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sexta-feira, junho 25, 2010

FOTOS DO LANÇAMENTO DA REVISTA RAIA DIPLOMÁTICA - 27.11.2009 - PADRÃO DOS DESCOBRIMENTOS EM LISBOA

No passado dia 27 de Novembro foi lançada no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, Raia Diplomática, a primeira revista portuguesa de política e actualidade internacional.

Neste evento estiveram presentes vários elementos do corpo diplomático e outras personalidades ligadas às àreas de interesse da Raia Diplomática.


A Raia Diplomática em exposição



Mathilde Nygren (Embaixada da Noruega) e D. Rino Passigato (Representante do Núncio Apostólico em Portugal)



Entrada para a recepção



Bruno Caldeira (Director da revista Raia Diplomática) e Varela de Matos (Varela de Matos & Associados - Sociedade de Advogados)



O convivio entre os convidados



Irene Oliveira (Câmara de Comércio e Indústria Luso-Sul Africana) e Louis Azevedo (Hotel Consultant)



Florisa Candeias (Associação Cultural Coração em Malaca)



As primeiras leituras sobre a Raia Diplomática



Gao Kexiang (Embaixador da China)



Luísa Timóteo (Presidente da Associação Cultural Coração em Malaca)



Thinta Zwane (Embaixada da África do Sul), Vanda Caldeira (Raia Diplomática),  Joseph Cassar (Embaixador de Malta), D. Rino Passigato (Representante do Núncio Apostólico em Portugal), Dusko Lopandic (Embaixador da Sérvia) e Renato Faria (Embaixada do Brasil)



Bruno Caldeira (Director da revista Raia Diplomática) e Joseph Cassar (Embaixador de Malta)



Bruno Caldeira (Director da revista Raia Diplomática) e Thinta Zwane (Embaixada da África do Sul)

quinta-feira, junho 10, 2010

10 de Junho - Dia de Portugal e dos seus descendentes


Celebrou-se mais um feriado nacional. E se tiver bom tempo, o mais provável é que haja uma grande afluência às praias ou a fuga para outro tipo de diversão.

As palavras anteriormente descritas são o modelo típico com que a generalidade dos portugueses vê e sente a passagem de mais um feriado nacional, sendo completamente indiferente o motivo que deu origem à sua celebração.

Estado de espírito bem mais positivo é o vivido por exemplo nos países nórdicos, pois a sua celebração é sinónimo de festa e de exaltação popular e patriótica. Durante as minha visitas ao norte da Europa, mais concretamente a Helsínquia fiquei enormemente espantado com a mobilização popular no que diz respeito às comemorações das suas festas nacionais, e bem como aos eventos culturais relevantes que ocorrem naquela cidade.

E aqui não se pode colocar a questão como muitos advogam que sejam uma mera questão de regime político, pois na Finlândia vigora a república, enquanto nos seus vizinhos escandinavos – Noruega, Suécia e Dinamarca vivem sobre uma monarquia constitucional.

O mais inquietante sobre este défice de demonstração patriótica é que Portugal é uma das mais antigas nações da Europa e com uma história fascinante, sobretudo se atendermos à época dos Descobrimentos, pois um pequeno país da Europa dominava os mares do mundo conhecido.

Perante esta inércia que nos assola, o que realmente está a acontecer? Será que estamos atravessar mais uma severa crise económica, uma crise financeira, uma crise de valores? Nada disso! O que verdadeiramente estamos a ser fustigados é com uma severa crise de identidade que dura há mais de 200 anos.

Na história universal há poucos povos que se podem orgulhar dos seus feitos perdurassem no tempo, e que actualmente ainda formatam as vivências das populações de diferentes pontos geográficos.

A verdade é que não se sabe de que “matéria” eram feitos os portugueses dos Sécs. XV e XVI. Com uma população a rondar o 1,5 milhões de habitantes e com um território exíguo controlavam praticamente todos as rotas comerciais marítimas conhecidas. Todo o povo estava embebido por um objectivo – os seus governantes, os seus estrategas, os seus navegadores, os seus soldados, os seus mercadores estavam mergulhados num espírito e numa fé deveras heróicas que hoje ninguém consegue explicar essa valentia e audácia dos portugueses daquele tempo senão pela metafísica.

Historicamente o período que estamos actualmente a viver é certamente um dos mais baixos, sem ambição nem rumo para a nossa colectividade. Mais que uma questão económica ou financeira, pois o Estado Português desde a sua fundação em 1143 sempre gastou mais do que tinha, pois o nosso grande défice é de natureza emocional, sem confiança nem bravura dos outros tempos.

Tal como a fé, cada um tem a sua própria definição de pátria, todavia quem confinar o povo português a Portugal continental e às regiões autónomas dos Açores e da Madeira, está apenas atender e um elemento do Estado - o Território.

Mas o povo português está por todo o lado, por todo o mundo, e não estou apenas a citar às comunidades emigrantes do Séc XX, refiro-me também a um dos maiores legados que a História nos conferiu que são os seus descendentes, sobretudo aquela descendência que sobreviveu órfã, mas que resistiu a todos os ventos e marés, mantendo a cultura, as tradições e os costumes que os seus antepassados deixaram.

Sim são eles os Portugueses do Oriente!!!

Da Índia (Goa, Damão e Díu), visitando Ceilão, passando por algumas comunidades da Tailândia, da Birmânia e de Singapura, ancorando na “Veneza do Oriente”, Malaca, não esquecendo as ilhas das Flores na Indonésia nem de Timor-Leste e subindo para a “Mais Leal”, Macau, são sem dúvida estes homens e mulheres que brotam a efervescência eloquente dos seus antepassados. E é para estes Portugueses do Oriente que devemos contemplar o seu sentido patriótico, que conseguiram nunca deixar de falar o português crioulo, embora infelizmente em algumas comunidades já se tenha extinguido, o vestuário, as danças ou a comida, mesmo quando desamparados durante séculos pela pátria - mãe foram sempre fiéis às suas raízes.

Ao contrário daqueles que por motivos de mera promoção pessoal usam a nacionalidade e o passaporte português, jogam na selecção nacional de futebol dizendo que não se sentem portugueses e que nem vão cantar “A Portuguesa”, sem que haja um censura firme por parte da sua hierarquia, enquanto que os outros, os portugueses do oriente, os portugueses de sangue, que por vezes quando solicitam alguns simples fatos tradicionais para continuarem a divulgar a cultura nacional nos seus países de nascimento são muitas vezes ignorados pelas instituições do Estado, o que é manifestamente injusto.

Estou muito céptico que o Estado português tenha uma nova postura mais dinâmica para o oriente, tanto mais que o crescimento económico e demográfico dessas economias fará que seja nos próximos anos seja a região mais interessante do planeta, como foi há cinco séculos. Todavia, espero que a sociedade civil portuguesa una-se a este desígnio, seja a nível societário, associativo, cooperativo ou fundacional, tendo já em conta a execução de alguns projectos meritórios no oriente que estão a salvaguardar a identidade lusa em terras do Oriente.

Já é mais que tempo para contemplar aqueles que honram a memória da Pátria!!!

The Portuguese Heritage in Orient

Raia Diplomática is the first portuguese international affairs magazine. One of his targets is to promote the portuguese language, culture and history in Orient. "The Portuguese Heritage in Orient" is a forum of discussion for all portuguese descendants and all people interessed in this cause.

segunda-feira, junho 07, 2010

Raia Diplomática - O Breve Resumo

A revista Raia Diplomática vai preencher uma lacuna no mercado editorial português no campo da política e actualidade internacional.

O nome Raia Diplomática tem uma simbologia muito própria nas palavras apresentadas.

O sentido da palavra “Raia” não advém de uma barreira fronteiriça, muito pelo contrário, ela tem um significado de abertura de fronteiras do pensamento, da troca de informações e de ideias.

Estas particularidades são indispensáveis para um debate livre e corajoso na defesa dos valores da verdadeira cidadania e da democracia participativa.

Quanto à palavra “Diplomática” que é relativa à diplomacia que é a ciência das relações internacionais, da cortesia.

Esta ligação de discutir e comentar as vivências do mundo, não apenas de uma lógica meramente mediática, mas também indo ao fundo das questões, procurando respostas através da investigação activa e incisiva.

Esta fusão emblemática tem muito haver com o local e com o país da idealização da revista Raia Diplomática.

Tomando em consideração a zona raiana da Beira Interior, assolada pela desertificação humana, em consequência do êxodo da sua população para outros cantos de Portugal e do mundo. Pese embora esse facto marcante, existe nas suas gentes marcas distintivas a nível etnológico e cultural.

E da mesma forma, Portugal, uma das mais antigas nações da Europa, que há mais de cinco séculos, através da sua aventura marítima, deu “novos mundos ao mundo”, dando-se a conhecer aos outros povos do mundo, até aí desconhecidos aos olhos dos destemidos navegadores portugueses, plasmando assim, um pouco dos seus hábitos na cultural universal.

E é partindo dessas duas simbologias geográficas, que a revista Raia Diplomática quer impor a sua marca distinta através de uma informação precisa, inovadora e refrescante, partindo do local para abraçar o global.

A Raia Diplomática inclui:


Política e Sociedade

As notícias, reportagens, crónicas e entrevistas fundamentais para estar a par dos acontecimentos que marcam o nosso mundo, com secções dedicadas à Europa, com especial enfoque à actividade da União Europeia, Estados Unidos, Américas, África, Ásia e Médio Oriente.


Cultura

Cobertura informativa descomplexada das várias manifestações culturais que se desenvolvem pelo mundo literário, musical, teatral, cinematográfico e de todas outras formas de criação artística renovadora.
Inclui também as críticas rigorosas e ousadas das novidades que o mercado cultural oferece.


Economia e Negócios

Análise e discussão da situação macroeconómica do mundo, com notícias e reportagens das situações mais relevantes que afectam a vida dos cidadãos, das empresas e dos consumidores.
Informações sobre os mercados financeiros e dos grandes negócios empresariais, e bem como, a divulgação dos casos de sucesso.


Ciência e Tecnologia

Revelação dos mais significativos e importantes estudos e investigações da ciência que estão ou estarão no futuro a influenciar a vida humana e o ambiente que nos rodeiam.
Os artigos mais pertinentes sobre os novos eventos tecnológicos e a antologia dos mais influentes cientistas dos últimos tempos.

Fugas e Prazeres

As sugestões mais interessantes para sair da rotina do dia de trabalho. As viagens de sonho, os locais mais cosmopolitas e rústicos a visitar, os restaurantes, as comidas e bebidas a experimentar.
Dá também a conhecer as novas tendências da moda e dos cuidados com o corpo humano, e a sedução dos mais recentes produtos e serviços de luxo.



sábado, junho 05, 2010

La Presidencia Española del Consejo de la Unión Europea: Deseos y Realidades


El 1 de enero de 2010 España asumió una nueva presidencia rotatoria del Consejo de la Unión Europea. Y como sucedió con las anteriores, el gobierno español ha considerado el semestre recién iniciado como una buena oportunidad para afianzar la imagen y el prestigio internacional del país y para mejorar, también, la propia imagen interna del Ejecutivo. En esto, pues, no hay novedad significativa respecto a presidencias anteriores o a las de otros países, pues no lo es que los distintos gobiernos utilicen ese escaparate semestral además de para defender determinadas líneas estratégicas que consideran prioritarias para el desarrollo de la Unión, para afianzar sus propias posiciones políticas internas. Lo novedoso del semestre español es que llega en un momento interno, europeo y global extraordinariamente complejo, definido por tres problemas fundamentales.

En el plano internacional, la crisis financiera y económica sigue dibujando un horizonte de dificultades y pesimismo. Cierto es que a finales del 2009 la mayoría de las principales economías mundiales dieron signos de recuperación, pero todavía siguen siendo señales demasiado débiles para borrar la incertidumbre general acerca de una recuperación global prolongada y sostenida. Aún más, las políticas de estímulo seguidas por muchos gobiernos han hipertrofiado los problemas clásicos de déficit y endeudamiento públicos, lo que arroja serías dudas acerca de cómo muchos países van a volver a las políticas de equilibrio presupuestario o, cuanto menos, de déficits públicos controlables.

La crisis ha acrecentado la falta de un liderazgo político internacional fuerte, desdibujando incluso la posición del presidente norteamericano Barack Obama, aunque las dudas acerca de su gestión tengan todavía una dimensión más interna que internacional. El hecho es que la fuerte caída de sus índices de popularidad ha difuminado un efímero pero real liderazgo que por su sola proximidad era capaz de incrementar el valor internacional del resto de líderes mundiales. En este contexto, un, en su momento, pretendido efecto de reforzamiento de liderazgo basado en la coincidencia entre el presidente Obama y el titular de la presidencia rotatoria de la Unión, Rodríguez Zapatero, parece hoy menos decisivo que ayer como medio a través del cual reforzar la imagen internacional del presidente español.

En segundo lugar, la reciente aprobación del Tratado de Lisboa no ha impedido que la Unión Europea sigua envuelta en un grave problema de clarificación institucional e incluso de búsqueda de su propia identidad como actor en el marco cambiante, fluido y líquido –que diría Zygmunt Bauman- de la sociedad internacional actual. Los inicios de la presidencia española han sufrido de forma lógica esta rearticulación institucional derivada del nuevo texto pues, evidentemente, no existen todavía mecanismos automatizados de reparto de papeles entre la presidencia rotatoria y la presidencia permanente o entre aquella y la Alta Representante para la Política Exterior de la Unión Europea. Eso por no hablar de que el procedimiento de examen al que se está sometiendo la Comisión en el Parlamento Europeo resta a la presidencia española capacidad real para articular y desarrollar institucionalmente sus propuestas.

La percepción, acertada sin duda, de estos problemas de funcionamiento interno de la Unión, ha llevado a España a considerar prioritario el desarrollo del Tratado de Lisboa. Necesario sí, pero poco atractivo también. Es decir, indudablemente supone un objetivo necesario, pero articulado como uno de los ejes centrales de la presidencia no puede por menos que resultar comprensivamente decepcionante para unos ciudadanos europeos verdaderamente preocupados por resolver su grave situación económica.

Además, a nadie escapa que la Unión se encuentra en un momento de indudable debilidad fruto de la interrelación de diversos procesos convergentes: unos, de origen interno derivados de un muy mal digerido aún proceso de ampliación a 27; otros de índole más estructural y que empujan a Europa a posiciones relativamente marginales dentro de un contexto global. Prueba de ello es la pérdida de influencia y peso frente a la pujanza de nuevos países emergentes como China, India o Brasil; el triste y secundario papel jugado por la Unión en la cumbre del Clima de Copenhague de finales de 2009; o las dificultades de articular una respuesta unitaria, rápida y eficiente al terrible terremoto que asoló Haití el pasado 12 de enero.

Esta percepción de la creciente excentricidad de Europa en relación a los nuevos poderes del mundo hacen cada vez menos creíbles las continuas propuestas acerca del liderazgo de la Unión en la globalización. Desde 1992 son demasiadas las estrategias y también demasiadas las decepciones para que esta propuesta, que no podía faltar entre los objetivos de la presidencia española, resulte ya un tanto retórica y carente de significado.

Por si estos problemas fueran pequeños, la presidencia española se ha iniciado en un momento de indudable debilidad interna del gobierno español. La pésima gestión de la crisis económica, con unos incrementos brutales de las cifras de paro, ha minado de forma considerable la credibilidad interna e internacional del gobierno presidido por José Luis Rodríguez Zapatero, muy especialmente en todo lo relativo a las propuestas de salida de la crisis. Esta debilidad es evidente y especialmente decisiva a la hora de poder articular los necesarios consensos para establecer compromisos firmes y de obligado cumplimiento, por lo que no puede esperarse que en estos seis meses puedan definirse unas alternativas creíbles a la fracasada Estrategia de Lisboa del año 2000. Y un nuevo fracaso sería todavía más grave pues la crisis económica amenaza cada vez más la propia homogeneidad interna de la Unión, dibujándose una especie de Europa a dos velocidades de difícil viabilidad futura. Eso por no hablar de la opinión de algunos gurús que vaticinan ya la quiebra de la Unión Monetaria por la situación de extrema debilidad de algunas economías de la zona euro, muy especialmente de la española.

Bien es verdad que la crisis ha demostrado la escasa capacidad predictiva de la inmensa mayoría de expertos económicos, pero ello no obsta para que sus opiniones repercutan en esa herida de credibilidad que actualmente sufre el Ejecutivo español.

Pero no todo en modo alguno es negativo. España puede impulsar las relaciones euromediterráneas y eurolatinoamericanas, mejorando los instrumentos de relación y de cooperación. Puede impulsar de forma notable una nueva agenda trasatlántica más convergente, eficaz e incluso decisiva en la solución de algunos problemas esenciales. Puede, asimismo, proponer medidas de coordinación económica que resulten atractivas para el conjunto comunitario. Y puede, por fin, dar un salto también decisivo hacia el continente asiático, así como incidir en la mejora de políticas tan importantes como las de igualdad o la lucha contra la violencia de género. Puede, en fin, plantear propuestas que aunque no logren acuerdos sustantivos sí podrían orientar decisivamente la agenda de la Unión hacia intereses más cercanos a los ciudadanos. Ciudadanos que son, en definitiva, quienes verdaderamente componen ese proyecto político todavía en construcción que es la Unión Europea

Juan Carlos Jiménez Redondo es professor en Instituto de Estudios da Democracia da  CEU - Universidad San Pablo de Madrid y miembro do Consejo Editorial de la revista Raia Diplomática.
 
Nota: Este artigo foi escrito em Janeiro de 2010

quinta-feira, junho 03, 2010

Victrix Media Consulting e a Fundação Minerva assinam protocolo de cooperação

No passado dia 27 de Julho foi assinado um protocolo de cooperação entre a Victrix Media Consulting e a Fundação Minerva – Cultura – Ensino e Investigação Científica, entidade titular das Universidades Lusíada.
Este protocolo visa estabelecer um quadro de colaboração entre as duas instituições, através da realização de actividades conjuntas em áreas cientificas.
A cooperação estabelecida abrange a colaboração editorial nas suas respectivas publicações e a realização de congressos, colóquios e seminários temáticos.

terça-feira, março 09, 2010

O regresso do blog da Raia Diplomática

O blog da revista Raia Diplomática tem a função de ser o espaço institucional da revista. Desta forma queremos dar conta dos projectos da RD aos seus leitores. A Raia Diplomática pretende portanto ser muito mais do que uma simples publicação, seja ela impressa ou online, pois para lá da informação da actualidade internacional que queremos prestar, existem paralelamente a isso, outras actividades do plano da discussão e da área lúdica que complementarão a unidade editorial deste projecto.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

A revista Raia Diplomática


Em Agosto de 2005, o agora Director da revista Raia Diplomática, Bruno Caldeira, criava o seu blog pessoal de Política Internacional.
Cinco anos depois, mais precisamente no dia 28 de Novembro de 2009 era lançada a primeira revista portuguesa de actualidade internacional, com o nome do mesmo blog - Raia Diplomática!!!

domingo, outubro 21, 2007

O Rapto da Europa

O estigma do resultado dos referendos ao Tratado Constitucional Europeu, na França e na Holanda, vieramamolecer ainda mais a dinâmica construtiva social da União Europeia, em que o cepticismo é cada vez maior.
Apesar de algumas restrições de debate e consequentemente inclusão na Convenção para o Futuro da Europa, pode-se porém, considerar um documento orientador muito positivo.
A União Europeia se verdadeiramente quer ter sucesso, e futuro promissor, tem que abandonar a tese pura e dura de “Europa de directório”, e concentrar-se também na noção de “Povos da Europa”. E se respeitar, um pouco dessa designação, a prossecução de medidas que fomentem o bem-estar dos seus povos, e estar ciente das preocupações sociais é fundamental que tenha atenção às razões verídicas da negação dos referendos anteriormente referenciados.
A discussão sobre o sucessor do Tratado de Nice, como é evidente, já não responde eficazmente às novas necessidades estruturais e politicas da União, e que agora se pretende que seja reformador. Ao que parece, na cimeira informal de Lisboa de 19 de Outubro passado, foi alcançado o primeiro passo para que o novo tratado europeu venha a ser uma realidade, culminando com a ambição da presidência portuguesa da União Europeia, para que este documento seja baptizado de Tratado de Lisboa.
Foram assim ultrapassadas as divergências provindas do governo britânico, e sobretudo do conservador governo polaco, que no fundo reflectem alguma ansiedade que reina no seio da União.
As intervenções do governo polaco revela ainda implicações mais profundas, no campo meramente politico, na sua anterior recusa em aceitar a mudança do sistema de votos no Conselho Europeu, mas o mais grave é usar uma argumentação digna da guerra fria, tendo como arma de arremesso, os horrores da II Guerra Mundial, especialmente a perspectiva de que sem o genocídio nazi aos judeus polacos, a sua população seria actualmente muito maior, e em consequência, teria mais peso politico no Conselho Europeu.
Realmente é mais um absurdo politico do governo de Kaczynski & Kaczynski, como também é o facto mais recente, de vetarem o dia europeu contra a pena de morte, em virtude da sua concepção ideológica contra a interrupção voluntária da gravidez.
Este antagonismo politico solitário da Polónia dá que pensar!!!
E quando se reporta que a União Europeia fala a uma só voz na sua politica externa, é mais uma falácia que se quer extrapolar a realidade, e o único exemplo clássico desse anseio será porventura, o conflito israelo-palestiniano, aonde há uma consciência una dos governos europeus de que o dialogo é a melhor tentativa de envolver estes dois povos do Médio Oriente na paz possível, é o caminho que deve ser seguido pela União Europeia.
E o caso emblemático dessa fricção, dessa descoordenação da politica europeia, é a tão propalada Cimeira UE-África, com a recusa de Gordon Brown em participar, se o ditador Robert Mugabe (mas há outros) vier a Lisboa, havendo o rumor de outros Estados-membros vierem a integrar o boicote britânico, como seja a República Checa e alguns países nórdicos, em claro contraste com a vontade de franceses e alemães.
O novo tratado que apesar de tudo ainda está na forja, e no fundo não passa de um “copy and paste” das matérias mais relevantes do defunto Tratado Constitucional Europeu, no que concerne na atribuição do cargo do Presidente da União Europeia e de um “ministro dos negócios estrangeiros”, que terá a designação de Alto Representante.
Estas são razões para que não haja uma verdadeira confiança nos destinos da União, pois está-se a pensar mais para fora do que para dentro, isto é, nos comuns cidadãos europeus.
De facto, essa concepção internacionalista da União Europeia, é apenas ilusória, pois como é visível, não existe uma verdadeira linha de orientação comum, só vontades e estratégias individuais.
Os desafios dentro da União já são enormes em termos políticos e sociais, e a questão da determinação do estatuto final do Kosovo, poderá ser a “ponta do iceberg” da Europa, aonde os Estados-membros estão imensamente divididos. Uns pela independência do Kosovo, influenciados pela atitude dos Estados Unidos, de dividir para controlar melhor, e tendo em vista todas as consequências que poderão aí advir, nomeadamente no que diz respeito à nova regulamentação do direito à autodeterminação e todas as relações jurídicas relevantes que estarão agora presentes, como é o direito de propriedade, e nesse domínio em especial, Chipre, já advertiu que mesmo a Sérvia reconheça a independência do berço da sua nacionalidade, estará diametralmente contra essa eventualidade, é bem revelador dessa profunda divisão da Europa.
Tal como o quadro do “Rapto da Europa”, do pintor italiano renascentista, Tiziano Vecelli, observando toda a sua dimensão visual e de introspecção, dá vontade de analisar os motivos contemporâneos, porque razão querem rapinar a essência da beleza da Europa, um pólo mundial de uma nova ordem consciente de prosperidade dos seus povos, tendo como características principais a liberdade, abertura de espírito e o respeito pelas instituições democráticas, em vez de perpetuarem em aventurismos viciados, e quase personalizados, exemplificados pela correria louca do touro de Tizziano.

domingo, agosto 27, 2006

Líbano e Israel – Entre a Paz e a Guerra


Como se previa as tréguas entre o Exército Israelita e o Hezbollah são muito ténues, e a própria Resolução 1701 veio a reforçar esse espírito inquietante. Contudo é muito melhor uma situação de instabilidade e de algum jogo de terror psicológico do que a realidade nua e crua da guerra, dos bombardeamentos, do sofrimento e da morte.
Se a aprovação da Resolução 1701 foi feita sob a pressão, de um lado dos Estados Unidos que demarcou bem a posição de Israel, exigindo algumas clausulas neste documento que põem no terreno a paz muito débil, por outro lado a opinião pública internacional que ficou horrorizada pelo ímpeto bélico, sobretudo da aviação israelita aos alvos civis, sejam eles urbanos ou nos meios rurais.
Alias, Israel perdeu a guerra de facto, pela sua mediatização nos meios de comunicação social e pelos seus sucessivos erros táctico-militares que minaram por completo a credibilidade do governo de Telavive neste conflito.
Ao contrário de outros confrontos militares mais ou menos recentes, aonde a sua exposição pública, aquilo que os “mass media” transmitiam era apenas a parte que um dos beligerantes queria que transparecesse para o exterior. Recorde-se da guerra na antiga Jugoslávia, em que os separatistas eslovenos, o HDZ de Tudjman e o DAS de Izetbegovic rodearam-se de poderosas agências americanas de marketing e imagem que criavam ficção em realidade para além da criatividade dos seus profissionais para o transformismo das imagens televisivas e dos relatos mais ou menos incoerentes, possuíam fortes influências junto dos políticos americanos e europeus para dar seriedade ao seu trabalho, que na sua maioria era falsa e que por roçava o sarcasmo.
Mas esta ficção não tem grandes semelhanças com o conflito a que estamos a presenciar, Israel cometeu demasiados erros estratégicos que os “katiuskas” do Hezbollah podiam ser considerados como actos de legitima defesa, ou melhor, de vingança ao massacre perpetuado pelo exército israelita à indefesa população libanesa. Era a inversão da lenda de David e Golias, sendo Israel neste contexto o imponente gigante que queria destruir o pequeno David (Líbano).
Todavia Israel ainda não se apercebeu donde veio a sua derrota, e viola grosseiramente, e com alguma frequência o cessar-fogo, atacando bairros xiitas de Beirute, alegadamente devido a movimentações militares do seu rival.
Tais acontecimentos obrigaram o governo do Líbano, até então o mais neutral em relação ao medir de forças entre uma facção do seu próprio governo, o Hezbollah, pois não esqueçamos que este partido político e milícia armada é o grande orientador espiritual e económico de mais 1/3 da população do país do cedro, a condenar vivamente mais uma prepotência israelita, e inclusive a ameaçá-la de intervir também no terreno das operações.
Já a ameaça calculada e política ao Hezbollah para que esse não atrevesse a lançar ataques ao norte de Israel a partir do Líbano, que também seria um dos alvos do exército regular libanês, vem colocar o governo de Sionora numa posição moralmente elevada, isto é, patrioticamente iria ripostar aos ataques do Tsahal, e por outro lado, avisando o Hezbollah que apesar não poder desarmá-lo, conforme diz a nova resolução das Nações Unidas, vem assim anunciar ao seu povo que quer manter a paz, custe o que custar.
Sionora faz assim a primeira jogada táctica de relevo em relação aos seus colegas xiitas da sua coligação, estando agora lado a lado na simpatia do povo do Líbano em relação a Hassan Nasrallah.
Mas tudo isto poderia ser evitado se houvesse uma maior celeridade no processo de formação da nova UNIFIL.
Todas estas peripécias da doação dos efectivos das forças da ONU, mostra bem o sentido oportunista e da falta de crença dos países ocidentais em consolidar a paz no terreno – franceses, britânicos e americanos têm todos culpas no que está a suceder, e em verdade, todos eles têm uma grande cota de culpabilidade no desencadear e no desenvolvimento desta guerra.
Teorizado no papel o desarmamento do Hezbollah, e como correu a sua actuação militar, o governo libanês e o seu exército, não tem capacidade para efectivar e para cumprir essa exigência. E a ser cumprida essa deliberação, neste preciso momento teria consequências devastadoras para o Líbano, com uma guerra civil com contornos imprevisíveis, pois os ganhos de popularidade que os “guerrilheiros de deus” gracejaram do povo muçulmano em geral, fazia retalhar o Líbano em duas partes quase simétricas, o que era simplesmente catastrófico.
É urgente trabalhar no desarmamento do Hezbollah a médio prazo, em primeiro lugar, para acabar com um Estado dentro do Estado multi-étnico do Líbano, de modo que a democracia floresça de vez, nesse cantinho que outrora foi a antiga Fenícia, para que cesse esta situação de bloqueio ao desenvolvimento de um Estado livre. E também, satisfazer as exigências de segurança de Israel que por sua vez não está isento neste processo.
É muito curioso que nos primeiros dias de cessar fogo, muito vigiados pela “sociedade” mundial, e apesar das pequenas escaramuças, até estava a ser respeitado, para depois descambar numa atroz violação da paz.
É claro que quando os políticos querem que as coisas aconteçam, tudo se esforçam para obter o sucesso desejado, mesmo com os contragimentos que isso possa acarretar.
Obviamente, houve uma mudança repentina do governo de Israel quanto às tréguas, estando agora a experimentar, o sentimento de reacção no seu inimigo xiita, para reacender o “rastilho” da guerra.
Todavia, se o seu antagonista não ripostar e aguentar firme na preservação da paz, Israel fica cada vez mais embaraçado com a atitude que teve para com as populações indefesas.
O governo de Olmert e Peretz que ainda estão a fazer contas aos danos provocados pela guerra, mormente os psicológicos, não pode ensaiar arrufos de destruição e a cometer barbáries quando o tempo agora é de reflexão, especialmente quando o território que atacou por várias semanas está a começar a levantar-se das cinzas, e era positivo que humanamente compreendesse o drama de milhares de pessoas que ficaram sem nada e das centenas de milhar de deslocados que regressam agora a um cenário de horror.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Haifa - Deixem difundir o seu perfume da paz

Haifa é a terceira maior cidade de Israel, e sobre ela reza um ditado muito peculiar, conjuntamente com as outras duas cidades “rivais” – Jerusalém e Telavive, e ele diz o seguinte: “Jerusalém reza, Telavive diverte-se e Haifa trabalha.
Situada a poucos quilómetros da fronteira com o Líbano é o alvo preferencial da contra-resposta bélica do Hezbollah, atormentando de angústia e sofrimento os seus habitantes.
Mas Haifa não merece tal injusta sentença, só por ser o alvo mais óbvio dos mísseis, obuses e dos “katiuskas” vindos do outro lado da fronteira.
Haifa inspira paz e confiança. São inúmeros casos de tolerância religiosa entre judeus e árabes, havendo até convivência entre eles, elevando assim o espírito da paz e de reconhecimento das duas culturas.
Muitos são os exemplos de quem quer dar uma nova fé ao Médio Oriente, arriscando a sua própria vida em prol de um dinamismo humanista e universal. São aqueles hérois de uma causa que verdadeiramente acreditam como é o caso de Sami Michael, Presidente da Associação de Direitos Cívicos de Israel que se tem empenhado arduamente a favor da paz com os árabes, e por vezes recebe ciclicamente ameaças de morte dos maníacos da intolerância e do horror, inclusive na sua intimidade.
Na sua entrevista ao Courier International de Paris, Sami Michael afirma o seguinte: “Haifa é a única cidade do Médio Oriente que soube manter-se sã. Não vê um homem um inimigo por ele ser judeu, muçulmano ou cristão, reina nela um ambiente de coabitação entre judeus e árabes".
Mas até para este baluarte do respeito inter-religioso pode ser abalado por um perigoso desvaneio do governo de Olmert.
Se para as pessoas do Líbano que foram massacradas pelas bombas da aviação e do exército israelita, inocentes que morreram por causa da fúria militar do Estado judaico, qual será o seu sentimento perante os judeus em geral; raiva, revolta e ira , e não serão os mesmos sentimentos que terão o povo judeu de Haifa, com os islâmicos do Hezbollah a estereótipizar todos os árabes que lançam indiscriminadamente o seu arsenal belígero para esta magnífica cidade.
O espírito de Haifa não pode morrer!!
Está previsto para o dia de hoje o fim oficial das hostilidades, e apesar da aprovação da resolução 1701 das Nações Unidas, e sobretudo da sua aceitação pelo conselho de ministros do governo israelita, cinicamente as suas actividades militares endureceram ainda mais, até mesmo na capital Beirute, ao que se consta não está no sul do território libanês), que é a justificação oficial do exército judaico para intensificar os ataques de modo a limpar e criar o tal “tampão” aos guerrilheiros do Hezbollah que nunca foi alcançado na sua plenitude.
Para além deste inexplicável fomento bélico até à hora do cessar fogo oficial, alguns pontos da resolução têm fraquezas assinaláveis, e basta reparar num em especial – a permanência das tropas de Israel no território do país do cedro e o espaço temporal que medeia a entrada da UNIFIL no terreno pode ser tarde demais para evitar o reacendimento do conflito que se espera que finde as suas acções.
É evidente que Israel não geriu bem este conflito, a sua génese e o seu desenvolvimento, vamos ver como vai ser a sua conclusão.
Politicamente foi um desastre aos olhos da opinião pública internacional com os sucessivos ataques aos civis libaneses, intoleráveis à luz da elementar justiça, do direito e da moral.
Perdeu na vertente político-militar com o seu opositor xiita pois não o conseguiu aniquilar que era o seu grande objectivo, prolongando uma guerra que pensava que fosse de uma questão de dias, tendo ainda sentido na pele a resposta dos “katiuskas” do Hezbollah às cidades do Norte de Israel, e sobretudo à sua população inocente.
Apenas no campo estritamente militar é que venceu na invasão territorial e na manifesta desproporção de vítimas no conflito.
No plano interno, e principalmente para a esquerda e para o Partido Trabalhista aparentemente mais dedicado à paz que os seus adversários de direita, o seu líder e Ministro da Defesa, Amir Peretz tenha sido um dos co-responsáveis por este contenda inútil para pacificar a região e o Estado de Israel. E muitas consequências poderão resultar desta peripécia para a coligação governamental, sobretudo para o Kadima quer para o Partido Trabalhista, pois o Likud deverá aproveitar politicamente esta infelicidade militar.
No plano externo, todas as forças extremistas da região lucraram ou aqueles que se opõem a Israel venceram.
A Síria que pela via do Hezbollah, isto é, pelas razões de cooperação militar e em especial das armas de seu fabrico atingiram uma vitória quase inesperada nas cidades israelitas. Ao mesmo tempo saboreiam uma pequena vingança pela sua saída apressada do Líbano a mando dos Estados Unidos e da França e oficializada pelas Nações Unidas.
O Irão e os Estados Unidos que mediram forças entre si com esta guerra de procuração, aumentaram os índices de confiança e de popularidade do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e do seu governo conservador e o mesmo aconteceu com o Hamas em relação à Fatah do presidente da autoridade palestiniana Mahmoud Abbas.
Por fim, Hassan Nasrallah, líder do movimento xiita libanês viu também a sua popularidade crescer em flecha, não apenas dentro da sua facção religiosa, mas também um pouco pelo Líbano e no mundo árabe, pois afinal de contas conseguiu suster o mais temível exército do Médio Oriente.
Nesta malha de forças é impossível excluir qualquer protagonista, seria o maior erro da diplomacia responsável, porque o isolamento do Irão como é defendido por alguns agentes políticos que em face da realidade actual não é praticável, era então esconder o caminho da paz e atalhar por um sinuoso desvio. Por outra via, levantam-se agora novas e velhas questões como seja a da energia nuclear e consequente equilíbrio de forças na região fazem do Irão com conservadores ou com progressistas no poder, um elemento a considerar inabalavelmente neste jogo de alta tensão.
E para jogar neste jogo de alta tensão nada melhor que inspirarmos no perfume social produzido por Haifa que se espera não ter sido muito adulterado com esta guerra.
Por isso deixem difundir o encantador aroma do perfume da paz de Haifa em todo o Médio Oriente.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Líbano – Mais uma história fatídica no Médio Oriente


Por várias razões o Médio Oriente é a região do mundo mais mediática, e até a um certo ponto a mais sinistra. Ora, a sua situação geoestratégica (relembramos do seu destaque na Guerra Fria), economicamente apetecida pelo petróleo, religiosamente e culturalmente espelhada por um drama de intolerância.
Falar da barbárie do que está acontecer no Líbano, não se pode ser alheada dos factores anteriormente referidos, que constituem a essência do complexo mosaico de tendências que é o Médio Oriente.
De facto, o pensamento do Médio Oriente independentemente da sua natureza confessional ainda está muito enraizado nas expressões bíblicas, em especial numa, “dente por dente, olho por olho”.
Por outro lado, os povos do Médio Oriente são constantemente enganados e ultrajados pelos pseudos mediadores de paz vindos do exterior da região, porque de justos, isentos e neutrais não têm nada, se não vejamos:
Os Estados Unidos jamais nunca poderá ser um verdadeiro e honesto interlocutor, pois é notório a sua estreita ligação ao Estado de Israel, por via do seu poderoso lobby judaico na política e na sociedade norte-americana.
Aliás, em Israel, hoje discute-se as vantagens e desvantagens em ter uma influência tão manifesta dos Estados Unidos na política interna do Estado Judaico.
A França que até foi uma das potências colonizadoras do Líbano, é internamente sujeita à “mass opinion” dos emigrantes muçulmanos e magrebinos, e à sua obvia influência na sociedade gaulesa, para não falar que o Estado Francês não quererá enfurecer os nacionais dos países aonde tem grande preponderância económica como são as suas ex-colónias cuja a religião principal na maior parte delas é o islamismo.
Em suma, os Estados Unidos e a França apostam em “cavalos de corrida” antagónicos.
A Grã-Bretanha é antes de mais um caso de seguidismo cego perante o seu aliado americano, em que só a lógica económica é que interessa. A paciência, a assertividade, o saber ouvir e o saber interpretar não se coaduna muito com a frieza do carácter anglo-saxónico.
Por fim temos a Alemanha, que de todas as outras potências tem uma posição mais dúbia e periclitante, porque se é verdade que os fantasmas da época hitleriana e do holocausto nazi ainda não desapareceram da cabeça dos alemães, também é verdade que grande parte os emigrantes que vivem na maior economia da Europa, são provenientes dos países islâmicos, inclusive do Médio Oriente. Mas na realidade, a sua pouca acutilância diplomática resulta porque os “cavalos de corrida” já estão ocupados pelos respectivos jockeys, e a sua única opção é apostar no cavalo e no jockey certo.
Então será que a alternativa União Europeia é a mais fiável?
Certamente que sim. E embora possa ter no seu seio correntes opostas quanto à simpatia dos beligerantes, porém existe um sentimento generalizado nos europeus que quer efectivamente a paz, e por haver essa tal multiplicidade de opiniões, é a sua grande valia.
É claro que tudo isto é no plano teórico, porque na prática os dirigentes europeus, em especial da Comissão Europeia, passando pelo seu responsável para as relações externas, estão a deixar as suas profundas marcas de inércia, de incompetência, de parcialidade e sem visão da realidade do dilema em questão.
Porque, se a paz é mesmo desejada por eles, se a diplomacia é que é a arma aniquiladora da guerra, é lógico que todas as partes, todos os elos influentes do conflito devem ser ouvidos e integrados no jogo da paz: Israel, Líbano/Hezbolah, a Palestina – Fatah e o Hamas, a Síria e o Irão.
Infelizmente esta tempestade sangrenta e infame de ambas as partes que por interesses de grupo, põem em causa a estabilidade de toda uma região marcada pelo sofrimento inútil e sem razão de ser.
A astúcia humana não tem limites, por vezes os adversários de ódio, por vezes acordam entre si, e manobram as vidas de milhões de pessoas que apenas querem viver em prosperidade, harmonia e sobretudo em paz.
Socialmente o Líbano está dividido em três grandes grupos: sunitas, xiitas e cristãos, que por sua vez ocupam os três cargos mais importantes do Estado, e uma desestabilização no país do cedro, que antes da guerra com Israel nos anos 80 do século passado, e sua capital, Beirute, era considerada a “Paris do Médio Oriente”, símbolo de um desenvolvimento assinalável antes de uma fratricida guerra civil. Hoje, infelizmente parece haver pontos de contacto adaptados aos tempos actuais.
Para o bem e para o mal, odiada por uns, venerada por outros as tropas sírias estacionadas no território libanês serviam de tapão a qualquer desvaneio dos políticos e dos militares de Israel, e o mesmo acontecia com os ataques do Hezbolah ao território judaico, e o decreto de culpabilidade imposto pelos Estados Unidos e pela França à Síria pelo assassínio do antigo primeiro-ministro libanês Hariri está envolta de grandes dúvidas, e sem provas categóricas de tal acto. Por outro lado, questiona-se esse o rapto dos dois soldados israelitas não terá sido premeditado pelo próprio exercito a mando do seu governo, para legitimar a resposta a massiva, desproporcionada e quase criminosa que faz esses ataques perante os civis libaneses, na sua maioria xiitas, já que só uma pequeníssima minoria desses bombardeamentos são feitos directamente aos guerrilheiros dos Hezbolah.
São dois acontecimentos que poderão estar directamente ligados, sendo apenas a ignição necessária para o eclodir de uma guerra com contornos imprevisíveis, pois os laços de solidariedade e a globalização de um evento com esta envergadura é deveras temível para o futuro da população do Médio Oriente que nada têm haver com este jogo musculado e cínico.

quinta-feira, novembro 24, 2005

A invasão turca

Muito se fala da crise de valores, de identidade e de referências da sociedade portuguesa, que por sua vez está a provocar a actual crise sócio – económica. A agravante de toda esta realidade dura e crua, não é exclusiva de Portugal, e está também afectar as instituições da União Europeia, em consequência da ausência de líderes fortes no seio dos Estados-membros, em especial no eixo franco-germânico.
Seja ele considerado bom ou ruim, a dinâmica imprimida pelas duas maiores potências da Europa Continental, resultou num aprofundar sistemático das instituições comunitárias, sobretudo até ao início da década de 90.
Nessa altura singravam na cena política internacional personalidades como Jacques Delors, François Mitterand ou Helmut Kohl, havia sem dúvida alguma referências para os seus povos, que credibilizavam os seus esforços europeístas.
Hoje, isso não acontece, pois pura e simplesmente não existem individualidades idóneas que dêem confiança no que concerne à unidade europeia, muito pelo contrário, a vontade e o desejo dos povos da Europa são constantemente vetados por uns meros eurocratas, sem qualquer tino de responsabilidade no que diz respeito ao futuro concreto de todos os europeus.
É portanto discutíveis até que ponto as decisões políticas comunitárias terão o efeito pretendido, quando existe pouca confiança entre os cidadãos e os eleitos. É essa fraqueza nos alicerces da Europa que pode a médio prazo ditar a ruína da construção europeia, sobretudo com a inclusão de assuntos da primeira ordem da discussão e na implementação de acções concretas que nada fomentem o desenvolvimento dos europeus, como é o caso da adesão da Turquia!
De facto, a colocação da questão da adesão da Turquia em cima da “mesa” das preocupações da Comissão Europeia, só significa uma coisa, em especial, com os resultados negativos dos referendos na França e na Holanda, no concerne à ratificação do novo tratado da Europa – a falta de respeito pelas inquietações desses dois povos fundadores da ora União Europeia, e bem como a ausência de pudor em cumprir as promessas que foram feitas após esses dois “terramotos” políticos, ou seja, de repensar o modelo social da Europa, porém, o mais gravoso de todos esses lobbies pró – Turquia, que está mais visível nos membros que lideram as instituições e dos governos de alguns Estados-membros é de branquearem da História o genocídio turco sobre milhões arménios, a opressão sobre os Curdos, a invasão de Chipre, o militarismo que fere a liberdade e a democracia interna do povo turco é vista de ânimo leve.
Porquanto se essa vontade de fazer aderir a Turquia ao projecto europeu se mantiver por esses decisores políticos pouco escrupulosos, a caracterização verdadeiramente nobre e distinta da União, isto é, a liberdade e a democracia será vencida pela altivez falsa e de colocar uma questão insensata que é a religião no cerne deste debate.
Por outro lado, e porventura a Turquia venha aderir à União, oxalá que isso nunca venha a surgir, as fronteiras da Europa política deixam de existir, pois se esse país asiático, cuja sua capital está na Ásia Menor, então se é assim, porquê é que há-de recusar a adesão de todos os países do Norte de África, (o Magrebe) que há longos séculos, tal como a Turquia mantém vários tipos de relação com a Europa. E então, porquê não aceitar a entrada dos países do Médio Oriente, e já agora daqueles onde outrora estava situada a Mesopotâmia, para muitos foi berço do pensamento europeu.
À luz da pretensa adesão da Turquia, e segundo os mesmos critérios, era legitimo que Marrocos, a Argélia, a Líbia, a Tunísia, o Egipto, Israel, a Palestina, o Líbano, a Síria, o Iraque, Irão…e quem sabe se isto expandiria mais para leste ou para sul.
Aos olhos de um mero cidadão do mundo, a inclusão destes países na União seria impensável, mas atendendo ao factor histórico, o grande argumento dos defensores deste tipo de alargamento, tudo isto seria possível. No entanto o que diferencia estes países dos actuais 25 Estados-membros, não será o factor cultural, em grande medida influenciado pela religião, sobretudo pelo cristianismo, que de um certo modo veio a unificar o pensamento, os hábitos e os costumes dos europeus, com as suas devidas distinções regionais.
A alegação de que se quer apenas fazer da Europa, um “clube” cristão é falsa, porque em que a Albânia e a Bósnia, países de maioria muçulmana tiver condições e vontade para aderir à União, só que nesse caso existe um dilema regional de grande conflituosidade étnica e religiosa que atrasa a convivência pacifica dos povos dos Balcãs. Aí sim, urge a necessidade de resolver a intemperidade política e social que assola há mais de uma década esta terra da Europa.
Os Balcãs e a Turquia são a dicotomia da ampliação da União. Isto é, ou tenta pacificar e desenvolver uma região massacrada pelo ódio, de modo que o expansionismo europeu tenha continuidade e se cinja ao espaço territorial do velho continente, e que não entre numa tolice chamada Turquia que nos é culturalmente distante, corrompendo portanto a caracterização social e geo-politica da Europa.
Do ponto de vista politico e moral é inaceitável que um país que é apenas pretendente, não reconheça Chipre como nação soberana e independente, que é neste momento um Estado-membro de pleno direito, o que só revela a prepotência perante as instituições comunitárias, sendo encoberto por este cinismo pela Comissão Europeia que pretende com esta situação somente liberalizar e desregular as relações económicas, porque com a entrada da Turquia poderia aguçar o apetite dos grandes investidores em apostar neste país da Ásia Menor, deslocalizando várias unidades industriais, aproveitando uma mão-de-obra baratíssima e pouco qualificada, e ao mesmo tempo usufruir de um mercado com mais de 70 milhões de consumidores para escoarem parte da sua produção.
Vinco o facto de não se poder esquecer dos atentados contra os direitos humanos por parte do Estado turco, fora das suas fronteiras como foi o genocídio arménio ou a intolerância com os Curdos, e quer no plano interno, com a sistemática violação dos direitos básicos constitucionais do povo turco, que é o próprio alertar a farsa orquestrada pelo o seu próprio governo, aonde são as próprias organizações de defesa dos direitos cívicos a duvidarem da real intenção de um Estado altamente militarizado, que tenta apagar uma imagem de intolerância e de perseguição, tendo ao seu dispor uma importante ajuda de uma parte significativa dos políticos europeus, mas que não é corroborada certamente pelos povos da Europa, porque são estes a ultima hipótese da União ainda poder-se salvar de legitimidade democrática contrapondo aos seus políticos manipuláveis e dúbios.
Não se pode escamotear a verdade e a realidade!!
É evidente que a Turquia não sendo um país europeu definitivamente, tem tal como os países que marginam o Mar Mediterrâneo, um importantíssimo papel a desempenhar como um bom vizinho, aberto à cooperação bilateral a vários níveis, desenvolvendo-se socialmente de modo a irradicar os factores negativos que assolam a sua sociedade.
Contrariamente, ao que pensam os seus governantes, a influência do país que Ataruk fundou, desempenhará na Europa não será de acção política interna e directa, mas sim de acção externa, muito devido à sua situação geo-estratégica no Médio Oriente, e se tiver vontade poderá servir de catalizador de experiências, de acções e de esperança, em pacificar a sua região de afectividade, o mundo árabe, sendo portanto este o seu desígnio natural, e certamente terá maior abertura, dedicação e apoio das instituições comunitárias e dos europeus.

terça-feira, agosto 09, 2005

KARÉLIA E KOSOVO - DUAS TERRAS DESAPROPRIADAS DA PÁTRIA




Durante várias décadas o continente europeu não registou após a Segunda Guerra Mundial nenhum conflito beligerante oficial dentro das suas fronteiras, e que estivessem envolvidas nações europeias em acesa disputa bélica.

A guerra fratricida que fragmentou a antiga Jugoslávia, e que posteriormente se replicou com mais intensidade na Bósnia e no Kosovo, puseram fim à paz oficial que graçava na Europa, independentemente dos inúmeros conflitos e tensões sociais que um pouco por todo o espaço europeu ainda subsistem.

Muitas vezes ouvimos falar em povo sem terra, contudo na nossa Europa existem duas situações, ou melhor, duas terras desapropriadas da sua pátria – a Karélia e o Kosovo.

Situada no extremo norte da Europa, a Finlândia obteve a sua independência após longos séculos sobre domínio sueco, e a partir de 1809 subjugados pelo poder czarista da Rússia, apesar que nessa época, a Finlândia era então um Grão-Ducado da Rússia, gozava até de uma certa autonomia.

E foi através de um gesto culturalmente relevante para a afirmação da identidade nacional finlandesa, quando o médico Elias Lönnrot recolheu na parte oriental do país, na precisamente na província da Karélia, aonde o estado de conservação das canções e dos costumes dessas gentes que remontavam a milhares de anos, e cujo esse testemunho era transmitido pela forma oral, de geração em geração, surgindo até mesmo relatos das vivências desse povo desde a génese humana.

Curioso, e mais precisamente aconteceu no ano de 2003, em Penamacor, aquando da apresentação da epopeia nacional finlandesa, que foi nem mais nem menos que o produto das recolhas de Lönnrot, questionei as tradutoras desse épico para a língua portuguesa, se a guerra da independência tinha sido inspirada nos feitos dos heróis da Kalevala como Väinämöinen, Ilmarinen, Lemminkäinen, e de todos os outros, o embaixador Esko Kiuru que também estava presente nessa sessão, retirou das mãos das tradutores, o meu e-mail com as minha inquietações e dúvidas sobre a Kalevala, e esse diplomata afirmou peremptoriamente em relação a essa pergunta, que sem duvida a Kalevala tinha influenciado em muito o fomentar do sentimento nacionalista dos finlandeses.

Mas as contingências estratégicas da Segunda Guerra Mundial e o expansionismo da União Soviética de Estaline, resultou na anexação de uma parte da Karélia finlandesa durante a guerra da continuação, que foi o preço a pagar pela não submissão do valoroso povo da Finlândia à tirania soviética. Nem mesmo a mestria de grande estratega militar do Marechal Carl Emil Mannerheim evitou que uma terra tão mítica como é a Karélia fosse retirada sem dó nem piedade à sua pátria.
A injustiça continua!!!

Em relação ao Kosovo à sua desanexação tem contornos bem diferentes, pois vai-se fazendo aos poucos, como quem dilacera um cadáver, extraindo órgão a órgão ao infeliz contemplado.
A perda da Karélia finlandesa foi feita em contornos brutais e imediatos, porém, o Kosovo está a ser extirpado à Sérvia de modo também brutal e mas muito continuado.
Neste pequeno pensamento sobre estes dois contextos, o finlandês e o sérvio, e em especial para este último não tem grande significado o relato da guerra do Kosovo, ou pelo menos a não descrição cronológica e exaustiva desta tragédia.

O que merece relevância para o assunto em questão, o direito de propriedade, é este fenómeno maquiavélico perpetuado pela emigração albanesa, que subjuga a ora minoria sérvia a tratos repugnantes perante a indiferença e hipocrisia da comunidade internacional, e em especial da União Europeia, que por um lado é temente à influência dos Estados Unidos e da OTAN na região, e por outro, não ousa enfrentar o “touro pelos cornos”, ou seja, pôr água na fervura sobre a grande ferida da Europa que continua incessantemente a sangrar – os Balcãs.

É tenebroso observar os kosovares sérvios que estão prisioneiros dentro da sua própria terra, sem que nada possam fazer de modo a não continuarem a ser humilhados.
É claro que esta usurtrapassão territorial pelos albaneses para além de ser nefasta do ponto vista do equilíbrio emocional e social do Kosovo, é mais extrema pois visa construir a grande Albânia, e está a inquietar e a desestabilizar os outros países dos Balcãs.
Esta é uma prova da negatividade da emigração politizada e da falta de adaptação à cultura do país acolhedor.

A Finlândia por sua vez tinha e ainda tem que jogar em dois tabuleiros, o do ocidente, aquele que se identifica e da grande Rússia que em virtude da sua dimensão e influência terá que sujeitar-se ao dialogo, à pacificação dos povos, embora sempre sentirá esse trago amargo na boca de não ter para si a sua amada Karélia e os outros territórios perdidos para a então União Soviética.

Quanto ao Kosovo, a Europa que se afugenta com essa patologia inflamada, tem que ter obrigatoriamente de possuir coragem e ousadia para a curar definitivamente ou que solucione pelo menos nas próximas décadas o estalar constante e sucessivo de convulsões étnicas e religiosas, que está a abalar significativamente o desenvolvimento social desses povos, e que reponha a verdade do Kosovo, um Kosovo que sempre pertencerá historicamente à Sérvia e não a uns abutres vizinhos perversos.

O Rumo da Europa


A escolha da actual comissão europeia tinha como pano de fundo o antagonismo entre a esquerda e a direita – o partido socialista e o partido popular europeu. Após várias tentativas frustradas para escolher o líder da comissão, chegou-se a um certo momento em que essa luta encontrava-se confinada a dois portugueses – António Vitorino, o então muito prestigiado comissário europeu, e no outro lado da barricada, Durão Barroso, o então primeiro ministro português.
Após conturbadas cenas no Parlamento europeu para tentar aprovar a comissão europeia de Durão Barroso, que tinha abandonado o cargo de governante de Portugal, posição essa que foi outorgada pelo povo português, passando assim a “perna”, a António Vitorino, em virtude do enfraquecimento dos socialistas europeus nas ultimas eleições para o Parlamento Europeu.
Se ao tempo os dois homens podiam ter perspectivas diferentes quanto à orientação da União europeia, pelo menos, no campo da ideologia política, hoje, pouco tempo depois do “terramoto” político francês, Durão Barroso, ou melhor, José Manuel Barroso, para os amigos europeus, e António Vitorino parecem estar a convergir. Ambos dão a sensação de serem duas múmias paralíticas no concerne à resolução da morte prematura do tratado constitucional europeu.
Para estes dois senhores, uma pausa na ratificação no tratado constitucional será a melhor forma para contornar o imbróglio desta situação.
Assim, quem fala de pausa, também pode aferir-se ao termo de congelamento, mas paralisar este instrumento político e de gestão da União europeia será por quanto tempo? E qual será a sua utilidade?
Para responder a estas perguntas de retórica simples, era preciso que estivéssemos a viver num contexto que não é o actual, isto é, numa fantasia, num sonho de eurocratas.
Acordem!!!
Não é preciso repetidamente frisar que este tratado já não existe, e quem utilizar um discurso fútil e infértil da sua realidade, lançando grandes quantidades de areia ilusória, só está a contribuir para o afunilamento da caracterização do sentimento de ser europeu. Pois para combater esse declínio sentimental como a comissão europeia já reconhece, deverá no mais curto espaço de tempo procurar as razões dessa descrença e implementar políticas e acções que contrariem tal situação.
Porém, o tempo a que me estou a referir começa a contar a partir de… agora. Não há tempo para pausas, porque a vida quotidiana dos cidadãos europeus constrói-se dia-a-dia, seja a nível laboral, cultural, económico e social, e em especial, o político que agora estamos a tratar.
Portanto, não há tempo para pausas ou para coisas afins.
Muitas vezes a “opinion makers” está tão segmentada e uniformizada que se afastam da realidade.
Os extremismos invocados na defesa e na oposição deste tema em concreto, é reveladora de um certo cinismo quanto à sua verdade, à sua verdade sofismável.
Doravante, todo este processo que se desenvolveu desde a necessidade de projectar um tratado no qual estaria inserido um texto constitucional complementar às constituições nacionais de modo a corresponder às exigências do alargamento a leste e a todas as consequências provenientes dessa situação, passando pelos trabalhos da convenção para o futuro da Europa, que pela primeira vez abriu a discussão desse ante-projecto às várias susceptibilidades das instituições europeias e dos parlamentos nacionais, todavia, não teve a ousadia de ouvir mais profundamente as inquietações dos povos europeus até à sua aprovação no Conselho Europeu de Roma, realizado no dia 29 de Outubro de 2004, jamais o poderão dizimá-lo à pura inexistência e votá-lo às trevas do esquecimento. Foi muito relevante todo o trabalho dessa convenção, e é insensato deixar tanto esforço para o lixo.
Por outro lado, a dimensão do texto constitucional deixa enormes reparos a fazer. Porque, se pretende unir os povos da Europa, a certos e precisos valores culturais e universais, sendo esse o elo de ligação à União, um acto constitucional mui sui generis. E se alguns Estados-membros adoptaram o método referendário para ratificar e legitimar o tratado nos seus respectivos países, e se é efectivamente para o povo a que se dirige este conjunto de normas, dividida em quatro partes, sendo a segunda há muito conhecida, pois é a Carta dos Direitos Fundamentais da União, os mais de quatrocentos artigos são claramente desadequados para a génese do constitucionalismo europeu unificado.
As instituições europeias e os governos nacionais não devem camuflar a realidade social dos europeus, no que diz respeito ao conhecimento que têm sobre a União em que estão inseridos e do seu funcionamento, sabendo discernir quais são os seus direitos e deveres.
O critério a utilizar por essas entidades não pode continuar a ser do “arremessar” informação sem controlo, ou seja, cada Estado-membro, cada região, cada localidade tem a sua própria especificidade, e portanto, possui diferentes níveis de integração europeia, o que implica uma distinta aplicação das acções de adesão social à causa europeia.
Porventura, a elaboração deste texto tinha em consideração os cidadãos europeus. E se partirmos do princípio que este era a origem de uma nova e importante etapa de consolidação do espírito europeu, o seu conteúdo teria que forçosamente que ser muito mais simplificado e conciso.
É bem verdade que o cerne da reprovação do tratado constitucional implicou antes de mais, questões nacionais, e é precisamente esse dilema que o futuro tratado deve fazer enfoque, isto é, promover a cidadania europeia, clarificando de vez que é um complemento e não uma substituição da cidadania nacional.
Aquando da adesão dos dez novos Estados-membros, sobretudo nos meios de comunicação social muito se escreveu que era mais um sucesso da União. Ora, o tempo veio a demonstrar que tal não era totalmente verídico, e o último Conselho Europeu, foi a prova viva disso. A crise económica a que estamos a atravessar, a dimensão populacional que os novos Estados-membros vieram dar à União, e o seu atraso social, na sua generalidade, à posterior ficou bem manifestado do absurdo que foi o derradeiro ampliamento da União, sobretudo numa época de “vacas magras”.
A diversão como está a ser tratada a adesão da Turquia, é bem demonstrativo da dicotomia entre eurocratas e da maioria dos partidos políticos, e por outro lado, a população europeia em geral, e bem revelador dessa distância entre eleitores e eleitos. E perante o “cartão vermelho” dado nos referendos francês e holandês, essa temática estava bem vincada nas inquietações desses dois povos, e ao que parece pelo menos nas palavras do presidente da Comissão europeia, os sinais populares de rejeição indirecta dos turcos à União, é puramente ignorada por esta entidade comunitária, e assim mais se acentua a separação que a eurocracia prepotente e os comuns cidadãos da Europa.
Esta importante questão, que é a possível adesão de um país asiático, que vai contra a identidade europeia é bem reveladora da desorientação das instituições comunitárias ao desviarem-se de um dos mais sérios problemas internos e geopolítico bem centrado no coração da Europa – o dilema balcânico.
Este é um exemplo concreto da falta estratégia da União em projectar, preparar e inovar o futuro dos europeus, isto é, está a baralhar as prioridades, pois em primeiro lugar deveria preocupar-se com a orientação da resolução dos problemas dos cidadãos europeus, fortalecendo assim a comunidade, fomentando o espírito europeu nos seus cidadãos, em vez de canalizar uma boa parte da sua energia, numa questão acessória, duvidosa e que está a dividir os europeus, numa altura pouco aconselhável para o levantamento deste tipo de agitação.

segunda-feira, agosto 08, 2005

Marés Vivas


A sociedade humana é de facto um mundo sem fim, e até no mais próspero continente do globo terrestre, a Europa, não existe, não podem existir pausas ou reflexões prolongadas, como quem está à espera do seu salvador.
Os acontecimentos vão-se sucedendo em catadupa quase incessantemente. Primeiro foram os famosos referendos fracassados ao tratado constitucional, cujos resultados puseram em estado de choque os europeístas, e sobretudo os eurocratas.
Bruxelas deveria de ser com o seu Conselho Europeu, o tónico essencial e imprescindível para limpar a face de um processo que levou vários anos a conceber, porque o Tratado de Nice já não responde às necessidades vigentes da União Europeia, porém os egoísmos nacionais prevaleceram, em especial, o de Tony Blair, encravaram ainda mais a crise europeia.
Todo este desenrolar de acontecimentos puseram nos píncaros da ribalta da política europeia, o governo britânico eurocéptico, já que os resultados dos referendos em dois dos países fundadores da Comunidade Europeia, legavam-lhe uma enorme margem de manobra para conseguir obter os seus intentos no ultimo Conselho Europeu. Acrescido a isso, o Reino Unido iria receber a presidência da União para o segundo semestre do presente ano, prometendo que solucionaria a tempestade que criou.
De facto, a nível europeu, o governo de Tony Blair estava num largo expoente de protagonismo e o acolhimento na Escócia da cimeira dos G8, adquiria certamente o estatuto do centro do mundo nessas semanas. E ficou mesmo, num misto de sangue, suor e lágrimas. Lágrimas e suor devido à vitória na organização dos Jogos Olímpicos de 2012, com uma sinistra visita do primeiro-ministro britânico na véspera da decisão do Comité Olímpico Internacional, aonde se deu uma enorme reviravolta, pois a cidade de Paris era até então considerada como a grande favorita à vitória final.
Quer no campo político como desportivo a astúcia britânica levava novamente a melhor sobre os gauleses incrédulos.
Sangue, faltava a ultima caracterização da muito popular expressão de Winston Churchill. Após largas semanas de regozijo dos “casacas vermelhas” estremeceram contudo com os mais mortíferos atentados terroristas desde a Segunda Guerra Mundial. Desde há muito que a população de Londres estava sobre stress preventivo sobre um eventual ataque perpetuado pela infame Al-qaeda, com os sucessivos avisos e comunicados das forças de segurança da capital do Reino Unido.
Mais uma vez, um insane ataque à vida de inocentes marcaram sanguinariamente o normal evoluir das suas vivências, e desta vez, o metropolitano e os emblemáticos autocarros de Londres foram os alvos escolhidos.
Embora os britânicos tenham adquirido a frieza para lidar com os mais difíceis e críticos momentos, muito cultivado aquando dos bombardeamentos nazis, ficou mais uma vez demonstrado que lutar sozinho contra o terrorismo invisível e implacável, incitado por práticas injustas e típicas do imperialismo coadjuvante propicia no futuro enormes dissabores sociais.
O heroísmo de lemas como “no surrender” que estava inscrito nas bandeiras inglesas podem incentivar o dom mais patriótico e fraterno dos súbitos de Sua Majestade, porém, quem pensar que a Grã-Bretanha pode sozinha blindar o seu território da ameaça maquiavélica do terrorismo internacional está muito bem equivocado.
Não me espanta que o lado patriótico e subtilmente generoso de ultrapassar as adversidades se possa transformar numa aberrante perspectiva aberrante e surreal . Sem dúvida alguma, o terrorismo tende a globalizar-se, a penetrar nas fronteiras sem permissão nem controlo. Portanto, urge a importância de controlar todo o tipo subversivo à liberdade dos cidadãos, e neste estádio de desenvolvimento da segurança dos povos, todos precisam de todos, e todos são um único corpo que dá vida a uma rede de protecção que se pretende impenetrável e sólida.
O contentamento pelo fim do tratado constitucional, unicamente por motivos nacionalistas e egoístas não tem razão de o ser. A constituição ou o próximo tratado da União deve concisamente velar pelos direitos e garantias dos cidadãos, e que estes verdadeiramente participem na construção de uma Europa próspera e social.
O oportunismo político dos eurocratas pode ferir muito gravemente este corpo tão sensível que se dá pelo nome de União Europeia. O acalentar da agonia deste defunto tratado por aqueles que pensam que estão a ajudar a União a sair das profundas cinzas da rejeição é pura ilusão, como foi o referendo à constituição europeia no Luxemburgo, porque desde do desferimento do golpe brutal produzido pelo cunhal francês que o famoso projecto constitucional está bem morto.
A continuação destas cenas deprimentes que é a ilusão dos próximos referendos em nada contribui para o desenvolvimento do futuro da Europa.
Não vale a pena continuar a chorar por um tratado que não está a seduzir os europeus, e que nunca foi bem introduzido à sociedade, e no que diz respeito a Portugal, com a agravante de jamais ter havido a preocupação de informar a população do que realmente estava em jogo.
O que se pretende a partir de hoje são as novas propostas tendo como inspiração ou melhor, base de trabalho, o malogrado tratado. A perigosidade de atestar os europeus com uma realidade que já não existe, com ultimatos, as ameaças dos governantes nacionais que se demitem em caso da votação referendária não seja conforme a sua pretensão roça o mau civismo e incute práticas de uma não liberdade e de não democracia.
Se é certo que não se deve precipitar nas decisões futuras, pois estão em causa a posteridade de centenas de milhões de pessoas, também é certo que a União Europeia tem o dever de fomentar o trabalho continuo na promoção de um novo tratado que seja mais fiável aos anseios dos europeus e ao bom funcionamento das instituições comunitárias pois ninguém consegue prever nem controlar as marés vivas da política mundial.