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quinta-feira, junho 10, 2010

10 de Junho - Dia de Portugal e dos seus descendentes


Celebrou-se mais um feriado nacional. E se tiver bom tempo, o mais provável é que haja uma grande afluência às praias ou a fuga para outro tipo de diversão.

As palavras anteriormente descritas são o modelo típico com que a generalidade dos portugueses vê e sente a passagem de mais um feriado nacional, sendo completamente indiferente o motivo que deu origem à sua celebração.

Estado de espírito bem mais positivo é o vivido por exemplo nos países nórdicos, pois a sua celebração é sinónimo de festa e de exaltação popular e patriótica. Durante as minha visitas ao norte da Europa, mais concretamente a Helsínquia fiquei enormemente espantado com a mobilização popular no que diz respeito às comemorações das suas festas nacionais, e bem como aos eventos culturais relevantes que ocorrem naquela cidade.

E aqui não se pode colocar a questão como muitos advogam que sejam uma mera questão de regime político, pois na Finlândia vigora a república, enquanto nos seus vizinhos escandinavos – Noruega, Suécia e Dinamarca vivem sobre uma monarquia constitucional.

O mais inquietante sobre este défice de demonstração patriótica é que Portugal é uma das mais antigas nações da Europa e com uma história fascinante, sobretudo se atendermos à época dos Descobrimentos, pois um pequeno país da Europa dominava os mares do mundo conhecido.

Perante esta inércia que nos assola, o que realmente está a acontecer? Será que estamos atravessar mais uma severa crise económica, uma crise financeira, uma crise de valores? Nada disso! O que verdadeiramente estamos a ser fustigados é com uma severa crise de identidade que dura há mais de 200 anos.

Na história universal há poucos povos que se podem orgulhar dos seus feitos perdurassem no tempo, e que actualmente ainda formatam as vivências das populações de diferentes pontos geográficos.

A verdade é que não se sabe de que “matéria” eram feitos os portugueses dos Sécs. XV e XVI. Com uma população a rondar o 1,5 milhões de habitantes e com um território exíguo controlavam praticamente todos as rotas comerciais marítimas conhecidas. Todo o povo estava embebido por um objectivo – os seus governantes, os seus estrategas, os seus navegadores, os seus soldados, os seus mercadores estavam mergulhados num espírito e numa fé deveras heróicas que hoje ninguém consegue explicar essa valentia e audácia dos portugueses daquele tempo senão pela metafísica.

Historicamente o período que estamos actualmente a viver é certamente um dos mais baixos, sem ambição nem rumo para a nossa colectividade. Mais que uma questão económica ou financeira, pois o Estado Português desde a sua fundação em 1143 sempre gastou mais do que tinha, pois o nosso grande défice é de natureza emocional, sem confiança nem bravura dos outros tempos.

Tal como a fé, cada um tem a sua própria definição de pátria, todavia quem confinar o povo português a Portugal continental e às regiões autónomas dos Açores e da Madeira, está apenas atender e um elemento do Estado - o Território.

Mas o povo português está por todo o lado, por todo o mundo, e não estou apenas a citar às comunidades emigrantes do Séc XX, refiro-me também a um dos maiores legados que a História nos conferiu que são os seus descendentes, sobretudo aquela descendência que sobreviveu órfã, mas que resistiu a todos os ventos e marés, mantendo a cultura, as tradições e os costumes que os seus antepassados deixaram.

Sim são eles os Portugueses do Oriente!!!

Da Índia (Goa, Damão e Díu), visitando Ceilão, passando por algumas comunidades da Tailândia, da Birmânia e de Singapura, ancorando na “Veneza do Oriente”, Malaca, não esquecendo as ilhas das Flores na Indonésia nem de Timor-Leste e subindo para a “Mais Leal”, Macau, são sem dúvida estes homens e mulheres que brotam a efervescência eloquente dos seus antepassados. E é para estes Portugueses do Oriente que devemos contemplar o seu sentido patriótico, que conseguiram nunca deixar de falar o português crioulo, embora infelizmente em algumas comunidades já se tenha extinguido, o vestuário, as danças ou a comida, mesmo quando desamparados durante séculos pela pátria - mãe foram sempre fiéis às suas raízes.

Ao contrário daqueles que por motivos de mera promoção pessoal usam a nacionalidade e o passaporte português, jogam na selecção nacional de futebol dizendo que não se sentem portugueses e que nem vão cantar “A Portuguesa”, sem que haja um censura firme por parte da sua hierarquia, enquanto que os outros, os portugueses do oriente, os portugueses de sangue, que por vezes quando solicitam alguns simples fatos tradicionais para continuarem a divulgar a cultura nacional nos seus países de nascimento são muitas vezes ignorados pelas instituições do Estado, o que é manifestamente injusto.

Estou muito céptico que o Estado português tenha uma nova postura mais dinâmica para o oriente, tanto mais que o crescimento económico e demográfico dessas economias fará que seja nos próximos anos seja a região mais interessante do planeta, como foi há cinco séculos. Todavia, espero que a sociedade civil portuguesa una-se a este desígnio, seja a nível societário, associativo, cooperativo ou fundacional, tendo já em conta a execução de alguns projectos meritórios no oriente que estão a salvaguardar a identidade lusa em terras do Oriente.

Já é mais que tempo para contemplar aqueles que honram a memória da Pátria!!!

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