la que carecíamos hasta ahora. Tenemos, además, posibilidades de inversión grandes que merecen ser conocidas. Eso es Iberoamérica hoy. Cuando hablamos de América Latina y la Península Ibérica nos referimos a un PIB similar al cuarenta por ciento del de los Estados Unidos , De modo que Iberoamérica cuenta hoy con un poder económico y un mercado interno considerables. En ese mercado interno existen oportunidades de inversión realmente formidables: en infraestructuras, en energía, en los transportes… La elección de Río de Janeiro como sede de los Juegos Olímpicos en 2016 resulta en ese sentido de enorme trascendencia por las inversiones espectaculares que generará. Creo, que estamos ante una magnífica oportunidad, y eso nos obliga a pensar en cómo la aprovechamos. Hay deberes pendientes en América Latina. Ya mencioné uno, que es la reforma del Estado. Tenemos también el reto de la formación: incorporar el conocimiento al proceso productivo y dar a las pequeñas y medianas empresas la oportunidad de mejorar su productividad. Asimismo ,debemos aprovechar un elemento dinámico en Iberoamérica: las empresas multilatinas. Es importante reconocer la capacidad que han adquirido las empresas iberoamericanas para organizarse y jugar un papel significativo en la economía internacional.. Esa toma de conciencia de la necesidad de estructuras empresariales organizadas, potentes y dinámicas representa un importante capital.

Creo que el proceso de recuperación está en marcha, aunque va a durar por la persistencia de algunos elementos ya mencionados, como el desempleo, la fiscalidad o el endeudamiento. Pero lo que más me preocupa son los grandes desequilibrios de la economía mundial. Algo hay que hacer en esta materia, y sé que ahí existen enormes dificultades. Los países desarrollados seguirán con tipos de interés bajos, mientras que nosotros iremos hacia un interés más alto. Esto generará perturbaciones importantes por el destino de los flujos financieros. Gestionar esta situación no es fácil. Por tanto, los desequilibrios financieros internacionales constituyen un desafío importante para los años venideros.

En América Latina tenemos que afrontar muchos problemas, pero la oportunidad está ahí, presente. Iberoamérica debe ser consciente de que es una Comunidad con un enorme potencial y de que, en el mundo que viene, los países que la conforman cuentan con un marco para poder actuar juntos. Espero que no perdamos la oportunidad y que la Cumbre de Estoril nos brinde la ocasión para reflexionar y poner en marcha un auténtico proceso de innovación en nuestras naciones.

Enrique V. Iglesias, Secretário General IberoAmericano

(Este texto fue escrito en exclusidad para la edición cero de revista Raia Diplomática)

domingo, dezembro 12, 2010

PRÉMIO RAIA DIPLOMÁTICA 2010



No próximo dia 22 de Dezembro será revelado o nome da personalidade que mais se destacou na promoção da Raia Diplomática, de uma forma descompremetida e voluntária.

Na apresentação oficial do website da Raia Diplomática, em Lisboa, será entregue esse prémio (não pecuniário), cuja data será divulgada posteriormente.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

PASSEIOS EM NOVA IORQUE

A denominada “cidade que nunca dorme” vai para além das visões cinematográficas a que fomos habituados. Nova Iorque é mais do que qualquer olhar que possamos dar, tal é a sua capacidade de resposta à diversidade.

Nova Iorque pode ser considerada a cidade mais multicultural do mundo. Desde a altura em que era uma colónia, que atrai imigrantes de vários continentes, o que lhe foi concedendo uma composição populacional muito diversificada, espelhando-se numa vida muito própria.

Na descoberta da cidade, encontramos uma série de bairros étnicos, mas também a possibilidade de desfrutar de um espaço totalmente cosmopolita nova-iorquino ao lado de um restaurante coreano, seguido de um italiano. Esta capacidade de resposta diversificada sente-se não só nesta junção de diversos mundos culturais, mas também na integração de espaços verdes num espaço, tendencialmente, urbano.

Além do Central Park, numa visita pela cidade, encontramos pequenos jardins perto de zonas residenciais ou espaços criados em que as pessoas podem usufruir de algum tempo livre. É o caso do “High Line Walk”, no Meatpacking District, que atravessa alguns quarteirões da cidade, criando quase a ideia de um jardim elevado, com alguns espaços para as pessoas pararem, conversarem, lerem, com janelas que criam paisagens construídas pelas ruas paralelas. Esta ideia de proporcionar lazer e bem-estar, permite a uma cidade enorme, respirar. O Central Park é o mais escolhido, tanto pelos habitantes, como pelos turistas. Este é o local predilecto para passear, praticar desportos, fazer piqueniques e apanhar sol, sendo um parque cheio de vida, principalmente nas estações estivais.

A Nova Iorque de hoje é a junção de diversas comunidades - Queens, Bronx, Brooklyn e Staten Island foram fundidas com a Ilha de Manhattan, em 1898. As cinco cidades foram, na altura, ligadas através de pontes, como é o caso da ponte de Brooklyn, cuja travessia, a pé, acaba por ser uma opção para os turistas, principalmente no Verão. Contudo, Manhattan continua a ser o centro de Nova Iorque, onde a aposta no turismo é avassaladora.

Para muitos, a cidade de Nova Iorque é “sinónimo” de “shopping”. O apelo ao consumo é bastante intenso, mas, de facto, a cidade não se resume a isto, mesmo que seja aqui que se ditam as modas. Até nisso há diversidade: a loja da Prada é um dos sítios mais visitados pelos turistas, na Prince Street. Esta loja foi desenhada por Rem Koolhaas, autor também da Casa da Música, no Porto, sendo comum encontrar lojas desenhadas por arquitectos. O Soho é dos locais mais “trendy” actualmente, mas a escolha pode passar também pela Broadway, mais comercial, ou ainda pela Fifth Avenue, numa versão mais sofisticada.

Por outro lado, Nova Iorque é um dos maiores centros culturais do mundo. Dança, teatro, artes plásticas, música - a oferta é imensa. A cidade é a origem de muitos estilos, nomeadamente na música. Aqui encontramos salas emblemáticas, como o Carneggie Hall, com óptima acústica.

Muitos artistas vivem em Nova Iorque. Em cada esquina encontramos um ateliê ou uma galeria de arte. Mas para arte exposta em grandes espaços museológicos, a resposta é o Metropolitan Museum of Art, com mais de dois milhões de obras, parecendo que entrámos num livro de história de arte, ou o Moma e o Guggenheim, especializados numa estética moderna. As livrarias obrigatórias são a Barnes & Noble, na Fifth Avenue, e a Strand Bookstore, para livros usados.

Muitos turistas procuram também o desporto. Aqui dominam o basebol, o basket e o ténis, com a realização do US Open, um dos maiores torneios a nível mundial.

Em Manhattan situa-se o centro económico da cidade, é onde encontramos a Nova Iorque do cinema e do turismo: Wall Street e o Empire State Building estão na lista de locais imperdíveis para quem visita a cidade pela primeira vez. Para quem a visita regularmente, poderá adoptar a cultura de andar a pé, muitas vezes a opção mais escolhida pelos nova-iorquinos. Ao caminhar pelas ruas, encontram-se muitas vezes novos lugares, até porque a ideia de sair é um dos hábitos mais delineados dos locais, mesmo que os espaços trendy mudem rapidamente.

Nova Iorque não é só uma cidade de modas, é um local de misturas, de vanguarda sofisticado. A lista de sítios a visitar é interminável, ganha-se mais em andar à deriva pela cidade e respirar tudo aquilo que tem para nos oferecer, pois a cidade nunca dorme, mantendo uma energia constante. Com sorte encontram-se projecções nas paredes do museu, vistas do jardim do MoMA, em iniciativas de arte pública, cada vez mais constantes na cidade.

Ana Maria, Jornalista

quinta-feira, dezembro 09, 2010

EU SOU SÉRVIO



No passado dia 7 de Outubro, o governo português teve a infeliz ideia de reconhecer a independência do Kosovo. E porquê? Em primeiro lugar, fere de morte vários preceitos do direito internacional. Um deles proíbe a declaração unilateral da independência.

Não é difícil de entender que este é um devastador precedente para a estabilidade geoestratégica da Europa, para não falar de outras zonas “quentes” do mundo, como é o caso da Ossétia do Sul e da Abkasia (os mais imediatos), que tiveram a bênção da Rússia para a sua declaração de independência. Assim, e seguindo o exemplo do mais famoso protectorado norte-americano da Europa, o Kosovo, podemos estar prestes a assistir no curto/médio prazo, à eclosão social no “velho continente”, e são inúmeros casos apontar: como seja a Catalunha, o País Basco, a Córsega e todo o leste europeu teria que se reorganizar na sua geografia política, o que digamos seria o surgir de uma nova guerra.

Mas, o reconhecimento do governo de Portugal à pseudo independência é de todo descabida e imoral. Se porventura tivesse dado o beneplácito em Fevereiro era apenas imoral, pois iria contra as regras do direito internacional, e ainda por cima, Portugal, incorpora na sua constituição, um texto fundamental do direito internacional – a Declaração Universal do Direitos do Homem, mas agora, ela é um profundo disparate.

Das justificações que o ministro dos negócios estrangeiros apresenta, elas são sobretudo três: 1) alteração da estabilidade do território, 2) os acontecimentos que ocorreram na Geórgia com a secessão da Ossétia do Sul e 3) Portugal não podia ir contra a corrente dominadora na União Europeia.

Bom, não é também complicado de compreender que quando uma região tem uma taxa de desemprego que ronda os 80-90%, é um terreno propicio para as máfias que estão ligadas ao próprio governo albanês do Kosovo actuarem e desenvolverem impunemente a sua actividade, como seja o tráfico de mulheres e de droga, a exploração dos mais fracos, e sendo uma região com fracos recursos a corrupção e o enriquecimento ilícito é uma prática comum, e não esqueçamos que é uma porta aberta para infiltração de células terroristas. Para não falar dos relatórios das “secretas” europeias que apontam a possibilidade de haver bases do extremismo islâmico, inclusive da Al Qaeda, nessa região do sudeste europeu.

E com todas estas condicionantes a operarem no terreno é impossível sequer pensar criar um verdadeiro Estado de direito, que não é por si sustentável.

Quanto à segunda justificação, ela é apenas sequência da irracionalidade do reconhecimento da independência do Kosovo por parte de alguns países, o chamado efeito dominó. A terceira justificação, e no que diz respeito aos superiores interesses do estado português, nomeadamente no que se refere ao art 6º. da CRP (Estado unitário) pode estar em causa com o “sindroma do Kosovo”. E ao contrário da opinião do professor Milan Rados, a quando de uma entrevista ao jornal “Público” há alguns meses, de que Portugal era o único país da Europa sem problemas étnicos, o que é verdade, mas em termos políticos, este reconhecimento poderá ter no futuro um enorme amargo de boca ao estado português. Pois vejamos, se desvinculamos do raciocínio de toda a história assente dos conflitos entre a Sérvia e a Albânia, mais do que isso, entre a Europa e o Império Otomano, e bem como do processo politico, de grosso modo, uma região autónoma ou uma minoria étnica que vive em maioria numa determinada região de um país soberano, pode pedir a independência. E sendo pragmático, esta decisão do governo português assenta que nem uma luva, aos que pugnam pelo separatismo insular. Será que o ministro Luís Amado se esqueceu desse pormenor interno, quando só olhava para a questão externa, e as consequências no futuro poderão ser muito nefastas para o interesse nacional.

Todavia, não creio que o governo português tivesse por sua iniciativa própria, declarado o reconhecimento da independência dessa anomalia de estado. Ela foi essencialmente imposta pelos ventos frios vindos do outro lado do atlântico. Até porque, houve quase um implícito pedido de desculpas de Luís Amado pela sua atitude, ao reforçar do apoio da candidatura da Sérvia à União Europeia, e bem como, à pretensão (conseguida) de Belgrado à Assembleia Geral das Nações Unidas, para que o Tribunal Internacional de Justiça, desse o seu parecer sobre a violação do direito internacional em relação à declaração unilateral de independência do Kosovo.

Ao contrário do que se podia esperar, a questão da independência do Kosovo, veio unificar o povo e os políticos portugueses de todos os quadrantes, desde a extrema esquerda à extrema direita, passando pelo “Bloco Central”, sendo apenas as vozes dissonantes, aqueles políticos que têm uma real ligação aos Estados Unidos, mas infelizmente foi essa corrente discricionária que vingou.

Recordo que no auge da Guerra Fria, e sobretudo das palavras de JF Kennedy, durante o bloqueio soviético a Berlim, a famosa expressão “Ich Bin Berliner”. Estávamos no rubro das tensões entre as duas superpotências da segunda metade do Séc XX, e o que JFK estava a salvaguardar era os interesses da sua nação, em relação ao expansionismo da sua rival soviética.

Recuando ainda mais no tempo, até às duas guerras mundiais, sobretudo à Alemanha, vencida em 1918 e também em 1945 com o seu III Reich, o mundo corrigiu o erro da primeira grande derrota em não ostracizar e vexar com chorudas indemnizações de guerra aos países vencedores, integrando-a antes no mundo civilizado.

Estando nós agora em pleno Séc. XXI, essa lição de vida é agora esquecida, sobretudo pela nação implicada, a Alemanha, que usou e continua a usar a sua influência na região para defesa dos seus interesses.

Numa guerra é corrente dizer que só há vencidos, pois a única derrotada é a humanidade, e não é intenção escrever neste texto, os antecedentes que culminaram o inicio das hostilidades nos Balcãs, daqueles que participaram directamente na contenda beligerante, mas sobretudo daqueles que detonaram o conflito, e que protagonizaram mais um período negro da história da Europa.

 
É notório que as ambições pessoais dos burocratas da União Europeia sobrepõem aos anseios que versam os tratados europeus, isto é, construir uma Europa sem fronteiras e a livre circulação de pessoas, bens e serviços, é precisamente o contrário do que está acontecer no Kosovo, pois há uma clara regressão social com a inclusão de mais uma fronteira contra os princípios fundamentais da Europa unida. E mais uma vez, a história repete-se com extirpação do Kosovo ao povo sérvio, e se isso não bastasse está também a ser enclausurado em “guetos” no seu próprio território. É inaceitável! Como é inaceitável que a actual classe dirigente da União Europeia não compreenda que os Balcãs também são uma parte importante da Europa, e que agora estão transformados num “buraco negro”.

No passado dia 25 de Setembro, aquando da inauguração da exposição “Bemposta on the Road”, que visa divulgar uma aldeia histórica portuguesa, a Bemposta, eu disse na Universidade de Helsínquia, que em face do despovoamento da minha aldeia, que gostaria no futuro, fosse o local com mais finlandeses a viver em Portugal. Com estas palavras, como é evidente, não queria ver a cultura centenária da Bemposta, a ser substituída e aniquilada por uma cultura estranha, mas sim, que complementasse, o que enriqueceria ainda mais aquele pequeno território de 10 km2, como símbolo da efectiva cooperação europeia. Não gostaria por certo, de ver os nossos monumentos, como é o pelourinho, o ex-libris da aldeia, ser destruído e substituído por outra coisa qualquer, como aconteceu os formosos mosteiros ortodoxos do Kosovo. O respeito deve ser mútuo.

Visto a continuidade das injustiças que o mundo (ocidental) está a fazer, embebido do meu espírito próprio de europeísta, também declaro – “Eu sou Sérvio”. O povo sérvio tem a minha solidariedade na luta pela sua identidade nacional, tal como para todos os verdadeiros povos da Europa, (e não alargamentos territoriais encapotados de pseudo independências), e construir uma Europa próspera para todos os cidadãos, desvanecendo os nacionalismos extremados, com a partilha de soberania racional, como agora ainda acontece, e não haver uma discriminação sem sentido, entre os diferentes povos da Europa.

Tal como na vida privada, os Estados soberanos, que no fundo são as vidas agregadas de um povo, também se desenvolvem por princípio e valores próprios, por afectos que moldam a sua identidade e que os tornam únicos perante os olhos do mundo, e é o que acontece com a Sérvia em relação ao Kosovo. Porque mesmo que seja decretada a sua separação da terra-pátria, mesmo por meios ilegais e infames à luz do direito e da paz vindoura, há sempre uma força interior que nos leva a conseguir a ter de volta a nossa terra amada, mesmo que isso leve muito tempo a almejá-la.

Porque, esquecer é morrer!

Este texto foi publicado no Jornal Reconquista no dia 06 de Novembro 2008 

quarta-feira, dezembro 08, 2010

UMA POLÍTICA DE SUCESSO



À semelhança do que acontece com os produtos comerciais, será que um político tem a sua própria marca? Ou será que devemos chamar de identidade própria?

Num mercado cada vez mais comercial, a imagem é um dos factores determinantes no sucesso em variadas áreas, independentemente de falarmos do mercado de vendas comerciais, do campo da economia ou mesmo da área política. A embalagem de um produto é um dos elementos essenciais para a primeira opinião que o consumidor tem sobre essa oferta, sendo este aspecto um dos determinantes no impulso do acto de compra. E quando falamos no sector da política? Será que poderemos afirmar que a imagem, também aqui, é determinante e fundamental para a conquista do eleitorado? Será que poderemos referirmo-nos a um político enquanto produto comercial que é regido pelas leis da oferta e da procura dos mercados? Tendo em conta a crescente utilização das técnicas que estão associadas ao Marketing poderemos afirmar que uma política de sucesso está, quase sempre, associada a uma estratégia de Marketing de sucesso? E esta aplicação, será uma das políticas associadas à área do Marketing ou será que os próprios políticos fazem a venda das suas próprias promessas eleitorais?



Imagem: adaptação do produto ao consumidor

O Marketing assume, nos dias de hoje, aplicabilidade em, praticamente, todas as áreas de actuação desde a área política, passando pelo desporto, pela cultura e até pelas características pessoais de cada um de nós. Mas afinal a que nos estamos a referir quando falamos de Marketing? Existem diversas definições para esta ciência e entre elas destacamos a definição de Philip Kotler e Kevin Lane Keller, ambos professores e especialistas na área do Marketing que, com diversas publicações nesta temática, consideram, no livro “Administração de Marketing”, de 2006, que Marketing “é um processo social por meio do qual pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e serviços de valor com outros”. Este conceito foi sendo transportado para a esfera política, quer por partidos políticos quer por deputados, que assumiram, desde a década de 60, a importância que uma boa estratégia de Marketing pode reflectir no eleitorado e/ou na opinião pública. No entanto, a aplicação deste conceito, na temática política, continua, ainda, a ser pouco assumida dada a leitura que esta associação pode traduzir quer no eleitorado quer na opinião pública de cada país. Equiparar-se um partido político ou uma entidade política a um produto comercial de consumo poderá constituir algumas opiniões que remetem para a construção de algo que deveria ser inato e não construído. Mas quando falamos na apresentação de manifestos eleitorais, quais são os objectivos dos partidos políticos e dos candidatos? Talvez seja a atribuição de benefícios à população através da oferta de determinados serviços ou produtos que vão ser traduzidos em benefícios para aquele eleitorado específico. Antes da elaboração de um qualquer manifesto, ou seja, das orientações e objectivos da campanha, os candidatos, quer eles sejam candidatos a eleições legislativas, autárquicas ou outras, encomendam estudos de opinião com vista à percepção das principais carências das populações. Com os resultados destes estudos, os candidatos oferecerem, quer nos seus discursos políticos, quer nos manifestos eleitorais, os benefícios que as populações esperam obter com a vitória daquele candidato. Com esta aplicabilidade, não estará a política a adaptar-se ao seu eleitorado, tentando seguir uma linha que vá de encontro com a mesma direcção da opinião pública, modificando-se, assim, de acordo com as suas necessidades e não assumindo, provavelmente, outras propostas que poderiam contrariar a opinião geral? Nas propostas, não serão apresentadas em destaque as medidas consideradas como mais populares? Mas se um político/deputado/partido tem como função representar a sua população e ser a voz daqueles que o vão eleger, ou que já elegeram, esta direcção estará errada? Talvez o importante será analisarmos a construção de uma imagem política, num aspecto diferente daquilo que é representado inicialmente, e a construção de raiz de um candidato.



Construção de uma imagem política vs construção de um candidato

Associada à crescente preocupação da imagem e do impacto, positivo ou negativo, que pode alcançar junto do eleitorado, muitos são os deputados e candidatos que recorrem a empresas de consultoria de imagem que têm como função orientar cada político numa melhor apresentação ao seu mercado: o eleitorado. Ao disponibilizarem este serviço, as empresas orientam os profissionais da política no sentido de corrigirem alguns aspectos que podem ser considerados como falhas que influenciam, negativamente, a opinião pública. Mas quando falamos numa preocupação com a imagem exterior, ou seja, com o vestuário, com a dicção, com as cores utilizadas, com a conjugação das melhores peças de vestuário, dependendo das situações que os protocolos exigem, estaremos a falar de uma construção de imagem política ou da construção de um candidato? Neste ponto específico fala-se da construção de uma imagem cuidada e apelativa aos olhos do eleitorado. Se um político não apresentar uma imagem cativante, dificilmente o seu eleitorado vai ficar preso às palavras e aos discursos proferidos. No entanto, para além desta preocupação, existe um factor determinante na exposição pública de um político. O que diz, quando diz e a quem o diz. Cada vez mais, e com a utilização progressiva das redes sociais, os políticos são, quase sempre, alvos de observações e comentários conferindo-lhes alguma vulnerabilidade a exposição mediática. Nesta exposição, principalmente no contacto directo com as populações ou na visibilidade através da imagem e da voz, políticos e deputados devem ser cautelosos em todo o seu discurso, mesmo em situações menos formais. Actualmente, tudo o que é referido em público, e para o público, pode ser aproveitado a favor ou contra determinado político. A conotação das palavras, a sua associação e até a sua projecção são planeadas com vista à redução de possíveis impactos negativos da sua imagem. Para além desta preocupação, um político é orientado no sentido da utilização de uma boa estratégia de comunicação que consiga alcançar a opinião alvo. Regra geral, associada a uma boa estratégia de comunicação está, quase sempre, uma boa estratégia de Marketing. Esta última, vai definir os caminhos a seguir e a linha de orientação para transmitir uma mensagem eficaz através de uma estratégia de comunicação. A finalização de todo este processo dá-se quando a comunicação é imediata e positiva entre o político e o seu eleitorado. As formas e meios técnicos utilizados para a transmissão de uma mensagem política podem ser variadíssimos, passando pelos meios audiovisuais, pelos Órgãos de Comunicação Social (OCS), pelos tão conhecidos outdoors que, naturalmente, assumem posições privilegiadas em rotundas, estradas, entre outros locais de visibilidade estratégica, entre outros.

Apesar desta preocupação com a comunicação e com a forma de comunicar, pode considerar-se que um político pode aperfeiçoar a sua imagem tendo sempre por base os seus princípios e a sua ideologia. No entanto, também podem ser consideradas as possibilidades de construção de um político e a atribuição e imperatividade de determinados valores e ideologias de acordo com o que é pretendido oferecer a determinado eleitorado.



Linguagem política e espaço de discussão

A linguagem é um dos instrumentos fundamentais na apresentação e associação de um determinado político a uma determinada imagem. Numa actualidade em que o espaço público é cada vez mais abrangente, quer seja a nível de intervenção das diferentes correntes de opinião, quer seja através da participação dos cidadãos no espaço público, os meios de expressão e comunicação feitos através da utilização da linguagem caracterizam-se como apontadores de conotações negativas e positivas. Dada esta importância, verifica-se um crescente recurso a profissionais designados como especialistas na realização de discursos políticos adaptados à plateia, ou seja, ao público que poderá ser considerado como público-alvo se equipararmos com as definições utilizadas na área do Marketing.

Em Portugal, esta utilização tem ganho expressão até pela constatação, na maioria das vezes positiva, da utilização de discursos cuidados e trabalhados, em países como os EUA e como o Brasil. As palavras e a sua importância, e o contexto em que estão inseridas, são consideradas como potenciadoras de um político conseguir, ou não, alcançar o seu objectivo. Apesar da envolvência ser significativamente diferente, quando comparamos a realidade portuguesa com a realidade norte-americana, verificamos que nos dias actuais da política são muitos os políticos que assumem que determinado político pode desempenhar profissionalmente as suas funções mas pode não ter perfil para fazer parte integrante de um governo. Os discursos políticos podem ser preparados quando existe uma antevisão e, neste caso, é possível a aplicação de um discurso adaptado a essas circunstâncias. No entanto, quando esse discurso é imprevisível os riscos da utilização da linguagem assumem proporções que, muitas vezes, podem levar à demissão de um elemento do executivo ou mesmo à queda de um governo. Apresentando-se com esta força, a linguagem é um dos aspectos primordiais a ser alvo de preocupação por parte de todos aqueles que têm uma exposição política sendo cada vez mais recorrente a utilização de profissionais que orientem e coordenem a linguagem utilizada. É através da linguagem, e da forma como é expressa, que os discursos políticos podem alcançar a opinião pública, alterar uma opinião inicial e concretizarem a formalização dessa opinião através do voto e da conquista do eleitorado.

Um exemplo desta utilização é, precisamente, os EUA. O eleito Presidente Barack Obama, a 20 de Janeiro, utilizou uma equipa de especialistas para a realização dos seus discursos e para uma orientação no sentido de dizer o quê, quando, para quem e com que meios. A eficácia da utilização de uma equipa que faça a direcção e coordenação da campanha eleitoral e política, foi de tal forma projectada que para a campanha de José Sócrates nas Eleições Legislativas foram escolhidos alguns elementos da equipa de Obama para integrarem o grupo de trabalho na campanha do actual Primeiro-ministro português.

Ao associarmos a discussão pública num espaço de debate aberto, políticos e candidatos assumem o espaço de discussão orientando esse mesmo debate num sentido preferencial para a obtenção de determinado objectivo político.

A preparação do discurso, linguagem, visibilidade e tudo o que esteja associado à imagem de um político perante a opinião pública é feita, principalmente nos EUA, desde o momento em que um político assume a posição de político independentemente da sua candidatura, ou não a um cargo superior. Assim, é feita a distinção entre o considerado Marketing Político e o Marketing Eleitoral. O primeiro é utilizado desde o nascimento de um político e o segundo é uma continuação do primeiro com a especificidade de adaptação a uma campanha eleitoral.

Considerando os resultados obtidos na campanha eleitoral de Barack Obama, poderá concluir-se que o sucesso de um político está associado, em grande parte, à utilização das técnicas inerentes ao Marketing Político, que associam a imagem, a marca, a visibilidade e a opinião pública enquanto elementos uníssonos de uma política de sucesso que, na maioria das vezes, só é conseguida através da aplicação de uma eficaz estratégia de Marketing e Comunicação. Esta utilização talvez seja o futuro da política no futuro do Marketing.

Marisa Dias, Jornalista

segunda-feira, dezembro 06, 2010

NAUTOR’S SWAN

Quando o Yacht Clube de Nova Iorque anunciou, em 2005, a parceria com a Nautor’s Swan, da Finlândia, para a criação de um novo barco de regata one design, o conceito passava por desenvolver um veleiro capaz de velejar e competir com igual eficiência.

A Nautor’s Swan foi criada em 1966, por Pekka Koskenkylä, que procurou garantir nas suas construções um selo de alta qualidade, afirmando-se na indústria náutica ao longo dos anos ao fazer da fiabilidade e da precisão uma imagem de marca. Segundo garante a empresa, dos mais de 1900 barcos construídos, praticamente, todos continuam funcionais nos dias de hoje.

O novo barco one design, que nasce desta parceria, foi baptizado de NYYC Swan 42 e, posteriormente, alterado para Club Swan 42.

Apenas quatro meses após o anúncio da sua criação, mais de 30 barcos estavam vendidos e muitos outros encomendados. Além disso, vários clubes de vela mostraram-se disponíveis a aliarem-se ao projecto, fascinados pela ideia de um veleiro formatado e acessível a todos. Este é um barco de primeira classe, que pretende evitar a disputa entre proprietários com base nos acessórios, promovendo e fomentando a competição justa e equilibrada entre os velejadores

O Club Swan 42 é um veleiro de 12,98 metros de comprido de alta performance, que se destaca por ser extremamente leve e rápido, sem perder uma navegabilidade acessível. E como era pretendido, a Nautor’s Swan garante que o Club Swan 42 oferece igual habilidade de vencer regatas como de oferecer um divertido e agradável passeio.

A Finlândia tem uma história rica na tradição naval, nomeadamente de cruzeiros, como por exemplo a construção do “Oasis of the Seas” que, a ser inaugurado em Novembro, será o maior navio de cruzeiros do mundo, com cerca de 220 mil toneladas.

Uma indústria especializada aliada à mais avançada tecnologia náutica.

Pedro Soares, Jornalista

domingo, dezembro 05, 2010

CONOCE LA VIDA RURAL PORTUGUESA





La exposición ‘Bemposta on the road’ continúa en el pub Modus Vivendi del Casco Histórico, hasta el próximo 31 de diciembre. Organizada por el director de la revista Raia Diplomática, Bruno Caldeira (en la foto), la muestra enseña fotografías en las que Bruno Melâo capta escenas costumbristas del pueblo de Bemposta, en el rural portugués
.
in Santiagosiete do dia 3 de Dezembro 2010