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segunda-feira, fevereiro 21, 2011

ASCENÇÃO E QUEDA DO MURO DE BERLIM

Para muitos foi sinónimo de liberdade, para outros o dia que mudou a face do mundo, para a comunidade internacional foi o início do fim de uma era.

Corria a noite de 9 de Novembro de 1989 quando uma falha de comunicação deu a entender ao mundo que o Muro de Berlim tinha caído, que Berlim cidade estava reunida, que a cortina de ferro preconizada por Winston Churchil, e que durou quase 40 anos, estava finalmente aberta. Passaram-se vinte anos desde aquela noite, mas as consequências do que aconteceu ainda hoje se fazem sentir.

Os sintomas de que algo estaria para acontecer estavam latentes em todo o império soviético ainda antes de 1989. Por toda a ex-URSS surgiam vozes de descontentamento para com o regime socialista, como eram o caso da Hungria – que desde a década de 1950 tinha instaurado um regime mais democrático e com maior liberdade de expressão –, ou da Polónia – onde em 1970 se vêem surgir diversos movimentos de grevistas –, e que são exemplos sintomáticos de que a hegemonia socialista poderia estar perto do fim.

Quando a década de 1980 chega ao final, a República Democrática da Alemanha (RDA) alcança um nível de endividamento externo nunca antes visto, à merce de uma crise económica mundial e de uma crise de valores no sistema comunista.

As pressões externas começam a sentir-se cada vez mais, e as exigências de eliminar o Muro de Berlim tomam a agenda política nacional e internacional, sendo disso exemplo o pedido levado a cabo por Ronald Reagan em Junho de 1987 numa visita à RDA.

Quando a Polónia elege um governo parcialmente democrático e a Hungria abre as fronteiras com a Áustria capitalista, permitindo a livre circulação das populações para oeste, torna-se claro que o Muro de Berlim mais não é do que um entrave às relações com o ocidente, e que a sua queda é eminente – uma decisão política e social tomada na noite de 9 de Novembro de 1989.

Como consequência, e passada que estava a euforia dos primeiros meses, o mundo soviético entra em colapso. Por toda a ex-URSS, assiste-se ao despertar das nacionalidades – com o é o caso a Checoslováquia e da Jugoslávia – aumenta a instabilidade social, o desemprego, a crise económica, em suma, a ideia de que a queda do muro iria contribuir para uma maior unificação e melhoria sociais, mais não foi do que uma realidade apenas palpável para os alemães.

De facto, a RDA só teve a ganhar com a aproximação e posterior unificação à República Federal da Alemanha (RFA), pois a adopção do marco ocidental e a integração económica no modelo capitalista contribuiram para que o país começa-se, aos poucos, a assumir-se como uma verdadeira potência mundial.

Mas os restantes países da antiga união soviética começaram nesse momento um longo percurso que ainda hoje está por concluir. Com a queda do muro de Berlim o leste europeu vê surgir não só uma profunda crise económica, mas também um crescendo de conflitos armados que exigiram a intervenção internacional e que deram origem a novos países, como a Croácia, a Bósnia, a Eslovénia, ou o recente Kosovo, desenhando um novo mapa europeu, um novo mapa político, um novo mapa social, pontuados pela descrepância latente entre oriente e ocidente, entre o mundo capitalista e os países que a ele querem pertencer.

Para o futuro anteve-se a continuação da adesão em massa à União Europeia, a estabilidade política e social da região leste da Europa, mas para o futuro ficarão também a cicatriz que se vê no chão de Berlim – e que simboliza o local onde outrora esteve o muro –, e a memória dos que viveram para lá das paredes do muro que mudou o mundo.

Este texto foi publicado na edição nº0 da revista Raia Diplomática, no dia 28.11.2009

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