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quinta-feira, dezembro 16, 2010

ASSUMIR RISCOS



Os objectivos de Bruno Caldeira vão além-fronteiras: o empreendedor não quer confinar a revista Raia Diplomática a Portugal.

Bruno Caldeira, 32 anos, está em Santiago de Compostela, na Mediasiete, no único semanário gratuito da capital da Galiza (em língua castelhana), que foi lançado em 2007. Na empresa, ocupa as funções de "project manager" para um segundo produto editorial.
 
A Raia Diplomática é o primeiro produto do projecto Victrix Media Consulting, que quer desenvolver uma nova forma de pensar e de agir na área da comunicação global, institucional e pessoal.

Aquela que é a "primeira revista portuguesa de actualidade internacional", segundo Bruno Caldeira, foi lançada no ano passado, tendo sido distribuídos 30 mil exemplares como suplemento do "Diário de Notícias" para a região da Grande Lisboa.

"Segundo dados do próprio DN, a edição desse dia ficou tecnicamente esgotada na Grande Lisboa", comenta.
 
Apesar da inovação em termos de publicidade, Bruno Caldeira confessa que as agências de meios foram pouco receptivas. "Precisava de mais tempo e de mais financiamento, o que não veio a acontecer."
 
Contactou a Inovcapital e o programa Finicia, mas sem sucesso. "Em suma, os programas de apoio ao empreendedorismo jovem em Portugal são uma nulidade", desabafa.
 
Entre Maio e Junho, chegou a aprovação da Comissão Europeia e Bruno Caldeira rumou a Espanha.
 
Pela sua frente, tinha um estágio de seis meses. "Já desenvolvi o plano de negócios e, a partir da próxima semana, iremos iniciar a concepção da 'edição zero' para avaliar a receptividade das agências de meios e das empresas galegas ao projecto."
 
A Raia Diplomática permanece em execução através de um blogue e das redes sociais Facebook e Twitter.
 
Em Fevereiro, vai lançar o "site" na capital da Galiza e, em Setembro, a versão inglesa.
 
Bruno Caldeira está a aprender como funciona uma jovem PME galega na área da comunicação e a conhecer cultural e politicamente a região da Galiza.
 
No próximo ano, a Raia Diplomática vai organizar o "I Congresso Diplomático da Lusofonia", em Santiago de Compostela, em parceria com a Academia Galega da Língua Portuguesa e o Instituto Cultural Brasil - Galiza. "Se não estivesse em contacto com uma nova realidade, estes projectos que mencionei continuariam na 'gaveta'", diz. Quando "descobriu o programa, achou-o interessante. Porquê? Porque ajudaria a evitar erros estratégicos e de gestão.
 
Mais: poderia comparar os comportamentos empresariais entre Portugal e Galiza, adquirir mais conhecimento na área da comunicação e encontrar no empresário de acolhimento um futuro parceiro de negócios. Apesar das vantagens, admite que é muito burocrático e que deveria existir maior intervenção para o estabelecimento de relações com os empresários de acolhimento. E deixa uma sugestão: porque não fazer o estágio em duas empresas de diferentes estados-membros? Quanto ao futuro, Bruno Caldeira confessa que não sabe se vai estabelecer-se oficialmente em Portugal.
 
"A vantagem das novas tecnologias é que permitem trabalhar em qualquer lado." Não quer confinar a Victrix Media Consulting e o produto editorial Raia Diplomática ao espaço geográfico português.
 
Vai abrir a sua mente para a globalização e internacionalização, regional ou intercontinental. "Ser empreendedor é ter responsabilidades, assumir riscos, senão seriamos todos empresários", conclui.
 
in Jornal de Negócios do dia 02 de Dezembro 2010

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