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terça-feira, dezembro 21, 2010

AQUALOGUS AJUDA A DUPLICAR O POTENCIAL ENERGÉTICO NACIONAL



O projecto para as barragens do Alto Tâmega, que integra a pacote do governo destinado a duplicar o potencial energético português, é actualmente o principal desafio da Aqualogus. A empresa, que se especializou em projectos de engenharia hídrica, investe agora no Norte de África.

Nascida em 1996, a Aqualogus dedica-se a projectos de engenharia ambiental, sobretudo ligados a recursos hídricos. Actualmente, a empresa é responsável pelos projectos de duas das quatro barragens que vão ser construídas no Alto Tâmega (Gouvães, Padroselos, Alto Tâmega e Daivões) pela Iberdrola, e que fazem parte do Plano Nacional de Barragens.

“Apenas as quatros barragens que vão ser construídas no Alto Tâmega vai aumentar em 10 por cento a actual produção de energia eléctrica”, explica Pedro Sá Frias, engenheiro civil e presidente da Aqualogos.

O projecto governamental que prevê a construção de oito albufeiras até 2018 tem suscitado debate, sobretudo depois de um relatório da Comissão Europeia ter duvidado da sua necessidade e referido o impacto ambiental que traria. O governo refuta as críticas ao projecto que, juntamente com outros já em andamento, prevê duplicar a produção de energia eléctrica até 2020, ano em que Portugal deverá ter 31 por cento de energia a partir de fontes renováveis, a quinta meta mais ambiciosa da União Europeia.

Para Sá Frias, este investimento é fundamental, até para os portugueses deixarem de diabolizar as albufeiras. “Há 40 anos atrás, construíram-se muitas barragens. Quando se começou a dar mais atenção ao ambiente, apercebemo-nos dos impactos negativos e, do meu ponto de vista, exageramos, vendo apenas os malefícios. Hoje, continua a crescer o consumo energético mas os combustíveis fósseis são limitados, além de que têm muitos custos para o ambiente, pelo que se está novamente a investir na hidroelectricidade, tal como noutras energias renováveis”, explica.

A Aqualogus foi uma das empresas que esteve envolvida na construção da barragem do Alqueva e ainda hoje continua a trabalhar nos projectos de canais e condutas para levar a água aos campos de cultivo alentejanos, pois, como afirma o empresário, “para irrigar 110 mil hectares é preciso fazer muita obra a jusante da própria barragem do Alqueva”.

O engenheiro nega as críticas que se ouvem ao projecto afirmando que já é notório o seu impacto, e será cada vez maior: “Há muitos agricultores beneficiados com a rega, os preços dos terrenos dispararam, e o impacto será cada vez maior. A conclusão do projecto do Alqueva estava previsto para 2025 e neste momento o objectivo é 2012”.

Golfinhos no Tejo

Conhecedor dos recursos hídricos nacionais, Pedro Sá Frias assegura que situação actual é muito melhor do que a existente há uns anos. “Daqui a 10 anos, os golfinhos podem voltar ao Tejo”, assegura, referindo-se ao trabalho que sem sido feito para despoluir o rio ibérico.

A evolução, diz, é resultado do trabalho que tem sido feito para que as pessoas compreendam que a água é um recurso de todos: “Hoje, mesmo quem tem um poço tem de pagar pelo uso da água porque se concluiu que a pessoa é dona do poço mas não do recurso hídrico. Até há pouco tempo não era assim”.

O presidente da Aqualogus recorda o estudo que uma empresa lhe pediu para saber se ficava mais barato mandar as água poluídas para os esgotos, para depois serem tratadas pelo ETAR (Estação Tratamento Águas Residuais) pública, ou construir uma na própria empresa, pagando menos em impostos. “A taxa de mandar as águas sem qualquer tratamento era tão alta que concluímos que ficava muito mais barato a empresa construir a sua própria ETAR”, recorda.

Aposta no Norte de África

Para além de Portugal, a Aqualogus desenvolve projectos noutras zonas do globo, com especial enfoque para os países africanos de língua portuguesa, sobretudo Angola, onde foi responsável pelos projectos do Centro Logístico e Distribuição de Huambo (semelhante ao MARL - Mercado Abastecedor da Região de Lisboa) e dos supermercados NossoSuper e concorre actualmente ao plano da bacia hidrográfica da província do Lubango.

Contudo, a maior aposta internacional da empresa é o Norte de África, uma região que o empresário conhece bem dos tempos em que viveu quatro anos em Marrocos ao serviço da Hidroeléctrica Portuguesa, empresa que deixou com dois colegas para criar a Aqualogus.

Sabendo da necessidade dos países do Norte de África em criarem infra-estruturas e com a sensibilidade que Pedro Sá Frias desenvolveu para fazer negócios nestes países, a empresa tem investido na região e a aposta parece ganha. Actualmente, está a desenvolver projectos na Argélia, Líbia e Marrocos.

Questionado sobre se sente que a Aqualogus seja prejudicada em projectos internacionais, devido a ser uma empresa portuguesa, Sá Frias nega imediatamente. “No Norte de África até sinto que beneficiamos do nome Portugal, vêem-nos como um país com laços históricos comuns – eles já estiveram cá, nós já estivemos lá. Na Líbia, por exemplo, simpatizam connosco porque não nos vêem nem como aliados de Israel nem dos Estados Unidos”, conta.

Aqualogus aposta na qualificação

Com cerca de 50 funcionários - entre engenheiros de várias áreas, biólogos e administrativos - o crescimento da Aqualogus tem sido sempre ascendente. Crescimento assente sobretudo na qualidade dos seus quadros, diz o presidente da empresa, Pedro Sá Frias: “O nosso objectivo é sermos competitivos e fazermos as coisas com qualidade. Para isso, temos de ter os mais qualificados. Estou convencido de que uma pessoa que saiba fazer as coisas bem feitas tem de ganhar mais mas também é mais produtivo”. Nos últimos cinco anos, a facturação da Aqualogus tem aumentado 40 por cento todos os anos. Em 2009 esperam facturar 4,5 milhões de euros.

Irina Melo, Jornalista

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