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sábado, fevereiro 12, 2011

A TRANSFORMAÇÃO DAS RELAÇÕES LUSO-ESPANHOLAS NO MARCO DA CONSTRUÇÃO EUROPEIA - CONCLUSÃO - 6ª PARTE


Seria falso dizer que o marco institucional europeu eliminou de raiz as tensões históricas que caracterizam as relações ibéricas desde –praticamente a fundação dos dois grandes estados, e dos seus predecessores directos (no caso espanhol). As veleidades mais insólitas apresentaram-se ao longo de séculos das mãos mais diversas em ambas as partes. No entanto, também é certo que os cimentos do projecto europeu apontaram (da mesma forma do que o caso franco-alemão) para as raízes dessas tensões. Se as últimas décadas se mostraram como o período de relações mais fluídas e construtivas na história contemporânea dos dois estados é, em boa medida, porque esta nova forma de entender a realidade europeia e, em consequência, também peninsular, está no certo.

O actual estádio de integração econócmica, de permeabilidade fronteiriça e melhora das comunicações, de compromissos comuns nos âmbitos da segurança, imigração, educação, projeção ibero-americana, etc., mais além dos interesses particulares de ambos estados, exige sem dúvida uma crescente implicação dos governos de Madrid e Lisboa, mas também, de forma crescente, das regiões e territórios autônomos, das autarquias e nas instituições europeias (comissão, parlamento e comitê de regiões, entre outras), gerindo com bom senso os pontos de fricção e tendendo as pontes necessárias.

A atenção académica tem-se centrado mais nos aspectos históricos dessas interações – que desde logo é necessário conhecer– e menos na resolução e análise dos problemas concretos da quotidianidade. Foram as próprias instituições políticas e territoriais, como o Eixo Atlântico, quem apelaram às universidades e centros de investigação para a necessidade de reflexão sobre esta realidade iniludível ainda promovendo grupos de trabalho inter-universitários e trans-fronteiriços.

O avanço no processo de integração europeia, no que o Tratado de Lisboa supõe mais um passo à frente, acrescenta esta necessidade, manifestando-se a importância de eventos, como no que se apresentara este breve texto, e projectos que abordem urgentemente estes e outros problemas relativos ao relacionamento entre os povos ibéricos.

Joám Evans Pim, Director do Instituto Galego de Relações Internacionais e da Paz

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